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Parece, mas não é: O líder populista que sabe o poder da mídia

Ademar de Barros foi o primeiro governante a usar o rádio para fazer o que ele chamava de 'prestação de contas à população'

Heródoto Barbeiro|Do R7

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Discurso populista
Discurso populista

O chefe do Executivo tem desejos de ter cada vez mais poder. Ele já é avaliado pelos jornalistas políticos como um líder populista. Sabe falar a linguagem das camadas mais pobres da população, principalmente dos operários concentrados em vários bairros da cidade. Ele se entende com os sindicatos e não fecha nem as portas do palácio nem o cofre público para ajudar essas instituições.

Em troca, tem o apoio dos pelegos, que organizam manifestações, enchem-nas de gente, confeccionam cartazes e picham as paredes dos muros de prédios públicos ou particulares. O governante também tem acesso às camadas mais abastadas da burguesia brasileira, é constantemente convidado para recepções na poderosa Federação das Indústrias. Sua habilidade de conviver com essas camadas da população é vista com preocupação pela oposição, uma vez que ele é eterno candidato à Presidência da República.


A guerra desregulou a economia mundial. O bloco liderado pelos magnatas americanos é desafiado pela burocracia russa. Há uma tensão geopolítica no mundo, e isso envolve também os países da Europa.

Ninguém desconhece que há fome no mundo, e as dificuldades de transporte de commodities, principalmente grãos, pode levar milhões de pessoas à morte, principalmente no continente africano.


A produção industrial também sofre com as dificuldades de circulação de mercadorias e a falta de insumos. Com menor oferta no mercado mundial, os preços sobem. Países como o Brasil, de industrialização frágil, dependem da importação de manufaturados, que pesam na balança comercial do país, frequentemente deficitária.

O líder populista está de olho nas próximas eleições para a Presidência da República. Sua popularidade é alta no estado mais populoso e economicamente mais desenvolvido, que é São Paulo. Sua base eleitoral.


Muito atento às transformações que se processam no mundo das comunicações, faz um programa de rádio semanalmente, o Palestra ao Pé do Fogo. Uma cópia descarada do Conversa ao Pé da Lareira, usado por Franklin Roosevelt durante a recuperação da crise do capitalismo, em 1929.

Ademar de Barros desembarca no aeroporto de Congonhas, em 1957
Ademar de Barros desembarca no aeroporto de Congonhas, em 1957

Ademar de Barros é o primeiro governante a usar o rádio para fazer o que ele chamava de “prestação de contas à população”. Isso é nada mais, nada menos que um disfarce para sua candidatura à Presidência da República, marcada para 1950.


No governo de São Paulo, ele se apresenta como um tocador de obras, principalmente na abertura de novas e modernas estradas e na construção de hospitais públicos. É o favorito pelas pesquisas de opinião, e o seu eleitorado o segue como um grande líder. Torcem por ele como torcem por um time de futebol: com emoção. É a vez de os paulistas voltarem para a Presidência, diz a propaganda eleitoral antecipada. É um inovador.

Dono de uma empresa aérea, é o primeiro político brasileiro a usar avião em uma campanha. É atribuída a ele a ordem de “para frente e para o alto!!!”. Tudo parece que está no seu lugar, menos a concorrência do velho ditador, agora com a pele de democrata, Getúlio Vargas.

Ademar sabe que não tem chance, alia-se a Vargas e retira a candidatura. Só não escapa de um editorial do Estadão que o chama de “rouba, mas faz“. O verdadeiro.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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