Suco com clonazepam: polícia confirma presença de calmante no sangue de casal de idosos morto em BH
Antes de esfaquear o casal, Paola teria dopado as vítimas com os calmantes; em depoimento, ela disse que faz uso com frequência
Minas Gerais|Raquel Penaforte, da RECORD Minas

A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais constatou a presença de calmantes nas amostras de sangue do casal de idosos mortos na última segunda-feira (29), em um apartamento de luxo no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte.
Pelo inquérito, que apura o latrocínio (roubo seguido de morte), a suspeita Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, teria diluído comprimidos em copos de suco e servido aos idosos Claudio Inácio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, antes de esfaqueá-los.
O resultado confirmou a presença de 7-aminoclonazepam, clonazepam e alprazolam no sangue de Maria Clotilde, e 7-aminoclonazepam no de Cláudio. O 7-aminoclonazepam é um metabólito do clonazepam. Todas as substâncias atuam como calmantes e, em altas dosagens, podem ser sedativos.
Relembre o caso
Na tarde dessa terça-feira (30/6), um casal de idosos foi encontrado morto dentro de sua residência no bairro São Pedro, região centro-sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, estava na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.
Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas, em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.
Além disso, em depoimento, a suspeita teria admitido que dopou o casal com uma mistura de remédios usados em tratamento para depressão. Posteriormente, adicionou-os a um suco. De acordo com o delegado Gustavo Bartella, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência.
Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.
Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.
A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.
O que diz a defesa
“A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso."
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