Piloto de avião que caiu em BH tentou desviar de prédios e reduzir impacto, diz especialista
Especialista em aviação afirma que ação do piloto pode ter evitado uma tragédia ainda maior em Belo Horizonte
Minas Gerais|Maria Luiza Reis e Gisele Ramos, da RECORD Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A queda de um avião de pequeno porte no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (4), segue sob investigação, mas já mobiliza análises de especialistas em segurança de voo. Para o professor da PUC Minas e especialista formado pelo ITA, Ker Oliveira, a atuação do piloto pode ter sido decisiva para evitar uma tragédia ainda maior.
Segundo ele, o comportamento da aeronave logo após a decolagem foge do padrão esperado. “Parece que a aeronave não estava respondendo e ela não estava ganhando altitude”, afirmou. A avaliação indica que o piloto percebeu rapidamente a falha e iniciou manobras de emergência ainda em baixa altura.
Tentativa de evitar o pior
Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o avião oscilando antes de atingir um prédio residencial. Para Oliveira, esse movimento revela uma tentativa clara de controle em uma situação crítica.
“O piloto foi muito habilidoso. Caiu com a aeronave ali, e isso evitou problemas maiores com pessoas no solo”, explicou.
Para o especialista, há indícios de que o piloto tentou desviar de estruturas urbanas nos últimos segundos. “Parece que ele jogou a asa direita mais baixa, a esquerda mais alta, tentando fazer uma curva para sair daquele último prédio. Até o último segundo, ele fez o melhor que pôde”, disse.
Outro ponto que chama atenção é o fato de não ter havido explosão. Como o avião havia acabado de decolar, o tanque estava cheio, o que aumentaria o risco de um incêndio de grandes proporções.
Investigação em andamento
A aeronave, fabricada em 1979, tinha certificado de aeronavegabilidade válido até 2027. Segundo o especialista, a idade não é um fator determinante para a segurança. “Na aviação, a gente não julga pela idade, mas pela manutenção. Se está certificada, está apta para voar com segurança”, destacou.
Agora, as causas do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). O processo envolve uma série de análises técnicas, como funcionamento do motor, possíveis falhas mecânicas e qualidade do combustível.
“O objetivo dessa investigação não é punir, é aprender. É entender o que aconteceu para evitar novos acidentes”, explicou Oliveira.
Sobrevivência surpreende
Apesar da gravidade da queda, até o momento, três ocupantes sobreviveram, o que é considerado incomum em acidentes desse tipo. “Pela velocidade que a gente observa nas imagens, é um impacto muito forte. Realmente, é um milagre essas pessoas terem sobrevivido”, afirmou o especialista.
No total, cinco pessoas estavam na aeronave. Duas morreram e três ficaram gravemente feridas. O avião atingiu o último andar de um prédio residencial na rua Ilacir Pereira Lima.
Nenhum morador ficou ferido, mas o edifício precisou ser evacuado. Equipes de resgate foram mobilizadas, e a área permanece isolada para os trabalhos de perícia. A Defesa Civil avalia a interdição total ou parcial do imóvel.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que apura as causas e circunstâncias do acidente. Novas informações devem ser divulgadas após a conclusão das primeiras análises técnicas.
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