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Justiça obriga SUS a fornecer "pílula contra o câncer" para mineiro de 75 anos

Fosfoetanolamina é alvo de controvérsia porque ainda não passou por testes clínicos

Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

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MPF conseguiu liminar para paciente de Uberlândia
MPF conseguiu liminar para paciente de Uberlândia

Por decisão da 3ª Vara Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, um paciente de 75 anos deve receber do SUS a substância "fosfoetanolamina sintética", que supostamente pode ajudar a combater tipos de câncer. A liminar, obtida pelo MPF (Ministério Público Federal), foi divulgada nesta terça-feira (3). 

O paciente sofre de câncer de pulmão e a doença já se espalhou para a coluna. Como o organismo não responde mais aos tratamentos convencionais, a família quer tentar o método alternativo com a substância, que ainda não passou pelas fases de testes exigidas pelo protocolo médico. Como o paciente não tem dinheiro para comprar o medicamento, o MPF pediu o fornecimento à Justiça. 


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A decisão cita a liminar do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal,que determinou o fornecimento da fosfoetanolamina a um paciente de São Paulo. Por entendimento do TJSP, vários processos haviam sido bloqueados, mas a sentença do STF abriu caminho para uma enxurrada de processos de pacientes que buscam a substância experimental. 

Mesmo considerando que não há comprovação de que a substância possa ajudar a tratar certos tipos de câncer, o juiz escreveu que depois de considerar "os valores em conflito, pondero que a luta pela preservação da vida, o bem maior e único a pairar absoluto sobre quaisquer outros, deve ser homenageada", ainda que o remédio não surta efeito e apenas satisfaça "o sentimento psicológico de dever cumprido dos familiares". A droga produzida pela USP ainda não passou pelos testes clínicos exigidos para medicamentos, como testes em animais e em humanos. Não há evidências definidas de que ela seja eficaz e seus efeitos colaterais ainda são desconhecidos.

A Anivsa (Agência Nacional de Saúde) não reconhece a fosfoetanolamina como medicamento, e por isso ela não pode ser vendida em farmácias. Na última semana, o Conselho de Farmácia de São Paulo autuou o Instituto de Química da USP por distribuir a substância sem comprovação científica. Os pesquisadores responsáveis anunciaram nesta terça-feira (3) que contrataram uma empresa para obter o registro da fosfoetanolamina na Anvisa e dar início aos testes clínicos. 

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