Quem é a suspeita de matar casal de idosos com pelo menos 40 facadas em BH
Crise financeira é uma das linhas de investigação sobre morte de casal na capital mineira; suspeita tinha dívidas com agiotas
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7
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As investigações sobre a morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, continuam avançando em Belo Horizonte. A principal suspeita do latrocínio (roubo seguido de morte) é uma diarista de 30 anos, Paola Stephany Neto Cirino, que foi presa pela Polícia Civil na madrugada desta quinta-feira (2/7), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Novos detalhes revelados pela investigação ajudam a traçar o perfil da mulher e apontam para possíveis motivações do crime.
Indicada por um familiar das vítimas
Segundo a Polícia Civil, a suspeita trabalhava como diarista e foi indicada por um familiar próximo de Maria Clotilde. Ela já prestava serviços para esse parente havia mais de um ano e, no dia do crime, trabalhava pela primeira vez no apartamento do casal.
O delegado Gustavo Barletta afirmou que a indicação ocorreu de boa-fé e que o familiar está profundamente abalado com o desfecho do caso.
Dívidas podem ter motivado o crime
Uma das principais linhas investigativas aponta que dificuldades financeiras podem ter motivado o assassinato.
De acordo com depoimentos de familiares da própria suspeita, ela enfrentava uma grave crise financeira e acumulava dívidas com agiotas. Em uma tentativa de ajudá-la, parentes chegaram a reunir cerca de R$40 mil para quitar parte dos débitos. Ainda assim, segundo os relatos, ela continuava devendo dinheiro.
Além dos problemas financeiros, familiares descreveram a mulher como emocionalmente instável e relataram que ela enfrentava episódios de depressão.
Sem histórico
O delegado afirma que a principal suspeita não possui passagens criminais anteriores, ou seja, não tem um histórico de crimes registrados em seu nome. No entanto, ela possui ocorrências policiais de natureza rotineira, descritas como situações comuns do dia a dia.
Essas ocorrências registradas envolvem fatos como atritos verbais e perda de documentos. O delegado enfatiza que são registros corriqueiros e que não indicavam, até então, uma periculosidade criminal.
Um episódio específico mencionado ilustra esse comportamento: em uma ocasião, a mulher havia sido contratada para realizar uma faxina, mas ao chegar ao local, o contratante desistiu do serviço. Diante da negativa, houve uma discussão e a própria suspeita solicitou o registro da ocorrência policial devido ao desentendimento sobre o trabalho combinado.
O comportamento após o crime
As imagens das câmeras de segurança do condomínio chamaram a atenção dos investigadores.
A diarista entrou no prédio por volta das 7h30 da última segunda-feira (29) e permaneceu no apartamento durante cerca de oito horas. Ela deixou o edifício somente às 15h30, carregando sacolas com joias, relógios e celulares pertencentes às vítimas.
Segundo a investigação, após matar o casal, a suspeita tomou banho no apartamento, trocou de roupa e ainda tentou apagar vestígios do crime antes de fugir. A Polícia Civil também apurou que ela descartou uma blusa com manchas de sangue e caixas de relógios em uma caçamba nas proximidades do condomínio.
Depois de deixar o local, a mulher teria seguido para Ribeirão das Neves, na Grande BH, onde buscou o filho, de 6 anos.
Família faz apelo
Apesar das suspeitas, familiares afirmam que nunca imaginaram que ela pudesse cometer um crime dessa gravidade.
A tia da investigada, Maria Nilza, descreveu a sobrinha como uma pessoa trabalhadora, que morava com os avós havia cerca de dois anos e nunca apresentou comportamento agressivo.
Segundo a familiar, antes de desaparecer, a diarista entrou em contato com parentes e disse apenas que havia cometido “uma grande besteira”. Emocionada, a tia fez um apelo para que ela se entregue às autoridades.
Investigações continuam
A Polícia Civil pretende solicitar à Justiça um mandado de prisão preventiva contra ela, uma vez que não foi realizada a prisão em flagrante.
Os investigadores também apuram se ela contou com o auxílio de um comparsa. Imagens mostram que, após deixar o condomínio, a suspeita teria embarcado em um veículo de alto padrão conduzido por outra pessoa.
O paradeiro da mulher e do filho segue desconhecido. Uma das hipóteses investigadas é que ela tenha deixado Minas Gerais em direção ao Espírito Santo. Enquanto isso, a polícia continua as diligências para localizar a suspeita e recuperar os objetos roubados do casal.
Relembre o caso
Na tarde dessa terça-feira (30/6), um casal de idosos foram encontrados mortos dentro de sua residência no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, foi encontrada na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.
Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.
Além disso, em depoimento, a suspeita teria admitido que dopou o casal com uma mistura de remédios usados em tratamento para depressão. Posteriormente, os adicionou a um suco. De acordo com o delegado Gustavo Bartella, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência.
Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.
Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.
A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2/7), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.
O que diz a defesa
A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.
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