Cessar-fogo já!!
Nada escapa à guerra: escolas, prédios, casas e hospitais são destruídos
Heródoto Barbeiro|Do R7

As cenas das cidades destruídas horrorizam o mundo. A guerra não tem limites. A artilharia não escolhe os locais de ataque. Hospitais, escolas, prédios públicos e moradias são atingidos com inúmeras mortes. Populações fogem da guerra. São milhões de refugiados que não têm muitas alternativas, uma vez que os beligerantes não respeitam os corredores humanitários e muita gente morre na tentativa de chegar a algum lugar em que possa sobreviver. É uma guerra de ódio, dizem os pacifistas. Os jornais estão engajados em incentivar o nacionalismo radical que beira uma campanha de jogar um país contra o outro e, por isso, são rotulados de imprensa marrom, ou seja, não têm isenção nem neutralidade para divulgar notícias.
A guerra também se dá nas narrativas e na censura imposta pelos governos aos veículos alternativos. Críticas aos militares e governantes podem render processos sumários sob a acusação de traição à pátria. A pior pecha é ser chamado de quinta-coluna, um eufemismo para classificar os que que agem atrás das linhas de combate para sabotar o exército nacional. As partes envolvidas no conflito se acusam mutuamente de não respeitar a Convenção de Genebra e ameaçam processar os líderes por crimes de guerra.
A Europa está em guerra. Os avanços tecnológicos fazem as armas cada vez mais eficientes, ou melhor, mortíferas ou destruidoras de cidades. Mortos e feridos se acumulam em hospitais que são bombardeados sob o pretexto de que escondem efetivos militares. Não escapam escolas, maternidades, prédios históricos e tudo o que o inimigo acredita que possa abater o moral dos combatentes. Jovens são alistados compulsoriamente e, muitas vezes, sem treinamento são mandados para o front e servem de bucha de canhão. Não sabem por que nem contra quem lutam. Apena obedecem a ordens e marcham nos batalhões de infantaria ou nas filas dos tanques e carros blindados.
Há uma ameaça consistente de que o conflito pode extravasar do continente europeu para outros lugares do mundo. Não há mais segurança nem nas rotas terrestres nem nas marítimas. Os refugiados não sabem para onde correr. Os corredores humanitários são constantemente atacados e colunas de civis são massacradas. O uso da aviação, que despeja bombas nas cidades, se torna mais um horror a ser enfrentado. Nunca se viu tanta gente morrer em tão pouco tempo. Alguns chamam a guerra de armagedom.
O imperialismo é a mola que aciona a eclosão da guerra. O império russo defende a política do pan-eslavismo, ou seja, os países de língua eslava, como o russo, são a licença para que povos dessa tradição e cultura sejam abrigados sob o mesmo Estado. Os impérios alemão, turco otomano, austro-húngaro e as democracias inglesa e francesa formam o núcleo do conflito. A ação dos submarinos alemães no Atlântico e a propaganda interna levam os Estados Unidos a entrar na guerra em 1917. A derrota do czar favorece a revolução bolchevique, que depõe a jovem e frágil república proclamada pela oposição ao regime. O poder está nas mãos de Lênin, que assina uma paz em separado com o império alemão com o objetivo de consolidar o novo regime comunista instalado.
No front ocidental graças ao apoio americano de armas e soldados os aliados derrotam o 2º Reich, que propõe um cessar-fogo unilateral. Parte dos militares alemães não se conforma com a indecisão do cáiser Guilherme 2º. Avaliam que o cessar-fogo é uma traição e que o país tem condições de continuar lutando. Nasce uma polêmica que vai ser aproveitada pelos partidos ultranacionalistas no pós-1ª Guerra Mundial, entre eles o partido nazista. O cessar-fogo põe fim ao morticínio e ao mesmo tempo espalha as sementes para um novo conflito, que estoura 21 anos depois com a invasão da Polônia.
• Heródoto Barbeiro é jornalista do R7, Record News e Nova Brasil FM















