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Luiz Fara Monteiro

Trump revela que impôs tarifa pesada ao Canadá após amigo não conseguir comprar jato de luxo

História improvisada contada no Salão Oval da Casa Branca surge em meio à recente e acirrada guerra comercial entre Trump e seu vizinho do norte

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Trump ameaçou impor tarifas de 50% sobre aeronaves canadenses devido à dificuldade de um amigo em comprar um jato Gulfstream nos EUA.
  • O presidente alegou que o Canadá não certificava a Gulfstream porque fabricava um concorrente, o Bombardier Global Express.
  • Após ameaças de tarifas, o Canadá certificou os jatos Gulfstream em fevereiro, mas a tarifa nunca foi imposta.
  • Os comentários de Trump ocorrem em meio a uma renovada guerra comercial com o Canadá, com alegações de déficits comerciais desfavoráveis aos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Jatos executivos: motivo de briga entre Trump e o Canadá Reprodução/Reuters - Gulfstream

O presidente Donald Trump afirmou na quarta-feira que sua ameaça de impor tarifas de 50% sobre todas as aeronaves que o Canadá vende para os Estados Unidos começou como uma retaliação por um amigo rico não conseguir comprar um jato particular americano não certificado pelo país vizinho.

Em um evento realizado no Salão Oval da Casa Branca, Trump contou essa história espontaneamente, em resposta a uma pergunta sobre uma eventual retomada de negociações com Ottawa, sede do governo canadense.


“Há cerca de uma semana, houve um caso em que um amigo meu estava comprando um jato Gulfstream e disse: ‘Sabe, é uma loucura. O Canadá não consegue certificar a Gulfstream’”, disse o presidente.

“O Gulfstream é o melhor jato particular, considerado o melhor dos melhores, e eles não o certificam no Canadá porque fabricam um concorrente, o Bombardier Global Express, e esse concorrente não queria concorrência”, disse Trump.


O amigo, segundo Trump, o colocou em contato direto com o fabricante americano. “Ele é muito amigo da Gulfstream. Ele disse ao chefe da Gulfstream para me ligar e conversamos.”

O que o chefe da [fabricante americana] Gulfstream [Aerospace Corporation] lhe disse, segundo Trump, foi que a empresa havia gasto “US$ 60 milhões tentando obter a certificação no Canadá” ao longo de aproximadamente nove anos, sem sucesso.


“Então eu disse imediatamente: ‘Vou impor uma tarifa pesada sobre a Bombardier e outros produtos até que sejam certificados’”, disse Trump. “Eles foram certificados em duas horas.”

Ele então descreveu uma ligação do primeiro-ministro canadense Mark Carney: “Recebi uma ligação do primeiro-ministro. ‘Presidente, qual é o problema?’ Eu disse: ‘Bem, o senhor tem um pequeno problema. Durante nove anos, o senhor não certificou a Gulfstream.’” Ele disse que informou a Carney que os Estados Unidos iriam tarifar “vários produtos, incluindo os da Bombardier” e que “em 30 minutos, ou talvez menos, tudo foi certificado.


“Ele me disse que gastaram milhões e milhões de dólares em honorários advocatícios ao longo de cerca de nove anos tentando fazer isso”, disse Trump. “Eu fiz isso em questão de instantes.”

O presidente parecia estar relembrando uma série de eventos do início deste ano, começando com uma ameaça em uma postagem no Truth Social de 29 de janeiro, na qual ele reclamava que o Canadá estava “efetivamente proibindo a venda de produtos Gulfstream no Canadá por meio desse mesmo processo de certificação” e que, se a situação não fosse “corrigida imediatamente”, ele cobraria “uma tarifa de 50% sobre todas as aeronaves vendidas para os Estados Unidos da América”, relembra reportagem do Independent.

Ele também afirmou que os Estados Unidos estavam retirando a certificação do Bombardier Global Express, uma ação que cabe à Administração Federal de Aviação (FAA) e não ao presidente.

O Ministério dos Transportes do Canadá certificou os aviões Gulfstream G500 e G600 em 16 de fevereiro e os G700 e G800 em 23 de fevereiro — 26 dias após a postagem, e não duas horas. A tarifa nunca foi imposta, diz o jornal.

Os comentários de Trump surgem uma semana após o início de uma renovada guerra comercial com o vizinho do norte dos Estados Unidos, que não dá sinais de arrefecimento.

Questionado sobre o andamento das negociações comerciais com Ottawa, o presidente iniciou um discurso inflamado sobre supostas desvantagens econômicas contra o Canadá, alegando que os EUA perdem “entre 60 e 100 bilhões de dólares” por ano em déficits comerciais transfronteiriços.

Trump e representantes do governo americano também fazem há tempos acusações sobre deslealdade brasileira no comércio com os Estados Unidos, o que é negado pelo Itamaraty.

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