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CEO da Ford muda o discurso e admite: montadoras chinesas devem chegar aos EUA em até 10 anos

Executivo admite que “resistir é inútil” às marcas chinesas em reunião com funcionários

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Jim Farley, CEO da Ford Ford/Divulgação

Durante anos, a indústria automotiva norte-americana apostou que tarifas elevadas e barreiras regulatórias seriam suficientes para impedir a entrada das montadoras chinesas nos Estados Unidos. Agora, um dos principais executivos do setor faz uma avaliação bem diferente. Em uma reunião interna com funcionários, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que é praticamente inevitável a chegada das marcas chinesas ao mercado americano dentro de cinco a dez anos.

Jim Farley, CEO da Ford Ford/Divulgação

A declaração representa uma mudança importante de tom de um executivo que, meses atrás, defendia publicamente restrições ainda mais duras aos veículos produzidos na China.


No entanto, Farley vem servindo como uma voz dissonante na indústria e já admitiu, em outras ocasiões, que as marcas chinesas estão à frente dos EUA. Ano passado Farley chegou a elogiar o elétrico SU7 da Xiaomi, carro que chegou a utilizar durante a alguns meses.

Linha de produção da Ford Ford/Divulgação

Segundo fontes presentes no encontro, Farley afirmou que a Ford trabalha considerando esse cenário como uma questão de “quando”, e não mais de “se”. Na avaliação da empresa, a entrada deve ocorrer mais próxima do fim desse intervalo, já que os Estados Unidos ainda mantêm tarifas próximas de 100% sobre veículos elétricos chineses, além de regras que proíbem gradualmente softwares de origem chinesa a partir do ano-modelo 2027 e componentes de hardware conectados até 2030 por razões de segurança nacional.


Linha de produção da Ford Ford/Divulgação

Mesmo assim, o executivo reconhece que essas barreiras dificilmente conseguirão impedir o avanço chinês de forma permanente, segundo a agência internacional Reuters.

Linha de produção da Ford Ford/Divulgação

A preocupação da Ford não é apenas teórica. As montadoras chinesas já deixaram de ser protagonistas apenas no mercado doméstico. A China vendeu cerca de 31 milhões de veículos em 2025 e possui capacidade instalada superior a 50 milhões de unidades anuais, criando um excedente industrial que impulsiona sua expansão internacional. Marcas como BYD, Geely, Chery, SAIC, GWM e Leapmotor avançam rapidamente na Europa, América Latina, Oriente Médio, Sudeste Asiático e Austrália, conquistando participação graças à combinação entre preços competitivos, tecnologia embarcada e desenvolvimento acelerado de veículos elétricos e híbridos.


Picapes da Ford estacionadas no deserto Ford/Divulgação

O próprio Jim Farley já demonstrou publicamente admiração pelo avanço tecnológico chinês. Depois de elogiar os veículos da Xiaomi, no início do ano afirmou que a China está aproximadamente dez anos à frente das fabricantes ocidentais em áreas como baterias e veículos elétricos inteligentes. A Ford, inclusive, utiliza tecnologia da chinesa CATL em seu projeto de produção de baterias LFP nos Estados Unidos, evidenciando que a competição também passa por cooperação tecnológica.

Enquanto os EUA tentam conter esse avanço com medidas protecionistas, a realidade em outros mercados é bastante diferente. Na Europa, mesmo após a aplicação de tarifas adicionais pela União Europeia, fabricantes chinesas seguem ampliando participação de mercado.


No México, diversas marcas já se consolidaram, transformando o país em uma possível porta de entrada para a América do Norte. O Canadá também é visto como um mercado estratégico para testar a aceitação dos consumidores norte-americanos antes de uma eventual ofensiva mais ampla nos Estados Unidos.

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