Tesla vende mais carros e mesmo assim lucro despenca 17%, aponta balanço
Balanço do trimestre mostra 480.000 unidades vendidas e pressões por lucratividade em meio à guerra com chineses
A Tesla atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Embora tenha apresentado crescimento de receita no segundo trimestre de 2026, o balanço divulgado nesta semana mostrou um forte recuo na rentabilidade da companhia, provocando uma das maiores quedas das ações da empresa após um resultado trimestral. O mercado reagiu negativamente ao avanço dos investimentos em inteligência artificial, robotáxis e robótica, enquanto o negócio principal — a venda de automóveis — continua operando com margens cada vez menores.

Os números ajudam a explicar a preocupação dos investidores. A receita atingiu US$ 28,2 bilhões no trimestre, impulsionada pelo crescimento das entregas globais, mas o lucro operacional caiu 57% na comparação anual, para apenas US$ 398 milhões. A margem operacional recuou para apenas 1,4%, um dos menores níveis já registrados pela fabricante.

E curiosamente este foi um bom momento numérico para a Tesla. O lucro subiu 26% em um ano e atingiu US$ 28,2 bilhões com 480.126 veículos no segundo trimestre. Porém com a menor lucratividade já registrada na história da Tesla.

O lucro por ação também ficou muito abaixo das expectativas de Wall Street, enquanto o fluxo de caixa livre voltou ao campo negativo, indicando que a empresa gastou mais recursos do que gerou no período. As ações caíram 2% só ontem.
O que provocou a queda

Ao contrário do que ocorreu em anos anteriores, o problema da Tesla não está na falta de receita, mas na redução da lucratividade. Entre os principais fatores apontados pela própria empresa e por analistas estão:
* redução do preço médio dos veículos vendidos, resultado da estratégia de descontos para sustentar o volume de vendas;
* diminuição das receitas obtidas com créditos regulatórios de emissões, tradicional fonte de lucro para a montadora;
* aumento expressivo dos investimentos em inteligência artificial, chips, infraestrutura computacional, robotáxis e no robô humanoide Optimus;
* maiores despesas com pesquisa e desenvolvimento;
* pressão de custos industriais e garantia dos veículos.

Mesmo com aproximadamente 480 mil veículos entregues no trimestre, a melhora do volume não foi suficiente para compensar a queda das margens.
Investimentos cada vez mais altos e concorrência feroz
Outro ponto que assustou o mercado foi a previsão de investimentos recordes.

A Tesla informou que pretende gastar mais de US$ 25 bilhões em investimentos de capital apenas em 2026, concentrando recursos na expansão da infraestrutura de inteligência artificial, desenvolvimento de chips próprios, ampliação da frota de robotáxis e evolução do robô humanoide Optimus. Alguns analistas estimam que esse valor poderá superar US$ 30 bilhões em 2027.

Durante a apresentação dos resultados, Elon Musk voltou a defender que a empresa está deixando de ser apenas uma fabricante de automóveis para se transformar em uma companhia de inteligência artificial e robótica.

O problema é que essas novas áreas ainda geram pouca receita prática, enquanto exigem enormes volumes de investimento.
Mercado queria respostas
A conferência com investidores também não ajudou a reduzir as incertezas. Musk evitou estabelecer prazos concretos para a produção em larga escala do robô Optimus e para a expansão comercial dos robotáxis. Embora a Tesla afirme que seus veículos autônomos já percorreram mais de 380 mil milhas sem supervisão em operações limitadas nos Estados Unidos, investidores cobraram metas financeiras e cronogramas mais claros.

Sem essas respostas, diversas instituições financeiras reduziram seus preços-alvo para as ações da empresa, ainda que a maioria mantenha recomendação positiva no longo prazo.

Concorrência também pesa
A Tesla também enfrenta um cenário muito mais competitivo do que há poucos anos.
Fabricantes chinesas como a BYD seguem ampliando participação global com veículos elétricos mais baratos e margens competitivas. Ao mesmo tempo, montadoras tradicionais aceleram seus investimentos em eletrificação, reduzindo a vantagem tecnológica que durante anos colocou a Tesla praticamente sozinha na liderança do segmento.

Queda histórica nas ações da Tesla
A reação do mercado foi imediata. No pregão seguinte à divulgação do balanço, as ações da Tesla chegaram a cair cerca de 14%, eliminando mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado em apenas um dia — uma das maiores perdas da história da companhia. O movimento refletiu o receio dos investidores de que os elevados investimentos em inteligência artificial demorem mais tempo do que o esperado para gerar retorno financeiro.

Apesar do momento difícil, a estratégia da Tesla permanece inalterada. A empresa aposta que robotáxis, inteligência artificial, chips próprios e o robô Optimus serão responsáveis pela próxima grande fase de crescimento. Até lá, porém, a companhia terá de convencer o mercado de que consegue financiar essa transformação sem comprometer a rentabilidade do negócio que ainda responde pela maior parte de sua receita: a venda de automóveis.
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