Diarista suspeita de matar casal de idosos em bairro nobre de BH é indiciada por latrocínio
Polícia Civil localizou outras vítimas que Paola Stephany Neto Cririno também teria dopado e roubado em ocasiões anteriores
Minas Gerais|Arnon Gonçalves e Stéphany Lisboa, da Record Minas
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A diarista, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de matar um casal de idosos no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, foi indiciada pela PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais) por latrocínio, roubo seguido de morte. Outras quatro pessoas que adquiriram bens que teriam sido roubados por Paola, da casa das vítimas, foram indiciadas por receptação.
A conclusão do inquérito foi divulgada nesta segunda-feira (13). A diarista foi presa em flagrante dois dias após o ocorrido, em Itabira, na região central de Minas Gerais, e permanece no sistema prisional.
Segundo a polícia, Paola é suspeita de crime de roubo com resultado morte cometido duas vezes, uma contra Maria Clotilde, de 75 anos, e outra contra Cláudio Atala Inácio, de 76. Eles foram dopados com medicamentos e depois esfaqueados até a morte.
Após o crime, Paola teria roubado pertences do casal e vendido. De acordo com a PC, quatro homens que adquiriram esse bens da residência das vítimas foram indiciados pelo crime de receptação qualificada.
Depois da divulgação do caso, eles procuraram a polícia voluntariamente acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens, e os devolveram. Com isso, segundo a Polícia Civil, eles poderão ter a pena reduzida por arrependimento posterior, conforme previsto no art. 16 do Código Penal.
A polícia também disse que, até o momento, não foram identificados elementos concretos de participação de outras pessoas na morte do casal.
O inquérito concluiu, ainda, que Paola já tinha um histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas. Após a descoberta do crime contra o casal no bairro São Pedro, outras pessoas prestaram depoimento relatando terem sido roubadas pela diarista da mesma forma.
Sobre o crime
As vítimas foram encontradas mortas no apartamento delas, no bairro São Pedro, no dia 30 de junho. Os corpos apresentavam lesões produzidas por instrumento perfurocortante e sinais de defesa. Também foi encontrada uma gaveta violada no quarto do casal, além da ausência de telefones e de diversos bens.
Segundo a Polícia Civil, a inexistência de arrombamento na entrada, direcionou a investigação para pessoas admitidas voluntariamente no imóvel. Os levantamentos indicaram Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, como suspeita do crime. No dia, ela estava na residência para realizar um serviço de limpeza pela primeira vez.
No decorrer das investigações, a PC descobriu que Paola já teria decidido cometer o crime antes de estar no apartamento das vítimas. Segundo apurado, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas – método também utilizado contra o casal de idosos, além da violência física.
Prisão da diarista
A suspeita foi presa pela Polícia Civil no dia 2 de julho, na cidade de Itabira, região Central do estado. Ela estava em um hotel com o filho menor de idade. Levantamentos realizados pelos policiais apontam indícios de que a mulher pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.
Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18 mil em dinheiro, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo.
Novas vítimas
No decorrer das investigações, outras pessoas compareceram ao Depatri informando que também teriam sido vítimas da suspeita. De acordo com a PC, foram apurados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir, ou seja, dopando clientes. Itens furtados de um casal foram recuperados na casa de Paola.
Dessas outras vítimas, os policiais recuperaram R$ 18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, dois celulares, oito frascos de perfume, diversos acessórios (brincos, anéis, pulseiras, pingentes, cordões), 11,2 gramas de ouro fundido, dois pares de tênis, dois casacos e outras roupas
O que diz a defesa
A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.
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