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Cofrinho, caixinha e porquinho: como funcionam esses produtos oferecidos pelos bancos?

Ferramenta digital dos aplicativos bancários pode servir como ‘porta de entrada’ para os investimentos, avaliam especialistas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cofrinhos bancários são ferramentas digitais nos aplicativos que ajudam a criar metas financeiras e separar dinheiro com rendimento automático.
  • Especialistas destacam que, embora úteis para criar o hábito de poupar, os cofrinhos podem ter rendimento inferior a investimentos tradicionais.
  • Os cofrinhos geralmente oferecem rendimentos próximos a 100% do CDI, superando a poupança, mas é importante considerar impostos e liquidez.
  • Produtos como Cofrinho BB, Cofrinhos Itaú, e ferramentas do Mercado Pago e Nubank oferecem diferentes opções de rendimento e liquidez para objetivos financeiros específicos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Valor não fica parado na conta corrente e passa a render
Valor não fica parado na conta corrente e passa a render Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - 10.07.2026

Os chamados “cofrinhos” oferecidos pelos bancos são uma forma de não deixar o dinheiro parado na conta corrente. Eles funcionam como uma ferramenta digital nos aplicativos para criar metas e separar uma parte do valor para elas, com rendimento automático.

As buscas pelos termos “caixinha”, “porquinho” e “cofrinho” têm aumentado. Segundo o Google, de janeiro de 2025 a julho deste ano, foi registrado um crescimento de cerca de 150%.

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Os especialistas afirmam que esse produto financeiro pode ser uma forma de estimular guardar dinheiro ou criar a reserva de emergência, mas que é preciso cautela, porque pode render menos que os investimentos tradicionais.

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Para Daniel Borges, sócio-fundador da Route Investimentos, os cofrinhos são, antes de tudo, uma ferramenta de comportamento.

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“Eles resolvem um problema real, que é o dinheiro parado na conta corrente sem rumo. Separar por objetivo, com aporte automático ou arredondamento, ajuda a criar o hábito de guardar e, diferente da conta corrente, quase sempre esse dinheiro rende alguma coisa. Como porta de entrada, funciona muito bem”, avalia o analista.

Mas o ponto de atenção, segundo ele, é entender o que está por trás do nome.

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“Cofrinho é a embalagem, não o produto. Por baixo costuma ter um CDB, um Tesouro Selic ou um fundo de renda fixa, e isso muda rentabilidade, tributação e risco”, acrescenta.

Segundo ele, a maioria entrega perto de 100% do CDI com liquidez diária, o que já supera a caderneta poupança, mas nem todos entregam isso.

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“Vale olhar quanto rende de fato e se o número é líquido ou bruto, porque a maior parte tem Imposto de Renda na tabela regressiva”, explica Borges.

Para reserva de emergência, que é aquele dinheiro para usar em um imprevisto, e para objetivo de curto prazo, é uma boa solução, porque tem liquidez no mesmo dia, baixo risco e organização. É exatamente o tipo de dinheiro que precisa ficar acessível.

“Na minha leitura, o cuidado é não confundir guardar com investir. Cofrinho é ponto de partida, não plano. Para prazos mais longos e valores maiores, deixar tudo num rendimento colado no CDI é abrir mão de retorno que uma carteira mais estruturada entregaria. Ele organiza o dinheiro. Não substitui uma estratégia.”

( Daniel Borges, sócio-fundador da Route Investimentos)

Rendimento

Albert Takahashi, planejador financeiro certificado pela Planejar, afirma que é importante entender que o rendimento é subjetivo. “Para alguns, ganhar 13,75% ao ano, percentual atual da taxa Selic, é ótimo. Para outros, pode não ser tão atrativo”, alerta o planejador.

Como no exemplo da reserva de emergência, o objetivo principal não é rentabilidade, mas sim segurança e liquidez diária, para poder resgatar um valor maior do que o aportado, caso necessite.

“Por isso, o Tesouro Selic ou CDBs de emissores com alta nota de crédito que rendem 100% do CDI com liquidez seriam alguns dos caminhos.”

