Logo R7.com
RecordPlus

Ministro do STJ vê com preocupação Eleições sem regras para uso de inteligência artificial no Brasil

Para Ricardo Villas Bôas Cueva, o cenário pode ampliar a desinformação; o jurista também chama atenção para os impactos econômicos

Minas Gerais|Pablo Nascimento, Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Ministro chefiou comissão que debateu IA
Ministro chefiou comissão que debateu IA

Ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Ricardo Villas Bôas Cueva vê com preocupação a aproximação das Eleições 2024 sem um marco regulatório para o uso de ferramentas de inteligência artificial generativas no Brasil. As considerações foram feitas durante uma palestra na 24ª Conferência Nacional da Advocacia, nesta quarta-feira (29), em Belo Horizonte.

Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp


Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp

Compartilhe esta notícia pelo Telegram


Assine a newsletter R7 em Ponto

A tecnologia, que foi tema do painel, permite a criação automática de textos, áudios e vídeos a partir de bases de dados. Esses conteúdos têm a capacidade de simular rostos, vozes e movimentos de pessoas da vida real, gerando as chamadas deep fakes. Segundo o ministro, a falta de regras pode ampliar a desinformação dos eleitores.


"A tendência é que isso se agrave. A gente viu na Argentina o exemplo do uso da inteligência artificial para gerar deep fakes e informações falsas. Isso se torna cada vez mais barato e comum. O usuário [de internet] comum tem acesso a isso", comentou o ministro com o R7.

"Já é possível gerar imagens a partir de comandos verbais e escritos. Obviamente, isso vai facilitar muito o uso dessas ferramentas para criar uma situação de rivalidade acentuada nas eleições e prejuízo, obviamente, da democracia, da transparência e da capacidade do eleitor de formar a sua própria convicção livremente", acrescentou.


Em 2022, Cueva chefiou a comissão de juristas responsável por apresentar um relatório para dar origem ao projeto de lei do Senado referente à regulamentação do uso de tecnologia artificial no país.

Em maio deste ano, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apresentou o PL feito com base no dossiê da comissão. O tema continua em tramitação na Casa. Além de tentar garantir a proteção dos usuários, o projeto busca estabelecer um modelo de fiscalização e supervisão dos fornecedores da tecnologia.

O projeto de lei ainda está em análise no Senado. Nesta terça-feira (28), o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) apresentou um substitutivo ao primeiro texto, alegando a necessidade de "busca de um equilíbrio entre o fomento à inovação e a segurança".

"Ainda que o projeto seja aprovado rapidamente no Senado, ele volta à Câmara [dos Deputados]. É de interesse máximo de todos que olham as eleições que haja já uma regulação mínima no que toca a produção de desinformação e fake news. Para isso tem outro projeto sendo examinado no Congresso. O TSE também está preocupado. Certamente, haverá iniciativas importantes que ajudem o eleitor a evitar a desinfirmação", comentou Cueva ao ser questionado sobre a proximidade das eleições e o tempo de aprovação do projeto.

Reflexos econômicos

Durante a conferência, promovida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva chamou atenção para o fato de que a geração de conteúdo a partir de inteligência artificial cria desafios que vão além do político e eleitoral. Segundo ele, uma das preocupações dos especialistas é a do campo econômico.

"Todo conteúdo gerado a partir de inteligência artificial parte de um conteúdo criado por um ser humano, em geral, que não tem os direitos autorais respeitados. Isso ameaça a capacidade de os criadores sobreviverem economicamente a partir de suas obras", problematiza.

Para contornar o problema, o ministro sugere a criação de plataformas, como as de streaming, para "remunerar, mesmo que minimamente" os autores pelo uso do conteúdo. "Uma das propostas mundiais é que haja uma sinalização, a criação de marcas d'água que permitam certificar as fontes a partir da qual foram criadas as imagens e textos", completou. Segundo o ministro, o sinalizador ainda serviria para informar o internauta de que o conteúdo foi manipulado a partir de inteligência artificial.

O advogado Rodrigo Badaró, membro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), chamou atenção para o uso das ferramentas entre atores do sistema jurídico brasileiro, como advogados, promotores, procuradores e juízes. "Se querem usar, tem que sinalizar a utilização", sugeriu.

Durante o painel, os representantes da OAB se comprometeram a propor a participação do órgão nas rodas de discussões sobre o tema junto ao Conselho do Ministério Público e ao Conselho Nacional de Justiça. Outra demanda apresentada é que o Senado prorrogue as discussões do projeto de lei, devido às críticas que surgiram em relação à versão apresentada pelo senador Marcos Pontes.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.