MPMG denuncia homem por feminicídio de jovem encontrada morta em apartamento na Savassi
Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, foi encontrada morta em fevereiro; caso foi inicialmente tratado como suicídio
Minas Gerais|Cler Santos, do R7
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Adalton Martins Gomes, de 45 anos, pelo feminicídio da namorada, Giovanna Neves Santana Rocha, de 22. A jovem foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte, em fevereiro deste ano. Segundo as investigações, o suspeito teria tentado fazer a morte parecer um suicídio e teria interesse no patrimônio herdado pela vítima.
A denúncia foi oferecida à Justiça pela Promotoria do Tribunal do Júri de Belo Horizonte nesta quinta-feira (10). De acordo com o MPMG, Giovanna foi morta por asfixia mecânica por sufocação direta no dia 9 de fevereiro. Adalton está preso preventivamente.
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, versão que também teria sido apresentada pelo próprio suspeito a familiares e amigos da jovem. No entanto, a investigação tomou outro rumo após um laudo pericial apontar sinais de asfixia mecânica por sufocação direta. A partir das provas reunidas, a Polícia Civil passou a investigar a morte como feminicídio.
Segundo a denúncia, assinada pela promotora de Justiça Ana Gabriela Brito Melo Rocha, Giovanna e Adalton mantinham um relacionamento que se desenvolveu rapidamente e passou a ser marcado por comportamento controlador, violento e possessivo por parte do homem.
Ainda conforme o Ministério Público, o suspeito teria isolado Giovanna e passado a interferir em aspectos da vida pessoal, afetiva e patrimonial da jovem. Para o MPMG, Adalton teria agido movido por sentimento de posse e por interesse no patrimônio da vítima.
A investigação apontou que Giovanna possuía cerca de R$ 200 mil em contas bancárias. O homem também teria passado a morar no apartamento da jovem poucos dias depois do início do relacionamento.
Suspeita de tentativa de forjar suicídio
De acordo com a denúncia, no dia do crime, Adalton teria impedido a respiração de Giovanna até provocar a morte por asfixia. Depois, permaneceu no apartamento e passou a sustentar a versão de que a jovem havia tirado a própria vida.
O MPMG afirma ainda que, após a morte, o denunciado passou a alegar que vivia em união estável com Giovanna. A movimentação também chamou a atenção de pessoas próximas à estudante.
Em entrevista concedida anteriormente à RECORD Minas, Ludmilla Dias, amiga de Giovanna, contou que recebeu mensagens e áudios de Adalton após a morte da jovem. Segundo ela, o homem insistia para que fosse produzida uma carta que afirmasse que ele e Giovanna formavam uma família e mantinham uma união estável.
“Ele queria que eu escrevesse uma carta dizendo que eles eram uma família, que ela foi amada”, contou Ludmilla.
A amiga afirmou ainda que, ao começar a questionar o pedido, o suspeito teria mudado o tom. “Ele falou: ‘Não estou pedindo sua opinião. Estou mandando você fazer’”, relatou.
Segundo pessoas próximas à vítima, o eventual reconhecimento da união estável poderia ter repercussões sobre os bens deixados por Giovanna.
Relacionamento marcado por controle
Ludmilla também relatou que Giovanna estava em situação de vulnerabilidade emocional e financeira durante o relacionamento. Segundo a amiga, Adalton teria construído uma imagem de alguém indispensável à jovem e usado uma tentativa anterior de suicídio de Giovanna para reforçar essa dependência.
“Ele transformou isso num peso para ela. Falava: ‘Eu te salvei, você tentou tirar sua vida, mas eu te dei ela de volta’”, afirmou.
Ainda segundo Ludmilla, o homem dizia a familiares e conhecidos que era responsável por cuidar e sustentar Giovanna. “Ele falava para todo mundo: ‘Eu ajudei a Giovana, eu comprei as coisas da casa, eu dei a geladeira que ela queria’. Ele construía essa imagem de homem indispensável”, relatou.
A amiga também afirmou que houve episódios de violência física durante o relacionamento. Em uma das situações, Giovanna teria sido agredida no rosto durante uma crise de ansiedade.
Pessoas próximas à jovem reuniram prints de conversas, mensagens e outros materiais e entregaram o conteúdo à polícia durante as investigações.
MPMG pede julgamento pelo Tribunal do Júri
Na denúncia, o Ministério Público atribui ao acusado três qualificadoras. Para o órgão, o feminicídio teria sido cometido por motivo torpe, diante do interesse patrimonial e do sentimento de posse; com emprego de meio cruel, pela asfixia; e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
O MPMG pede que Adalton seja pronunciado, etapa necessária para que o processo seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A mudança na linha de investigação provocou forte impacto entre familiares e amigos de Giovanna. Ludmilla descreveu a descoberta de que a jovem poderia ter sido assassinada como um “segundo luto”.
“Sinceramente, eu espero que a justiça seja feita. A Giovana era uma menina brilhante, inteligentíssima, cheia de sonhos”, afirmou.
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