(Albert Takahashi)

Já, se for uma caixinha para uma viagem em 2 anos, pode ter um vencimento maior e que busque mais rentabilidade, porém, 2 anos é curto prazo, então o investimento deve ser conservador, como CDBs, LCIs, LCAs ou fundos de renda fixa, estes últimos sem FGC, recomenda o planejador financeiro.

Ele destaca também que, em geral, produtos de renda fixa têm incidência regressiva de IOF nos primeiros 30 dias, ou seja, é importante tentar resgatar após 30 dias, se possível.

Além do IOF, depois há incidência de Imposto de Renda regressivo de 22,5% a 15% sobre o rendimento direto na fonte (automático no resgate).

Outro ponto é o nível de segurança: se for um CDB, tem proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) por CPF/CNPJ ou conglomerado financeiro de até R$ 250 mil; já se for um fundo de investimentos, é importante salientar que não há a proteção do FGC.

“Guardar dinheiro é necessário, organizar objetivos é saudável e criar o hábito de poupar é excelente, mas nenhuma dessas coisas transforma automaticamente alguém em investidor. O mercado colocou inteligência no aplicativo, mas terceirizou a inteligência financeira do cliente”, alerta Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

Segundo ela, o sedutor “100% do CDI” ajuda a explicar o problema.

“Com R$ 10 mil aplicados e uma rentabilidade mensal bruta próxima de 1,09%, estamos falando de aproximadamente R$ 109 de rendimento bruto em 30 dias; descontados 22,5% de Imposto de Renda sobre esse rendimento, restam perto de R$ 84,50 líquidos. O percentual que seduz está na vitrine; o dinheiro que enriquece está no líquido. Rentabilidade bruta é manchete, rentabilidade líquida é patrimônio”, avalia.

Se o dinheiro sair antes de 30 dias, além do Imposto de Renda, existe IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) regressivo sobre o rendimento, cuja alíquota começa em 96% no primeiro dia e vai diminuindo até zerar no 30º.

“Isso não significa perder o principal aplicado, mas significa que, num resgate muito precoce, boa parte do rendimento pode desaparecer antes de chegar ao bolso. O aplicativo chama de liquidez imediata; o imposto lembra que imediatismo também tem preço.”

(Olívia Flôres de Brás)

Mário Machado, assessor de investimento da InvestSmart, afirma que, para quem está começando, a caixinha é provavelmente o melhor primeiro passo disponível. “Só que ela é um primeiro passo, não um lugar para ficar”, explica.

Uma vantagem, segundo ele, é que a caixinha ganha da poupança.

“A poupança equivale hoje a uma aplicação de 78% do CDI para quem sacaria em menos de seis meses. Qualquer caixinha honesta paga 100%. É uma diferença que vale a mudança, e ela existe mesmo depois de todos os descontos”, avalia.

Como funcionam

  • Separação de saldo: a aplicação é feita pelo aplicativo do banco. O dinheiro sai do saldo livre para não ser gasto por engano no dia a dia.
  • Metas e nomes: o cliente pode dar nomes aos cofrinhos, como “viagem” ou “reserva de emergência”, e definir valores ou prazos.
  • Aportes: pode guardar dinheiro aos poucos, com valores pequenos a partir de R$ 1 em alguns aplicativos.

O rendimento do dinheiro

  • Renda Fixa: o valor guardado não fica parado. Ele é investido automaticamente em produtos seguros, como CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou fundos ligados à taxa Selic.
  • Comparação com a poupança: geralmente, os cofrinhos rendem 100% ou mais do CDI (certificado que acompanha os juros da economia), o que costuma dar um retorno maior que a caderneta de poupança tradicional.
  • Liquidez diária: na maioria dos casos, o cliente pode resgatar o dinheiro a qualquer momento se precisar usar com urgência.

Pontos positivos

Segundo Mário Machado, assessor de investimento da InvestSmart

  • O maior é comportamental: a caixinha faz a pessoa guardar e separar por objetivo, com nome, dentro de um aplicativo que ela já abre todo dia, o que resolve o obstáculo real de quem nunca conseguiu formar reserva.
  • Liquidez verdadeira: dinheiro disponível em qualquer dia útil, sem carência, é exatamente o que uma reserva de emergência precisa ser — e é o motivo pelo qual, para essa finalidade específica, a caixinha é tecnicamente mais adequada do que muita aplicação que rende mais.
  • Aporte mínimo baixo: permite começar com o que se tem, e não com o que se imagina que seria preciso ter.
  • Transparência do rendimento diário: ver o dinheiro render todo dia, ainda que centavos, ensina juro composto de um jeito que nenhuma aula ensina.
  • Ganha do ponto de partida real: da poupança ou da conta corrente — e ganha por margem que muda o resultado ao longo de anos.

