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Delegada é alvo de processo que pode levar à demissão após caso de gari morto em BH

Procedimento disciplinar foi instaurado pela Corregedoria; crime ocorreu após briga de trânsito em agosto de 2025

Minas Gerais|Ricardo Vasconcelos, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7.

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Renê Nogueira é casado com a delegada Ana Paula Balbino
Renê Nogueira é casado com a delegada Ana Paula Balbino Reprodução/RECORD MINAS

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou um Processo Administrativo Disciplinar contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, que pode resultar na demissão da servidora em Minas Gerais. A medida foi publicada no Diário Oficial na manhã desta quinta-feira (23) e aponta possíveis transgressões disciplinares previstas na Lei Estadual 5.406/69. A decisão ocorre no desdobramento do caso que ganhou repercussão após a morte de um gari durante uma discussão de trânsito em Belo Horizonte. A investigação administrativa busca apurar a conduta da delegada, que tem vínculo com o principal acusado do crime.

O caso remonta ao dia 11 de agosto de 2025, quando o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros enquanto trabalhava na coleta de lixo no bairro Vista Alegre, na região Oeste da capital. Segundo a Polícia Militar, o crime começou após um desentendimento banal no trânsito. Incomodado com o caminhão de limpeza que ocupava parte da via, um motorista desceu do carro armado, fez ameaças à equipe e, mesmo após a situação aparentemente controlada, efetuou um disparo que atingiu a vítima. Laudemir chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.


Horas após o crime, Renê Júnior, empresário de 47 anos, foi preso em uma academia de alto padrão na região Oeste de BH. Ele teve a prisão em flagrante ratificada por homicídio qualificado e ameaça, com agravantes como motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante as investigações, foi identificado que a arma utilizada no crime estaria ligada à delegada, o que motivou a abertura de apuração interna para verificar eventual responsabilidade administrativa.

Em setembro do mesmo ano, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou o acusado por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e tentativa de fraude processual. A denúncia incluiu três qualificadoras: motivo fútil, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O processo segue em tramitação na Justiça, enquanto a Polícia Civil conduz, paralelamente, a apuração disciplinar que pode resultar na demissão da delegada envolvida no caso.


Entrevista

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior concedeu, em novembro, sua primeira entrevista desde que foi preso sob a acusação de assassinar o gari Laudemir de Souza Fernandes. O crime ocorreu em Belo Horizonte durante uma discussão de trânsito entre Renê e coletores de lixo.

Em entrevista exclusiva a Roberto Cabrini, realizada no presídio em Caeté, Minas Gerais, o acusado admitiu ter passado pelo local do crime armado e reconheceu estar presente na cena durante o ocorrido, mas nega ter disparado contra Laudemir.


O empresário atuava no setor de alimentação e é casado com Ana Paula Balbino, delegada de polícia influente no combate à violência doméstica. Ao ser questionado sobre possíveis privilégios na abordagem após o crime, Renê rebateu: “Eu não tive contato com minha esposa. Eu liguei para o coronel da Polícia Militar para ver o que eu faria”.

Testemunhas afirmam que Renê teria ameaçado os garis antes dos disparos: “Se vocês encostarem no meu carro, eu dou um tiro na sua cara”, alega um dos profissionais presentes na cena do crime. O empresário diz que apenas avisou os profissionais que seu carro não passaria ao lado do caminhão de lixo e nega estar irritado no momento: “Se batesse o carro, era só uma porta, não a vida de uma pessoa. É muito diferente”.


Caso Laudemir

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) denunciou, no dia 12 de setembro, o assassino confesso do gari Laudemir Fernandes por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e tentativa de fraude processual. A acusação de Renê da Silva Nogueira Júnior foi acompanhada de três qualificadoras: motivo fútil, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O gestor comercial havia sido indiciado pela Polícia Civil por ameaça e homicídio qualificado, com duas qualificadoras, motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A mulher de Renê, a delegada Ana Paula Balbino, também foi indiciada pela Polícia Civil, mas não foi denunciada pelo Ministério Público. Ela foi responsabilizada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e prevaricação, com base nas investigações do DHPP (Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa) e da corregedoria da Polícia Civil.

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