Pilotos dormem na cabine de comando; saiba como isso é possível
Saiba por que o órgão regulador de aviação europeu permite o descanso controlado e o americano, não
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Pilotos da Associação de Pilotos de Linha Aérea Comercial e Engenheiros de Voo na Alemanha (Vereinigung Cockpit - VC) relataram em uma pesquisa que o descanso controlado na cabine de comando é comum, com 93% dos mais de 900 participantes da pesquisa afirmando terem tirado um breve cochilo durante um voo no último ano.
Esse tipo de “soneca” é permitido pela EASA, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação. Mas essa permissão só ocorre se o descanso acontecer sob condições rigorosas de segurança.
Essa prática visa gerenciar a fadiga durante voos longos, e não substituir o planejamento adequado de escalas e o descanso da tripulação. A EASA permite que um piloto faça um período de descanso controlado enquanto o outro permanece nos controles, uma prática respaldada por pesquisas que remontam a um estudo da Nasa envolvendo tripulações do Boeing 747 em voos intercontinentais.
O sindicato alemão manifestou preocupação, no entanto, quando breves cochilos se tornam uma forma de compensar a fadiga estrutural ou recorrente.
Essa distinção é importante. O descanso controlado tem como objetivo ser uma medida de gerenciamento da fadiga durante o voo. Ele não substitui o sono adequado, os requisitos legais de descanso da tripulação ou um planejamento eficaz das horas de voo, informou o AeroTelegraph.
Regras da EASA
As normas europeias que regem o descanso controlado estão definidas em norma regulatória que abrange os procedimentos do operador para o descanso da tripulação durante o voo.
De acordo com o texto, um piloto pode descansar por um período de até 45 minutos. O sono propriamente dito geralmente não deve exceder cerca de 30 minutos, seguido por um período de recuperação de aproximadamente 20 minutos.
Apenas um piloto pode descansar por vez. O outro piloto deve permanecer acordado e manter a responsabilidade nos controles. Os comissários também monitoram o piloto em descanso como parte do procedimento.
As regras visam reduzir os efeitos da fadiga, mantendo ao mesmo tempo um nível contínuo de supervisão na cabine de comando.

FAA (EUA) não permite cochilos em voo
Os Estados Unidos continuam sendo uma grande exceção à abordagem internacional. A Administração Federal de Aviação (FAA) analisou o descanso controlado na cabine de comando em relação aos regulamentos de voo e tempo de serviço, mas não aprovou cochilos planejados para tripulações de voo de companhias aéreas.
Consequentemente, os cochilos planejados na cabine do piloto continuam proibidos para companhias aéreas de passageiros e de carga dos EUA.
Existem exceções em certas operações militares dos EUA. A Força Aérea dos EUA e a Guarda Costeira dos EUA podem usar práticas de descanso controlado dentro de seus próprios marcos operacionais.
O contraste é notável porque a pesquisa subjacente da Nasa foi conduzida no país. Enquanto outras agências reguladoras incorporaram as descobertas em práticas de gerenciamento da fadiga, a FAA manteve sua proibição de descanso planejado na cabine de comando para operações de companhias aéreas comerciais nos EUA.
A pesquisa com pilotos alemães destaca a frequência com que o repouso controlado é utilizado na prática, enquanto a pesquisa da Nasa fornece uma base científica para seu uso em condições controladas.
As evidências não sugerem que cochilos na cabine de comando eliminem a fadiga. Em vez disso, períodos curtos de descanso planejado podem ajudar a reduzir a queda do estado de alerta durante operações de longa duração.
Para as companhias aéreas e os órgãos reguladores, a questão fundamental continua sendo como esses procedimentos são implementados. O descanso controlado funciona dentro de uma estrutura mais ampla de gerenciamento de riscos de fadiga e requer limites claros, coordenação da tripulação e controle contínuo da aeronave por um piloto acordado.
No Brasil
O regulamento brasileiro (RBAC 117) não trata sobre o descanso controlado, mesmo com previsão da ICAO através do DOC 9966.
“Eu posso afirmar que é impossível não ter cochilos incontroláveis durante certas programações, principalmente aquelas em que já existe débito de sono, somando os horários críticos, como os das madrugadas e após o almoço”, afirma Paulo Licati, comandante de Boeing 737 e um dos nomes mais respeitados sobre os estudos de fadiga na aviação brasileira.
Licati lembra que os cochilos, onde autorizados pela legislação, os descansos controlados são feitos em altitude de cruzeiro, fase em que o voo é mais tranquilo e em que os pilotos geralmente apenas monitoram os dados de navegação. Para o comandante, o Brasil deveria adotar esta prática, desde que houvesse uma preparação prévia para garantir a segurança.
