CEO da Ford muda o discurso e admite: montadoras chinesas devem chegar aos EUA em até 10 anos
Executivo admite que “resistir é inútil” às marcas chinesas em reunião com funcionários

Durante anos, a indústria automotiva norte-americana apostou que tarifas elevadas e barreiras regulatórias seriam suficientes para impedir a entrada das montadoras chinesas nos Estados Unidos. Agora, um dos principais executivos do setor faz uma avaliação bem diferente. Em uma reunião interna com funcionários, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que é praticamente inevitável a chegada das marcas chinesas ao mercado americano dentro de cinco a dez anos.

A declaração representa uma mudança importante de tom de um executivo que, meses atrás, defendia publicamente restrições ainda mais duras aos veículos produzidos na China.
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Marcos Camargo Jr. 03.08.2026
No entanto, Farley vem servindo como uma voz dissonante na indústria e já admitiu, em outras ocasiões, que as marcas chinesas estão à frente dos EUA. Ano passado Farley chegou a elogiar o elétrico SU7 da Xiaomi, carro que chegou a utilizar durante a alguns meses.

Segundo fontes presentes no encontro, Farley afirmou que a Ford trabalha considerando esse cenário como uma questão de “quando”, e não mais de “se”. Na avaliação da empresa, a entrada deve ocorrer mais próxima do fim desse intervalo, já que os Estados Unidos ainda mantêm tarifas próximas de 100% sobre veículos elétricos chineses, além de regras que proíbem gradualmente softwares de origem chinesa a partir do ano-modelo 2027 e componentes de hardware conectados até 2030 por razões de segurança nacional.

Mesmo assim, o executivo reconhece que essas barreiras dificilmente conseguirão impedir o avanço chinês de forma permanente, segundo a agência internacional Reuters.

A preocupação da Ford não é apenas teórica. As montadoras chinesas já deixaram de ser protagonistas apenas no mercado doméstico. A China vendeu cerca de 31 milhões de veículos em 2025 e possui capacidade instalada superior a 50 milhões de unidades anuais, criando um excedente industrial que impulsiona sua expansão internacional. Marcas como BYD, Geely, Chery, SAIC, GWM e Leapmotor avançam rapidamente na Europa, América Latina, Oriente Médio, Sudeste Asiático e Austrália, conquistando participação graças à combinação entre preços competitivos, tecnologia embarcada e desenvolvimento acelerado de veículos elétricos e híbridos.

O próprio Jim Farley já demonstrou publicamente admiração pelo avanço tecnológico chinês. Depois de elogiar os veículos da Xiaomi, no início do ano afirmou que a China está aproximadamente dez anos à frente das fabricantes ocidentais em áreas como baterias e veículos elétricos inteligentes. A Ford, inclusive, utiliza tecnologia da chinesa CATL em seu projeto de produção de baterias LFP nos Estados Unidos, evidenciando que a competição também passa por cooperação tecnológica.
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Enquanto os EUA tentam conter esse avanço com medidas protecionistas, a realidade em outros mercados é bastante diferente. Na Europa, mesmo após a aplicação de tarifas adicionais pela União Europeia, fabricantes chinesas seguem ampliando participação de mercado.
No México, diversas marcas já se consolidaram, transformando o país em uma possível porta de entrada para a América do Norte. O Canadá também é visto como um mercado estratégico para testar a aceitação dos consumidores norte-americanos antes de uma eventual ofensiva mais ampla nos Estados Unidos.
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