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Com o país polarizado, o grande comício é tema de debates

Parece, mas não é: O debate, cada vez mais radicalizado, incentiva os polos antagônicos a se organizarem contra e a favor

Heródoto Barbeiro|Do R7 e Heródoto Barbeiro

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A quantidade de gente no comício é tema de um debate
A quantidade de gente no comício é tema de um debate Imagem criada por IA/Visual Electric

Ninguém sabe quem está com a razão, mas o país está polarizado. A oposição não esconde o seu perfil conservador e junta argumentos de toda ordem contra o governo. As acusações são de ligações com o esquerdismo e suas teses contra o capitalismo.

O mote da direita é a defesa da liberdade, da democracia e da propriedade privada. Esta é a que sofre os maiores ataques, sendo classificada por alguns de um verdadeiro roubo.

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Os proprietários rurais são acusados de grilarem as terras, constituírem grandes latifúndios, muitas vezes improdutivos. Só ter a posse da terra já garante fortuna e reconhecimento social. O governo defende uma reforma agrária que tem como objetivo, entre outros, desacelerar a rápida migração do campo para as cidades. Estas, como nunca na história do Brasil, cresceram rápido. Entre elas, a capital do país.

Movimentos sindicais urbanos e rurais se engajam na organização de um grande comício para pressionar o governo a avançar no que ele chama de reforma de base. Há uma forte oposição de direita no Congresso Nacional, e os líderes sindicais acham que apenas uma grande manifestação popular pode fazer com que as reformas avancem.

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Há algum tempo não se tem uma manifestação dessa natureza no Brasil. Há uma incerteza pelos organizadores se os trabalhadores vão se sensibilizar com o chamamento e comparecer em massa ao comício. Estrategicamente, ele está programado para uma grande praça, a capital, e nas proximidades da estação de transporte de massa.

Há um inconveniente: a proximidade de prédios públicos, entre eles de um ministério militar. O debate na imprensa, cada vez mais radicalizado, incentiva os polos antagônicos a se organizarem contra e a favor da manifestação.

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A quantidade de gente no comício é tema de um debate tanto na mídia quanto nos partidos políticos e sindicatos. Estes se comprometeram a juntar cem mil trabalhadores. Os partidos que apoiam o líder divulgam que 200 mil ou 300 mil pessoas estavam presentes na praça.

A cidade parou no final da tarde e a concentração tomou conta de toda a praça na frente da estação Dom Pedro II. O presidente João Goulart faz assinatura de dois decretos, que, segundo ele, com poderes estabelecidos na Constituição de 1946 ainda em vigor.

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Desapropria as refinarias privadas, acusadas de testa de ferro das “sete irmãs” do petróleo, e que ainda não estavam nas mãos da Petrobras. O outro é a desapropriação das terras consideradas subaproveitadas para fim de reforma agrária e os proprietários seriam indenizados com títulos da dívida agrária.

A organização do comício teve o apoio da esquerda e do ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. A repercussão foi grande entre os proprietários de terras, industriais, principalmente de São Paulo e das Forças Armadas, uma vez que não concordam com o direito a voto aos cabos, soldados e sargentos.

Goulart fecha o dia 13 de março 1964 com aumento de sua popularidade na capital da República. Dezoito dias depois, é derrubado por um golpe de estado civil-militar.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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