“Seria melhor se os pilotos tivessem treinamento para fazer uso desta prática de mitigação de risco de forma correta”, afirma.

ICAO
O item “Doc 9966″ da ICAO, a Organização Internacional da Aviação Civil, explica como cumprir as normas do anexo e estabelece que o ‘Descanso Controlado no Posto de Pilotagem’ é um recurso de segurança essencial para combater a fadiga imprevista do piloto em voo, exigindo regras estritas para evitar riscos à segurança da operação.
Principais temas e diretrizes identificados
Mitigação de Fadiga Inesperada: O descanso controlado é estritamente uma tática de contingência em resposta à fadiga não planejada. Ele nunca deve ser usado pelas companhias aéreas para planejar escalas mais longas ou reduzir tempos regulamentares de repouso pré-voo.
Duração Limitada (Soneca de 40-45 minutos): Para evitar que o piloto entre em sono profundo, o período máximo de oportunidade de descanso é limitado a no máximo 40 a 45 minutos (sendo a soneca real de cerca de 20 a 30 minutos). Isso impede o surgimento da severa inércia do sono (desorientação e letargia ao despertar).
Recuperação de 20 minutos: Após acordar, o piloto deve passar por um período obrigatório de pelo menos 20 minutos sem tocar nos comandos ou exercer funções de segurança, garantindo que qualquer efeito de inércia do sono seja plenamente dissipado antes de ele retornar à operação ativa.
Protocolo de Segurança e Monitoramento: O descanso controlado só é permitido na fase de voo de cruzeiro (trabalho reduzido) com os pilotos automáticos engajados. O outro piloto deve permanecer 100% alerta na cabine e os comissários de bordo devem ser notificados para fazer contatos regulares a cada 15-20 minutos, garantindo que o piloto monitorando não adormeça.
Pesquisa da Nasa
A base científica para o repouso controlado na cabine de comando remonta a pesquisas realizadas pela Nasa no início da década de 1990.
Uma equipe liderada por Mark Rosekind estudou 21 tripulações de longa distância que operavam aeronaves Boeing 747 em voos transoceânicos regulares. Ao contrário das pesquisas baseadas em simuladores, o estudo observou as tripulações durante operações reais de companhias aéreas.
As tripulações foram divididas em dois grupos. Doze pilotos tiveram a oportunidade de fazer uma pausa planejada de cerca de 40 minutos durante a fase de cruzeiro. Os nove pilotos restantes não receberam a mesma oportunidade.
A Nasa publicou as conclusões do estudo em setembro de 1994 como uma nota técnica do Centro de Pesquisa Ames.
Dados frequentemente associados à pesquisa indicam que um cochilo controlado melhorou o desempenho em 34% e o estado de alerta em 54%. Esses dados provêm de um resumo condensado publicado por Rosekind e colegas no Journal of Sleep Research em 1995, e não diretamente da nota técnica original da Nasa.
Cochilos curtos reduzem fadiga
Os pesquisadores avaliaram o estado de alerta e o tempo de reação dos pilotos por meio de testes de desempenho e medições da atividade elétrica cerebral. As avaliações também examinaram o desempenho durante fases críticas, incluindo a descida e o pouso, informa reportagem do Aviation A2Z.
Os pilotos que receberam um período de descanso planejado demonstraram melhor concentração e tempos de reação do que aqueles do grupo de controle.
Noventa e três por cento dos pilotos do grupo de descanso aproveitaram a oportunidade para dormir. Eles adormeceram em média após 5,6 minutos e dormiram por aproximadamente 25,8 minutos em média.
Os pesquisadores não concluíram que um breve cochilo fez com que os pilotos tivessem um desempenho melhor do que em seu estado normal de repouso. Em vez disso, o cochilo ajudou a limitar o declínio no estado de alerta e na eficiência associado à fadiga.
Essa distinção continua sendo fundamental para o conceito de repouso controlado na cabine de comando. O objetivo é ajudar os pilotos a manter o desempenho, em vez de criar uma vantagem além do estado de alerta normal.
Repouso controlado é permitido em vários países
A pesquisa acabou influenciando as autoridades de aviação em diversos países.
Além da EASA, o descanso controlado na cabine de comando é permitido sob condições definidas em países como Canadá, Austrália, China, Índia, Nova Zelândia, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
Embora os requisitos específicos variem entre as jurisdições, o princípio comum é que apenas um piloto descanse de cada vez, enquanto o outro permanece responsável pela operação da aeronave.
A prática, portanto, depende de procedimentos rigorosos, em vez de permitir que os pilotos durmam livremente durante o voo.
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