Minas Gerais Saúde de MG não autorizou uso de reserva técnica para servidores

Saúde de MG não autorizou uso de reserva técnica para servidores

Ex-secretário-adjunto afirmou que documento autorizava uso dessas vacinas, mas atual gestor garantiu que ele não existe

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7, com Kiuane Rodrigues, da RecordTV Minas

Uso de reserva técnica não foi oficializado em documentos

Uso de reserva técnica não foi oficializado em documentos

Divulgação / Governo de Minas

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Bacheretti, confirmou, nesta segunda-feira (10), que a pasta não autorizou o uso da "reserva técnica" para vacinar servidores contra a covid-19.

Bacheretti informou a deputados estaduais integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Fura-filas, que investiga supostas irregularidades no processo de vacinação de servidores da saúde em Minas Gerais, que não há nenhuma normativa que regulamentou o uso dessas doses

Os parlamentares que compõem a CPI foram até a sede da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) depois que o ex-secretário-adjunto da pasta, Marcelo Cabral, afirmou que havia uma norma publicada pela pasta que autorizava o uso da "reserva técnica" para essa finalidade. No entanto, ele não soube apontar qual era esse documento e quando ele foi publicado.

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A chamada "reserva técnica" é um quantitativo de 5% do total de doses encaminhadas pelo Ministério da Saúde ao Estado e serve como uma espécie de "poupança" para que possa cobrir eventuais perdas de doses, causadas por furtos ou problemas de armazenamento nos municípios.

Fura-fila

A CPI dos Fura-fila entra na sua reta final, mas os deputados fizeram mudanças de última hora devido a novas informações sobre as investigações. O depoimento do ex-secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, que estava prevista para esta terça-feira (11), foi adiado para a próxima quinta-feira (13).

Ele foi exonerado em meio às denúncias sobre o processo de vacinação irregular. De acordo com ele, o processo seguiu as normas determinadas no PNI (Plano Nacional de Imunização).

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Nesta terça-feira, a CPI volta a receber a subsecretária de Vigilância em Saúde, Janaína Passos. Ela será ouvida a portas fechadas. Os deputados acreditam que ela pode revelar novas informações sobre o caso. 

As irregularidades no processo de imunização da pasta foram revelados em março pelo R7. Na ocasião, a reportagem revelou que servidores fora dos grupos prioritários receberam doses de vacinas e que até quem estava em "home office" foi convocado para receber a vacina. Durante a CPI, ficou comprovado que, no momento em que esses servidores foram vacinados, diversos profissionais que atuavam na linha de frente do combate à covid-19 ainda não tinham recebido os imunizantes.

Ao todo, a lista com a quantidade de servidores vacinados ultrapassa os 2.600. Durante a realização da CPI, prestaram depoimento servidores que respondem a processo administrativo interno, do Governo de Minas, a promotora Josely Ramos, responsável pela investigação do caso no âmbito do Ministério Público, além de representantes de classe e outros convocados.

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