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‘Estamos sofrendo preconceito’: diarista diz que foi afetada após crime contra casal de idosos em BH

Vizinhas e profissionais que trabalham em frente ao prédio acompanharam a chegada de Paola à reconstituição e relataram indignação com o caso

Minas Gerais|Cler Santos, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Reconstituição do crime contra casal de idosos em BH gera grande comoção e revolta na comunidade.
  • Diaristas relatam preconceito e desconfiança após o crime ganhar repercussão nacional.
  • Paola Stephany Neto Cirino é acusada de dopar e assassinar o casal, além de roubar semijoias e celulares.
  • Defesa de Paola afirma confiança no processo judicial e pede que julgamentos sejam baseados em provas.

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Segundo ela, profissionais da categoria passaram a enfrentar desconfiança desde que o caso ganhou repercussão nacional
Segundo ela, profissionais da categoria passaram a enfrentar desconfiança desde que o caso ganhou repercussão nacional RECORD Minas/ Reprodução

A reconstituição da morte do casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 81 anos, e Maria Atala Inácio, de 77, realizada na tarde desta quarta-feira (8), no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi acompanhada por dezenas de moradores e curiosos. Enquanto a diarista Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, chegava ao prédio sob forte esquema de segurança e em meio a gritos de “assassina”, pessoas que vivem e trabalham na região relataram à reportagem a indignação com o crime e os impactos que o caso provocou na comunidade.

Moradora do bairro, Eliana Martins disse que o assassinato causou revolta pela violência empregada contra o casal. “Foi um crime tão bárbaro que gerou indignação no Brasil inteiro”, afirmou. Para ela, o caso também reacendeu o debate sobre a punição para crimes dessa gravidade. “A gente fica inseguro. É um crime que choca pela brutalidade e pela crueldade”, completou.


Quem também acompanhou a movimentação foi a diarista Lilian Almeida, que trabalha em um imóvel em frente ao prédio onde o casal foi morto. Segundo ela, profissionais da categoria passaram a enfrentar desconfiança desde que o caso ganhou repercussão nacional. “A gente está sofrendo preconceito. As pessoas acham que agora toda diarista é igual, mas não somos. A maioria é honesta e trabalha com dedicação”, afirmou.

Lilian contou que percebeu mudanças na relação de confiança entre patrões e diaristas. “Agora as pessoas vigiam mais, desconfiam mais. Nós, que trabalhamos há muitos anos e somos honestas, acabamos pagando pelo erro de uma pessoa”, disse. Apesar disso, ela orienta que famílias continuem buscando referências antes de contratar profissionais. “É importante saber quem está entrando na sua casa, mas também é preciso entender que nem todo mundo é igual.”


A reprodução simulada do crime começou por volta das 14h e contou com a participação de Paola, além de peritos e investigadores da Polícia Civil. A expectativa é que o procedimento ajude a esclarecer a dinâmica do duplo latrocínio.

Relembre o caso

Na tarde do dia 30 de junho, um casal de idosos foi encontrado morto dentro de sua residência no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, foi encontrada na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.


Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.

Além disso, em depoimento, a suspeita teria admitido que dopou o casal com uma mistura de remédios usados em tratamento para depressão. Posteriormente, os adicionou a um suco. De acordo com o delegado Gustavo Bartella, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência.


Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.

Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.

A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.

O que diz a defesa

A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.

No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.

As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.

Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.

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