Suspeita confessou que dopou casal de idosos antes de desferir mais de 40 facadas, diz delegado
A mulher teria misturado comprimidos e colocado em um suco entregue às vítimas
Minas Gerais|Kiuane Rodrigues, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Paola Stephany Neto Cirino, a mulher de 30 anos presa pela Polícia Civil suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, teria confessado aos investigadores que dopou o casal antes de cometer o crime.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), ela relatou que misturou quatro comprimidos de um calmante de uso controlado em um suco servido às vítimas.
“A primeira pergunta que eu fiz pra ela foi exatamente como ela conseguiu ceifar a vida de duas pessoas. A primeira coisa que ela falou foi: ‘eu dopei eles’”, afirmou o delegado em entrevista à Record Minas. Conforme Barletta, a suspeita disse ter utilizado um medicamento “extremamente forte”, usado no tratamento de depressão.
Ainda de acordo com o delegado, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência. “Ela alegou que hesitou algumas vezes antes dos golpes, mas disse que começou a esfaqueá-los. O idoso acordou, tentou se defender, reagiu e não conseguiu. Depois ela foi até a senhora, que também tentou reagir, mas não conseguiu se desvencilhar”, relatou.
Segundo a investigação, Cláudio Atala Inácio sofreu pelo menos 40 golpes de faca, enquanto Maria Clotilde também foi atacada diversas vezes. A Polícia Civil aponta que o crime ocorreu como um latrocínio, o roubo seguido de morte.
A suspeita foi presa na noite de terça-feira (1º), em um hotel de Itabira, na região Central de Minas Gerais, onde estava com o filho de 6 anos. Ela foi levada para Belo Horizonte, passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) e será encaminhada ao sistema prisional. O caso segue sob investigação, e a mulher deverá responder por dois crimes de latrocínio.
Relembre o caso
Na tarde dessa terça-feira (30/6), um casal de idosos foram encontrados mortos dentro de sua residência no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, foi encontrada na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.
Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.
Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.
Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.
A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2/7), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.
O que diz a defesa
A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.
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