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Tesla vende mais carros e mesmo assim lucro despenca 17%, aponta balanço

Balanço do trimestre mostra 480.000 unidades vendidas e pressões por lucratividade em meio à guerra com chineses

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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A Tesla atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Embora tenha apresentado crescimento de receita no segundo trimestre de 2026, o balanço divulgado nesta semana mostrou um forte recuo na rentabilidade da companhia, provocando uma das maiores quedas das ações da empresa após um resultado trimestral. O mercado reagiu negativamente ao avanço dos investimentos em inteligência artificial, robotáxis e robótica, enquanto o negócio principal — a venda de automóveis — continua operando com margens cada vez menores.

Tesla Model Y em concessionária na Califórnia. REUTERS/Mike Blake Mike Blake/REUTERS

Os números ajudam a explicar a preocupação dos investidores. A receita atingiu US$ 28,2 bilhões no trimestre, impulsionada pelo crescimento das entregas globais, mas o lucro operacional caiu 57% na comparação anual, para apenas US$ 398 milhões. A margem operacional recuou para apenas 1,4%, um dos menores níveis já registrados pela fabricante.


Modelo da Tesla na estrada Tesla/Divulgação

E curiosamente este foi um bom momento numérico para a Tesla. O lucro subiu 26% em um ano e atingiu US$ 28,2 bilhões com 480.126 veículos no segundo trimestre. Porém com a menor lucratividade já registrada na história da Tesla.

Employees work at the Tesla Gigafactory during a government-organised media trip in Shanghai, China, April 14, 2026. REUTERS/Go Nakamura Go Nakamura/REUTERS

O lucro por ação também ficou muito abaixo das expectativas de Wall Street, enquanto o fluxo de caixa livre voltou ao campo negativo, indicando que a empresa gastou mais recursos do que gerou no período. As ações caíram 2% só ontem.


O que provocou a queda

Tesla Model Y Performance vermelho estático é carro mais vendido da Noruega Auto Mais

Ao contrário do que ocorreu em anos anteriores, o problema da Tesla não está na falta de receita, mas na redução da lucratividade. Entre os principais fatores apontados pela própria empresa e por analistas estão:


* redução do preço médio dos veículos vendidos, resultado da estratégia de descontos para sustentar o volume de vendas;


* diminuição das receitas obtidas com créditos regulatórios de emissões, tradicional fonte de lucro para a montadora;

* aumento expressivo dos investimentos em inteligência artificial, chips, infraestrutura computacional, robotáxis e no robô humanoide Optimus;

* maiores despesas com pesquisa e desenvolvimento;

* pressão de custos industriais e garantia dos veículos.

Fábrica da Tesla em São Francisco, EUA, que segue funcionando normalmente
Fábrica da Tesla em São Francisco, EUA, que segue funcionando normalmente

Mesmo com aproximadamente 480 mil veículos entregues no trimestre, a melhora do volume não foi suficiente para compensar a queda das margens.

Investimentos cada vez mais altos e concorrência feroz

Outro ponto que assustou o mercado foi a previsão de investimentos recordes.

Cabine do Tesla Model Y L Auto Mais

A Tesla informou que pretende gastar mais de US$ 25 bilhões em investimentos de capital apenas em 2026, concentrando recursos na expansão da infraestrutura de inteligência artificial, desenvolvimento de chips próprios, ampliação da frota de robotáxis e evolução do robô humanoide Optimus. Alguns analistas estimam que esse valor poderá superar US$ 30 bilhões em 2027.

Empresário Elon Musk é dono da Tesla, da SpaceX e do Twitter/X; EUA Bret Hartman/Bret Hartman / TED

Durante a apresentação dos resultados, Elon Musk voltou a defender que a empresa está deixando de ser apenas uma fabricante de automóveis para se transformar em uma companhia de inteligência artificial e robótica.

Tesla usa gamificação para tornar direção assistida mais envolvente e interativa (Imagem: Tesla/ X) Fala Ciência

O problema é que essas novas áreas ainda geram pouca receita prática, enquanto exigem enormes volumes de investimento.

Mercado queria respostas

A conferência com investidores também não ajudou a reduzir as incertezas. Musk evitou estabelecer prazos concretos para a produção em larga escala do robô Optimus e para a expansão comercial dos robotáxis. Embora a Tesla afirme que seus veículos autônomos já percorreram mais de 380 mil milhas sem supervisão em operações limitadas nos Estados Unidos, investidores cobraram metas financeiras e cronogramas mais claros.

robotaxi em Teste nos EUA redes sociais reprodução

Sem essas respostas, diversas instituições financeiras reduziram seus preços-alvo para as ações da empresa, ainda que a maioria mantenha recomendação positiva no longo prazo.

Tesla vai construir “elétrico popular” em nova fábrica no México
Tesla vai construir “elétrico popular” em nova fábrica no México Tesla/Divulgação

Concorrência também pesa

A Tesla também enfrenta um cenário muito mais competitivo do que há poucos anos.

Fabricantes chinesas como a BYD seguem ampliando participação global com veículos elétricos mais baratos e margens competitivas. Ao mesmo tempo, montadoras tradicionais aceleram seus investimentos em eletrificação, reduzindo a vantagem tecnológica que durante anos colocou a Tesla praticamente sozinha na liderança do segmento.

Fábrica da BYD na Bahia Marcos Camargo Jr. 16.07.2026

Queda histórica nas ações da Tesla

A reação do mercado foi imediata. No pregão seguinte à divulgação do balanço, as ações da Tesla chegaram a cair cerca de 14%, eliminando mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado em apenas um dia — uma das maiores perdas da história da companhia. O movimento refletiu o receio dos investidores de que os elevados investimentos em inteligência artificial demorem mais tempo do que o esperado para gerar retorno financeiro.

Robô sai do controle em fábrica da Tesla e ataca funcionário
Linha de produção da Tesla no Texas Divulgação

Apesar do momento difícil, a estratégia da Tesla permanece inalterada. A empresa aposta que robotáxis, inteligência artificial, chips próprios e o robô Optimus serão responsáveis pela próxima grande fase de crescimento. Até lá, porém, a companhia terá de convencer o mercado de que consegue financiar essa transformação sem comprometer a rentabilidade do negócio que ainda responde pela maior parte de sua receita: a venda de automóveis.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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