Pontos negativos

Segundo Mário Machado, assessor de investimento da InvestSmart

Opacidade da estrutura: produtos e riscos diferentes e uma interface desenhada para que você não precise saber qual.

O teto desidrata a taxa anunciada: aquele 103,7% do CDI em cima de uma oferta de 115% é o retrato do problema.

Condicionalidade silenciosa: taxa que depende de movimentação mensal, de assinatura ou de campanha com prazo é taxa que muda sem que ninguém perceba. Não há alerta quando cai.

Custo tributário de quem entra e sai: liquidez diária convida ao vaivém, e o vaivém é caro: IOF nos primeiros 30 dias e 22,5% de imposto no primeiro semestre. O produto é melhor para quem fica do que para quem circula, o que é o oposto do que a facilidade de resgate sugere.

Fragmentação: perseguir meio ponto de CDI em cinco aplicativos gera cinco extratos, cinco informes de rendimento, cinco tetos e nenhuma visão do conjunto.

O ganho é de décimos: o custo é de atenção, de controle e de imposto. E dinheiro espalhado em muitos lugares tende a ser dinheiro que ninguém revisa.

O que os bancos oferecem

Cofrinho do BB

O Banco do Brasil oferece o Cofrinho BB, ferramenta digital que permite a criação de objetivos personalizáveis, com definição de metas, acompanhamento da evolução e programação de aportes recorrentes diretamente no App BB.

O destaque é possibilitar a formação de reservas para a realização de objetivos e sonhos. Os recursos aportados são investidos em um fundo de investimento, permitindo que o cliente acompanhe a evolução de cada meta enquanto constrói reservas para diferentes objetivos. Os aportes podem ser realizados a partir de R$ 0,01.

Cofrinhos Itaú

O produto Cofrinhos Itaú é um CDB DI de emissão do próprio Itaú, com rendimento todo dia útil. Os clientes podem fazer aportes a partir de R$ 1 para reserva ou para a criação de objetivos específicos e personalizados.

Os valores aplicados nos Cofrinhos são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e o percentual de rendimento é de 100% do CDI, em todos os dias úteis, para todos os clientes e todos os tipos de Cofrinhos, com resgate que cai imediatamente na conta do cliente.

Mercado Pago

O Cofrinho do Mercado Pago é uma ferramenta de organização financeira que permite separar dinheiro, dentro da própria conta, para objetivos específicos, sem misturá-lo ao saldo usado no dia a dia, e tem rendimento de 120% do CDI.

O Mercado Pago lançou também o Cofrinho do Mercado Livre, que oferece rendimento equivalente a 140% do CDI para o dinheiro destinado exclusivamente a compras no marketplace. A proposta é permitir que o consumidor separe recursos para uma compra futura e, enquanto não utiliza o dinheiro, faça esse valor render.

Nubank

As caixinhas têm liquidez imediata e os valores rendem 100% do CDI. Os clientes também podem desbloquear a Caixinha Turbo, com rendimento de até 120% do CDI — sendo 115% do CDI para clientes Roxinho que depositarem pelo menos R$ 900 na conta do Nubank a cada ciclo de 31 dias, e até 120% do CDI para clientes NuCel, Nubank Croma e Nubank Ultravioleta.

Para quem busca um rendimento maior e pode manter os recursos investidos por um período determinado, o Nubank também oferece RDBs planejados, com prazo de vencimento entre três meses e dois anos e rendimento de até 106% do CDI. Não há valor mínimo para começar a investir.

Banco Inter

O Inter possui o Meu Porquinho por Objetivo, com rendimento de 100% do CDI, com liquidez diária, e o Meu Porquinho Dia a Dia, com rendimento de 80% do CDI, com liquidez diária. Em ambos, o investimento inicial é a partir de R$ 1, assim como o saldo mínimo também.

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