Documento de empreiteira que cobra dívida de Betim (MG) é falso
O registro cobrava R$500 milhões da Prefeitura de Betim referente a obras realizadas pela construtora Andrade Gutierrez no município em 1979
Minas Gerais|Gisele Ramos, da RecordTV Minas e Luíza Lanza*, do R7

A Polícia Civil confirmou que é falso um documento utilizado pela empreiteira Andrade Gutierrez para cobrar R$ 500 mihões da Prefeitura de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo o delegado Rodrigo Bustamente, após quatro meses de investigação, os peritos identificaram alterações no arquivo.
— Certos elementos que constam no texto não são compatíveis. Houve uma retirada de falas, de parágrafos, o que comprova que esse documento foi adulterado.
Com a falsidade comprovada, Betim não vai mais precisar dar continuidade ao pagamento da dívida e, ainda, terá um valor a ser recuperado aos cofres públicos, referente à diferença entre o que foi pago pelo município e o valor do contrato.
Para o procurador-geral de Betim, Bruno Cypriano, o resultado do inquérito representa um alívio nos cofres da cidade.
— Nós já teríamos pago mais de R$200 milhões. Imagine, na crise que temos hoje do coronavírus, o que isso representaria para a população de Betim. Agora nós temos um órgão isento, que fez uma perícia técnica no documento e comprovou que estavamos falando a verdade. O único documento que fundamenta a dívida é falso, foi montado.
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De acordo com a Polícia Civil, as investigações continuam para determinar quem falsificou o documento e os motivos.
O caso
A suposta dívida é referente a um contrato para obras de pavimentação, infraestrutura e rede de esgoto na cidade de Betim em 1979. Na ocasião, a construtora Andrade Gutierrez venceu uma licitação pública para realizar as melhorias em um período de quatro anos.
A dívida, de 709 milhões de cruzeiros, só foi cobrada 12 anos depois, quando o prefeito da época já havia morrido. Desde então, o Executivo e a Andrade Gutierrez travam uma disputa judicial.
Em outubro de 2019, a justiça determinou o bloqueio de R$ 47,8 milhões de recursos da prefeitura como parte do pagamento da dívida. Mas em novembro, o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Alexandre Santiago, suspendeu a decisão.
*Estagiária do R7 sob a supervisão de Pablo Nascimento















