Uma virada à direita? A história mostra como foi a mudança de ciclo há 66 anos
Com o populismo de Jânio Quadros, o país deu uma guinada à direita. Mas não por muito tempo
Heródoto Barbeiro|Heródoto Barbeiro

Os partidos e grupos de esquerda se preparam para manter o poder no Brasil. O presidente em final de mandato acumula uma grande popularidade, reconhecimento eleitoral e deve passar o poder para outro político progressista.
É verdade que o atual governo da República é acusado de corrupção, de aumentar os impostos e gastar abusadamente. Nunca o poder público gastou tanto como nos últimos anos, diz a oposição.
O presidente justifica que é necessário suportar as despesas que se concentram em Brasília, onde estão as cabeças dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Além do alto comando das Forças Armadas.
Há um forte apoio por parte de alguns economistas à ideia de que é preciso gastar para gerar empregos e fazer a economia girar. A ala contrária atribui a isso o aumento da inflação e das taxas de juros nas alturas.
O veredicto está nas gôndolas dos supermercados e nos carrinhos que cada vez carregam menos produtos com o mesmo orçamento doméstico.
Há pelo menos dez anos o país é governado graças ao apoio dos partidos de esquerda no Congresso, que têm pautas polêmicas. Uma delas é a defesa do subsolo brasileiro, que detém minerais importantes para os países industrializados e que precisam ser preservados.
Aumentar a estatização das empresas mineradoras, fortalecer a Petrobras e impedir que o minério seja vendido internacionalmente pelo preço oferecido pelos países compradores.
Isso, dizem os políticos, é efeito do imperialismo capitalista, liderado por Tio Sam, que se aproveita do Brasil e de outros países latino-americanos para sugar suas receitas e enviá-las para os Estados Unidos.
O maior partido de esquerda tem candidato à presidência da República afinado com essa visão de mundo e promete inflar a proposta nacional-desenvolvimentista. Ela deu certo no passado, por que não na próxima eleição?
A direita precisa de um forte candidato para quebrar o ciclo da esquerda e conquistar a presidência da República. Um político carismático, popular, que fale uma linguagem que o povo entenda e que tenha um passado ligado a governos exitosos.
O núcleo duro da direita, liderado por Carlos Lacerda, é a UDN, União Democrática Nacional, que se curva à realpolitik.
O Partido Democrata Cristão lança o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros, à Presidência. É um homem imprevisível, mas faz sua carreira com o símbolo da vassourinha, para varrer a corrupção. Os marqueteiros criam uma musiquinha que “cola” na cabeça do eleitor.
O candidato da esquerda, liderada pelo PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, associado ao nacionalismo, é o militar Henrique Teixeira Lott. Com Jânio, o país vira à direita. Mas não por muito tempo. O vice-João Goulart é apoiado pela esquerda.
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Fonte: Justiça Eleitoral em conjunto com a UFMG. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Uf2Dxan6yFA>. Acesso em: 8 out. 2026.
* Prof. Heródoto Barbeiro, âncora do Jornal Nova Brasil e colunista do R7. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br
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