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Agronegócio assume dianteira na oposição e impõe derrotas a Lula

Mau humor começou com nota ácida da CNA e culminou com aprovação de pauta bomba na madrugada

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Agro mostrou força para ganhar embates no Congresso Wenderson Araújo/CNA - 23.10.2023

Nem o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, nem qualquer outro articulador do governo previu a tempestade vinda do agronegócio — setor que, desde a campanha eleitoral, manteve-se distante de Lula, até o desfecho da votação no Congresso durante a madrugada.

A Frente Parlamentar da Agropecuária mostrou sua força ao garantir 346 votos contra 93 (quase o quádruplo!) para permitir o uso de R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal, originalmente destinado a programas sociais, no financiamento de crédito para produtores endividados.


Foi além: assumiu o protagonismo que a oposição, mesmo unida, não conseguiu exercer, e aprovou mudanças na legislação ambiental que impactam diretamente a proteção da Amazônia e o enfrentamento de eventos climáticos extremos.

RESUMO DA NOTÍCIA

  • O agronegócio se destacou na oposição ao governo Lula, com forte atuação na votação de propostas no Congresso.
  • A Frente Parlamentar da Agropecuária aprovou o uso de R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal para crédito aos produtores endividados.
  • Mudanças na legislação ambiental foram implementadas, afetando a proteção da Amazônia e a reação a eventos climáticos extremos.
  • O governo enfrenta tensões internas e pressões externas devido a retaliações internacionais, especialmente após promessas de Donald Trump.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Na quarta-feira decisiva (16), último dia de votações antes do recesso parlamentar, a pauta da Câmara somava 44 itens. A tarde trouxe reveses para o Planalto: em apenas quatro horas, o ministro Alexandre de Moraes validou o aumento do IOF e o presidente Lula vetou a criação de 18 novas cadeiras na Câmara, retirando o projeto das próprias mãos.


As duas derrotas inflamaram ânimos já tensos, diante do crescimento de Lula nas pesquisas, impulsionado pela retórica da soberania nacional — discurso turbinado após a promessa de Donald Trump de taxar produtos brasileiros em 50%.

Com a oposição bolsonarista enfraquecida nas redes e no plenário, deputados ligados ao agronegócio ocuparam o espaço.


O tom havia sido dado dois dias antes, em nota da Confederação Nacional da Agricultura, que acusou o governo de comprometer a inserção internacional do Brasil ao adotar pautas de “radicalismo ideológico” e alinhar-se a alianças contrárias aos interesses comerciais do país.

Ninguém percebeu a crise

A crise se desenhava no horizonte, mas ninguém percebeu. Nem mesmo o vice-presidente Geraldo Alckmin, que passou três dias ouvindo, de diferentes setores do PIB, o temor de retaliações aos termos anunciados por Lula em resposta à medida de Trump.


Está fresco na memória do empresariado o exemplo da China, ainda quando Trump, em abril, inaugurou a estratégia de balançar os pilares da ordem financeira mundial.

O gigante asiático e concorrente número um dos americanos, com muito mais poder de fogo que o Brasil, respondeu com reciprocidade a Washington, dando início a uma inédita espiral de retaliações recíprocas. A atitude terminou por, na prática, bloquear perigosamente trocas comerciais.

Enquanto Brasília ferve em impasses internos e se prepara para o recesso parlamentar em pleno julho turbulento, o relógio de Trump segue contando. Faltam 14 dias até 1º de agosto — e os americanos ainda não responderam à carta enviada por Alckmin e Mauro Vieira em maio.

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