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Com chuvas abaixo da média, Minas tem maior incidência de raios em 2014

Na última segunda-feira (26), 150 descargas atmosféricas foram registradas na Grande BH

Minas Gerais|Thaís Mota, do R7

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Aumento na incidência de raios durante o período chuvoso é comum
Aumento na incidência de raios durante o período chuvoso é comum Michelle Sprea

Apesar das chuvas abaixo da média histórica, Minas Gerais tem registrado várias tempestades acompanhadas de raios nos últimos dias, especialmente na região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com dados da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), somente na última segunda-feira (26) foram contabilizados 150 descargas atmosféricas na Grande BH em um intervalo de duas horas.

De acordo com o meteorologista Geraldo Paixão, o aumento na incidência de raios durante o período chuvoso é comum nesta época ano. Entretanto, neste período chuvoso - especialmente no mês de janeiro - o volume de descargas elétricas no Estado está 10 % acima da média na Grande BH. Já nas regiões central, Triângulo Mineiro, oeste e sul o número está entre 15 a 20% mais elevado do que no ano passado 


— A diferença deste ano é que isso está mais intenso devido às temperaturas também acima da média registradas neste mês.

Esse crescimento traz consigo um alerta à população sobre os riscos de acidente. No último dia 26, data em que a Cemig registrou um elevado número de descargas atmosféricas, um homem foi atingido por uma delas em Santa Luzia, na região metropolitana. Por sorte, ele apenas se feriu superficialmente e foi socorrido por familiares até um hospital próximo.


Mas, na maioria dos casos, acidentes como esse são graves e podem levar à morte. Foi o que aconteceu com um tio e um sobrinho que foram atingidos por um raio no último final de semana em Esmeraldas, também na Grande BH. Conforme parentes, as vítimas foram surpreendidas por uma tempestade e tentaram se abrigar sob uma árvore, que acabou sendo atingida por uma descarga e matando os parentes. 

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Esse caso ainda não foi contabilizado no boletim diário divulgado pela Cedec (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil) pois a confirmação da causa da morte só é feita após os resultados da perícia e dos exames complementares. Mas, se comprovado que tio e sobrinho morreram em decorrência de uma descarga atmosférica, eles serão a segunda e terceira vítimas fatais de raio no Estado durante este período chuvoso, que teve início em outubro do ano passado.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que casos como estes não são raros e o Minas tem o segundo maior número de óbitos provocados por raios no Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. Entre 2000 e 2013, 130 pessoas morreram após serem atingidas por descargas atmosféricas no Estado. Já o balanço do ano passado ainda não ficou pronto, mas deve sair nos próximos dias.


Além disso, Minas é um dos que apresenta maior incidência de raios do país, ocupando a sexta posição no ranking nacional. Conforme levantamento do Inpe, o Estado registra em média 3,37 milhões de raios por ano e, de acordo com o meteorologista da Cemig, isso está relacionado às características de clima e relevo.

— O relevo acidentado e o clima de Minas Gerais favorecem à ocorrência de tempestades com raios porque estamos em uma região tropical, de altas temperaturas, e quando chega uma frente fria isso ocorre. 

E a previsão da meteorologia é de mais pancadas de chuva acompanhadas de descargas atmosféricas. Segundo Paixão, a expectativa é que haja tempestades durante o fim de semana em boa parte do Estado, inclusive na região norte, que vem enfrentando uma longa estiagem. 

Prevenção

Diante do aumento do número de raios, o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho da Cemig, Demétrio Venício Aguiar, faz algumas recomendações à população para evitar acidentes com eletricidade nesta época do ano. Entre elas está: desligar todos os aparelhos das tomadas durante uma tempestade com raios, inclusive geladeira. Isso porque há risco de sobretensão na rede e também de queimar alguns dos equipamentos.

Já em caso de alagamentos, em que tomadas ou equipamentos eletrônicos fiquem submersos na água, a orientação é que as pessoas chamem um eletricista particular para verificar as condições na rede elétrica do imóvel e também a fiação dos objetos antes de ligar qualquer dispositivo.

— Nestas situações, os equipamentos ficam impregnados de água e sujeira e isso conduz eletricidade podendo provocar choques elétricos ou até curto-circuitos nos aparelhos. 

Em caso de ventania, o engenheiro alerta para o risco de queda de árvore sobre a rede elétrica. Caso isso aconteça, a população deve se manter afastada porque há possibilidade de algum fio partido entre os galhos e acionar a Cemig pelo telefone 116. 

Já em locais descampados, como pastos ou praias, o risco de acidentes com raios é ainda maior e os cuidados devem ser redobrados em caso de tempestade. Cercas de metal e árvores atraem descargas atmosféricas e a orientação é que as pessoas se afastem desses pontos e busquem um abrigo seguro, como construções de tijolos ou até mesmo um carro.

No entanto, se não houver jeito, recomenda-se que as pessoas se afastem umas das outras e fiquem agachadas ou em posição fetal, ou seja, deitado ao chão com abraçando as pernas, até que a tempestade termine. Dessa forma, evita-se que a pessoa seja o ponto mais alto daquele local, o que geralmente atrai os raios. E tudo isso sempre de pés juntos, pois os pés separados em contato com o solo provoca uma diferença de potencial aumentando a possibilidade de que, caso a pessoa seja atingida por um raio, ela sofra um choque elétrico e morra.

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