O que deve nortear as escolhas profissionais dos jovens
A essência de nossas escolhas deve ser guiada pelo saber e paixão
Joel Rennó Jr|Do R7

No fim do ano, milhares de jovens vivem a expectativa dos vestibulares em janeiro. Outros, já na faculdade, questionam-se se fizeram a escolha certa da futura profissão. Mas como saber se realmente o caminho está na direção correta de escolha?
A essência de nossas escolhas deve ser a paixão e não a questão do mercado de trabalho em si.
Sem paixão, encantamento e vigor, dificilmente uma pessoa conseguirá enfrentar, de forma ética, a pressão, as responsabilidades e a concorrência acirrada no mercado de trabalho.
Dificuldades na escolha profissional não são problemas exclusivos dos adolescentes prestes a ingressar na faculdade, e se apresentam, com muita freqüência, na vida de universitários insatisfeitos com a escolha já feita.
Além disso, o mundo do trabalho é dinâmico e está mudando rapidamente.
A sociedade contemporânea, em que uma verdade científica é alterada rapidamente e em que se publicam na internet milhares de livros por dia, requer um novo perfil de profissional: corresponsável, solidário, criativo, polivalente, em atualização e revisão pessoal constante, dinâmico, ético, empreendedor, com humildade suficiente para trabalhar em equipe e que domine as novas linguagens e tecnologias.
O preparo do jovem, para a vida e para o mercado de trabalho, vai muito além da educação acadêmica e tradicional, e inclui: autoconhecimento, informações atualizadas sobre as profissões, mercado de trabalho, a realidade sociopolítica, econômica e cultural que dá contorno a essa decisão.
Um bom profissional não depende só da faculdade que cursa, mas, sim, da própria pessoa, do que ele “corre atrás”, do domínio que ele possui e que consegue aplicar, em conjunto com as diferentes técnicas e metodologias.
Embora a decisão seja sempre pessoal e intransferível, isso não significa deixar de ouvir as pessoas que admiramos e respeitamos.
A melhor escolha é aquela que consegue levar em consideração todos os aspectos envolvidos.
Levar em consideração não significa fazer uma média, mas refletir sobre todos os aspectos, para que a própria pessoa possa definir e realizar suas escolhas de maneira bem informada.
Estamos em um novo tempo, em que o referencial é o conhecimento que deve ser algo produtivo, que agrega valor aos produtos e serviços das organizações produtivas. O trabalhador desse novo tempo é inovador, criativo, multiespecialista, sabe fazer uso da informação, compartilha com a sua equipe os louros da vitória e discute o motivo das derrotas; e, acima de tudo, sabe que, no mundo globalizado, o seu bem de capital é o intelecto. Globalizar sem conscientização é como não saber onde se está nem para onde se quer ir.
Finalizando, devemos relembrar Paulo Freire (1992) quando, referindo-se ao saber e à conscientização, assinala:
"O saber começa com a consciência do saber pouco (enquanto alguém atua). É sabendo que sabe pouco que uma pessoa se prepara para saber mais. Se tivéssemos um saber absoluto, já não poderíamos continuar sabendo, pois que este seria um saber que não estaria sendo. Quem tudo soubesse já não poderia saber, pois não indagaria. O homem, como um ser histórico, inserido num permanente movimento de procura, faz e refaz constantemente o seu saber. E é por isto que todo novo saber se gera num saber que passou a ser velho, o qual, anteriormente, gerando-se num outro saber que também se tornará velho, se havia instalado como saber novo.”















