‘Podia ser eu’: ex relembra agressões de suspeito de jogar mulher em penhasco na Grande BH
Mulher afirma ter sofrido agressões, ameaças e perseguições durante oito anos de relacionamento com Silvanildo Amâncio
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Vinícius Rangel, da RECORD Minas
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A prisão de Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, suspeito de sequestrar, torturar e tentar matar a ex-companheira Ana Cláudia da Silva Souza ao empurrá-la de um penhasco na Serra do Rola-Moça, trouxe à tona relatos de outra mulher que afirma ter sido vítima dele ao longo dos anos.
Uma delas manteve um relacionamento com Silvanildo por cerca de oito anos. Em entrevista, ela descreveu uma rotina marcada por agressões físicas, ameaças, perseguições e controle constante. Ao tomar conhecimento do caso envolvendo Ana Cláudia, a ex-companheira afirma ter se reconhecido na história.
Violência desde o início do relacionamento
Segundo Simone, os episódios de violência começaram ainda nos primeiros anos da relação. Ela conta que vivia sob constante vigilância e que situações corriqueiras eram transformadas em motivo para agressões.
“Tudo que eu fazia, ele já vinha com violência para cima de mim. Era tapa, era puxão de cabelo, sabe? Ele sempre foi muito agressivo”.
Segundo a ex-companheira, o ciúme excessivo era uma das principais características do comportamento de Silvanildo.
“Se você chegava 5 minutos atrasada do serviço, já era motivo para estar traindo. E a agressividade em cima, palavras, né, que machucam muito”.
Perseguição constante
Mesmo quando não estavam juntos, ela afirma que era monitorada pelo então companheiro. Segundo ela, o homem aparecia inesperadamente em diferentes locais para verificar seus movimentos.
“Perseguia. Eu trabalhava lá no centro de Contagem e ele aparecia do nada, sem mais, sem menos, ele aparecia. Às vezes eu estava no ponto do ônibus, ele aparecia”.
A entrevistada relata que viveu por anos sob medo e insegurança, sem saber quando o agressor surgiria novamente.
‘Ele colocou uma faca no meu pescoço’
Entre as lembranças mais traumáticas do relacionamento, a mulher cita um episódio em que acredita ter escapado da morte.
“Uma vez a gente estava num motel, ele colocou uma faca no meu pescoço. Eu poderia ter ido ali naquela hora, mas aí eu dei um empurrão nele, ele caiu, eu peguei uma [roupa] para vestir, passei por baixo da cancela e fui pra rua”, conta.
O relato guarda semelhanças com a violência descrita por Ana Cláudia aos policiais militares que participaram do resgate na Serra do Rola-Moça. Segundo a vítima, ela foi ameaçada com uma faca, torturada e depois empurrada em um penhasco, onde permaneceu por cerca de 24 horas agarrada à vegetação até ser encontrada.
Filho sem assistência
Do relacionamento entre a ex e Silvanildo nasceu um filho, hoje com 20 anos. Segundo ela, o homem nunca participou da criação do jovem.
“Nem pensão, nem ajuda psicológica, nem nada, sabe?”.
A ex-companheira afirma que a ausência paterna teve impactos profundos na vida do filho, que precisou lidar sozinho com as consequências emocionais do abandono.
A denúncia que não foi adiante
A mulher conta que chegou a procurar ajuda e registrar uma ocorrência por agressão. No entanto, acabou desistindo do processo acreditando que o relacionamento poderia mudar.
“Fiz uma ocorrência na delegacia de mulheres, mas eu retirei essa queixa”. Hoje, ela afirma que se arrepende da decisão e faz um alerta para outras mulheres que vivem situações semelhantes.
“Busca e continua na luta. Fiquem atentas. Corre atrás”.
Prisão mantida
Silvanildo Amâncio de Araújo foi preso na terça-feira (26) em Várzea da Palma, no Norte de Minas. Ao ser preso, ele confessou o crime. A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (27).
Ele é investigado por crimes como tentativa de feminicídio e estupro contra Ana Cláudia. Segundo a Polícia Militar, o suspeito confessou ter levado a ex-companheira para a Serra do Rola-Moça e admitiu que a empurrou do penhasco.
Ao comentar a prisão, a ex afirma esperar que o agressor permaneça atrás das grades.
“Eu espero que ele pense lá um pouquinho o que que ele fez, pensar um pouco no que ele fez, no que ele deixou para trás”.
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