GM volta a investir em carros a combustão após desaceleração dos elétricos nos EUA
Linha Cadillac terá nova geração com motor a gasolina e GM terá novo SUV sem eletrificação

A General Motors iniciou uma nova fase em sua estratégia global ao ampliar investimentos em veículos a combustão. A mudança acontece após a desaceleração do mercado de elétricos nos Estados Unidos e já começa a alterar os planos das marcas Chevrolet e Cadillac, que passam a priorizar novamente SUVs e picapes movidos a gasolina, segmentos que continuam concentrando a maior parte dos lucros da companhia.O exemplo mais recente veio da Cadillac.

A marca confirmou que o XT6, SUV de sete lugares descontinuado para dar espaço ao elétrico Vistiq, voltará ao mercado equipado com motor a combustão. A decisão ocorreu depois que o Vistiq registrou vendas abaixo das expectativas, obrigando a divisão de luxo a rever a estratégia de eletrificação acelerada anunciada nos últimos anos.Ao mesmo tempo, a GM confirmou novos investimentos para ampliar a produção de utilitários esportivos e picapes movidos a gasolina nos Estados Unidos.

A fabricante também elevou sua previsão de lucro para 2026, impulsionada justamente pela demanda por modelos de maior margem de rentabilidade, como SUVs e caminhonetes, enquanto reduziu perdas relacionadas ao programa de veículos elétricos. Desde meados de 2025, a empresa já contabiliza cerca de US$` 10,9 bilhões em custos para readequar sua estratégia de eletrificação.
Bolt terá vida curta novamente
Outra decisão que simboliza essa mudança envolve o Chevrolet Bolt. Depois de ter retornado à linha de produção em uma nova geração baseada na plataforma Ultium, o elétrico já tem prazo para deixar as fábricas. A GM planeja encerrar sua produção em meados de 2027, pouco mais de um ano após seu relançamento, liberando capacidade industrial para veículos equipados com motores a combustão.O Bolt havia sido reposicionado como o elétrico de entrada da Chevrolet nos Estados Unidos, utilizando bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP), autonomia próxima de 410 quilômetros pelo ciclo EPA e preço abaixo de US`$ 30 mil. Mesmo assim, a empresa concluiu que a demanda atual não justifica manter a fábrica dedicada ao modelo diante da procura crescente por SUVs convencionais.

Estratégia se aproxima do que a GM faz no Brasil
Embora os mercados tenham características diferentes, a mudança reforça uma estratégia que já pode ser observada na operação brasileira. Após investir na importação de elétricos desenvolvidos sobre a plataforma Ultium, como Chevrolet Bolt EV, Blazer EV e Equinox EV, a GM passou a concentrar seus lançamentos em veículos produzidos na China por meio da parceria com a SAIC-GM.

É o caso do Captiva EV e de outros modelos eletrificados que deverão ampliar o portfólio nacional nos próximos meses. A estratégia reduz custos de desenvolvimento e permite oferecer veículos elétricos por preços mais competitivos em comparação aos modelos produzidos na América do Norte.
Ao mesmo tempo, os investimentos industriais anunciados pela General Motors para o Brasil seguem outra direção. A fabricante confirmou a introdução de sistemas híbridos leves nos futuros Chevrolet Onix, Onix Plus e Tracker produzidos em São Caetano do Sul e São José dos Campos, mantendo motores a combustão flex associados a um sistema elétrico de 48 volts.
Diferentemente de concorrentes como Toyota, BYD e GWM, a GM não prevê fabricar veículos totalmente elétricos ou híbridos plenos no Brasil neste momento. A estratégia é utilizar a eletrificação leve para reduzir consumo e emissões, enquanto os elétricos continuarão chegando ao país principalmente por meio de importações.
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