Diarista acusada de matar casal de idosos em BH passa por exame de insanidade mental nesta segunda
Perícia psiquiátrica foi determinada pela Justiça após pedido da defesa de Paola Stefany; processo está suspenso em relação à acusada
Minas Gerais| Isabella Guasti, da RECORD Minas
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A diarista Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar um casal de idosos no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, será submetida a um exame de insanidade mental nesta segunda-feira (14). A perícia psiquiátrica foi determinada pela Justiça após um pedido da defesa para avaliar as condições mentais da acusada na época dos crimes.
O exame deverá avaliar se Paola tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos e de agir de acordo com esse entendimento. A realização da perícia, por si só, não significa que a Justiça tenha reconhecido a existência de um transtorno mental ou considerado a diarista inimputável. A conclusão dependerá da avaliação dos peritos e do laudo que será posteriormente encaminhado ao processo.
O Incidente de Insanidade Mental foi instaurado pela Justiça no dia 18 de agosto, depois de um pedido apresentado pela defesa. Com a medida, o processo principal foi suspenso em relação a Paola, sem prejuízo de diligências consideradas urgentes. A Justiça aguarda a realização da perícia e a apresentação do laudo para dar prosseguimento ao caso.
Paola está presa desde o início de julho. Ela foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por dois latrocínios — roubo com resultado morte —, além de fraude processual e furto qualificado. A denúncia foi recebida pela Justiça no dia 31 de julho.
Relembre o caso
O casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi encontrado morto no apartamento onde morava, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, no dia 30 de junho. O crime teria ocorrido no dia anterior. Paola havia sido contratada para realizar serviços de limpeza no imóvel e, segundo as investigações, estava pela primeira vez na residência.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a diarista teria colocado medicamentos com efeito sedativo na bebida das vítimas para reduzir a capacidade de reação delas e, em seguida, começou a retirar bens do apartamento. Ainda conforme o MP, uma das vítimas acordou durante a ação e, nesse momento, Paola teria atacado o casal com uma arma branca.
Laudos citados pela Justiça apontam que Maria Clotilde apresentava 15 lesões provocadas por instrumento perfurocortante e queimaduras pelo corpo. Cláudio sofreu 43 lesões por arma branca, incluindo perfurações no coração. Exames toxicológicos também identificaram clonazepam e alprazolam nas vítimas.
Segundo a investigação, após as mortes, a acusada teria tentado alterar a cena do crime para dificultar o trabalho da perícia. O laudo do local apontou panos de chão encharcados com água sanitária e desinfetantes. Câmeras de segurança do condomínio também registraram Paola entrando no prédio às 7h28 e deixando o local às 15h32, carregando sacolas com pertences das vítimas e usando roupas diferentes das que vestia na chegada.
Um dos elementos destacados pela investigação foi uma unha postiça de gel encontrada embaixo do corpo de Cláudio. Conforme a decisão judicial, imagens mostraram que Paola entrou no apartamento com o adereço no dedo anelar direito e saiu sem ele.
Ainda segundo o MPMG, depois do crime, Paola teria ido ao Centro de Belo Horizonte para vender objetos retirados do apartamento e utilizar cartões bancários das vítimas. O comerciante Leonardo do Nascimento também foi denunciado, acusado de participar do esquema envolvendo o uso dos cartões em máquinas de um estabelecimento comercial.
Paola foi presa pela Polícia Civil no dia 2 de julho, em um hotel em Itabira, na região Central de Minas Gerais, onde estava com o filho. Segundo a investigação, havia indícios de que ela pretendia fugir para o Rio Grande do Sul. Com a suspeita, os policiais apreenderam R$ 18,8 mil, celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, uma faca e 165 comprimidos de medicamento com efeito sedativo.
Durante as investigações, outras pessoas procuraram a Polícia Civil e relataram que também teriam sido vítimas da diarista. Conforme a corporação, foram identificados outros quatro casos com modo de agir semelhante, nos quais clientes teriam sido dopados.
A defesa de Paola foi responsável por solicitar a instauração do incidente de insanidade mental e afirmou anteriormente que a medida seria necessária diante de elementos dos autos e de circunstâncias verificadas durante a investigação e a reprodução simulada dos fatos.
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