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Abelhas podem aumentar produtividade da soja e ganham espaço no campo

Estudos indicam que a presença de polinizadores pode elevar a produtividade da lavoura em até 20%, fortalecendo a integração entre agricultura, tecnologia e sustentabilidade no agronegócio

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Integração entre apicultura e agricultura avança no Brasil Foto cedida: EMBRAPA

A convivência entre produção agrícola em larga escala e preservação de polinizadores, como as abelhas, vem ganhando cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro.

Estudos recentes indicam que esses insetos, além de essenciais para o equilíbrio ambiental, podem também influenciar diretamente a produtividade de culturas como a soja, reforçando a importância da integração entre agricultura e biodiversidade.


O Mundo Agro conversou com Mauricio do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF Soluções para Agricultura.

Mundo Agro: A convivência entre produção agrícola em larga escala e preservação de polinizadores ainda é vista como desafio. O que mudou nos últimos anos para tornar essa integração mais viável no campo?


Mauricio do Carmo Fernandes: A percepção de que produção agrícola e a conservação de polinizadores são atividades incompatíveis vem sendo gradualmente mudada principalmente por conta dos avanços técnicos, regulatórios e conceituais. Hoje, essa integração é reconhecida não apenas como viável, mas como uma oportunidade para a produtividade agrícola. O setor evoluiu de uma abordagem focada exclusivamente na proteção da lavoura para um modelo mais integrado de gestão do agroecossistema, no qual produtividade e biodiversidade caminham juntas. Nesse contexto, os projetos da BASF voltados à convivência harmônica entre agricultura e apicultura demonstram, na prática, que a adoção de boas práticas agrícolas e apícolas pode gerar ganhos tanto para a produtividade das lavouras quanto para a atividade apícola, criando benefícios compartilhados para toda a cadeia produtiva.

Mundo Agro: Estudos apontam aumento de produtividade da soja com a presença de abelhas. O produtor rural brasileiro já enxerga os polinizadores como aliados econômicos da lavoura?


Mauricio do Carmo Fernandes: Os resultados observados nos últimos anos têm contribuído para uma mudança importante na percepção dos produtores sobre o papel dos polinizadores na agricultura. Estudos conduzidos pela BASF em parceria com a Embrapa mostram de forma consistente que a presença de abelhas pode aumentar a produtividade da soja entre 10% e 20%, com médias próximas de 13%, contribuindo para melhorias no número de grãos por vagem e no peso. Esse impacto direto na produtividade por hectare e tem ajudado a transformar a percepção dos produtores, que passam a reconhecer os polinizadores não apenas como elementos importantes para o meio ambiente, mas também como parceiros estratégicos da produção agrícola. Na prática, já existem exemplos dessa integração no campo, como produtores que solicitam a instalação de apiários próximos às áreas de cultivo e participam de programas de integração com apicultores baseados em boas práticas agrícolas e apícolas. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios relacionados ao manejo de defensivos e à necessidade de ampliar a segurança técnica para proteção das abelhas. A ciência já oferece evidências robustas, e o setor já vive uma fase de transição, mas a adoção em larga escala depende de suporte técnico, capacitação e experiências bem-sucedidas no campo.

Mundo Agro: Como iniciativas de integração entre apicultura e sojicultura podem ajudar o agro brasileiro a avançar em sustentabilidade sem comprometer competitividade e rentabilidade?


Mauricio do Carmo Fernandes: Essas ações atuam simultaneamente no aumento da produtividade, na eficiência do sistema produtivo e na diversificação de renda do produtor. A presença de abelhas nas lavouras, por exemplo, contribui para a polinização e pode elevar a produtividade da soja entre 10% e 20%, permitindo produzir mais na mesma área e favorecendo um modelo de produção mais eficiente e sustentável. Ao mesmo tempo, protocolos de boas práticas agrícolas e apícolas, incluindo manejo integrado de pragas e ajustes nas aplicações, demonstram que é possível manter a eficiência do controle fitossanitário e, ao mesmo tempo, reduzir riscos aos polinizadores. Outro aspecto relevante é a oportunidade de geração de renda adicional por meio da apicultura. A produção de mel durante a florada da soja cria uma alternativa econômica complementar sem demandar grandes investimentos ou expansão de área, contribuindo para diversificar as fontes de receita do produtor e aumentar a resiliência da atividade agrícola. Do ponto de vista ambiental, a conservação dos polinizadores contribui para a manutenção da produtividade agrícola no longo prazo e reforça o compromisso do agro com práticas mais sustentáveis. Além disso, sistemas integrados agregam valor à produção e se alinham às demandas de mercado relacionadas à sustentabilidade e aos critérios ESG, consolidando-se como uma estratégia capaz de unir produtividade, sustentabilidade e geração de valor para o agro brasileiro.

Mundo Agro: Em um cenário de mudanças climáticas e perda de biodiversidade, qual será o papel da inovação e da tecnologia agrícola na proteção dos polinizadores?

Mauricio do Carmo Fernandes: Eles terão papel fundamental na proteção dos polinizadores, permitindo uma gestão cada vez mais precisa, preventiva e integrada dos sistemas produtivos. Tecnologias como sensores, inteligência artificial e ferramentas de monitoramento já possibilitam acompanhar em tempo real a saúde das colmeias, identificando precocemente fatores como doenças, estresse ambiental e alterações no comportamento das abelhas. Ao mesmo tempo, a agricultura de precisão contribui para otimizar o uso de insumos, com aplicações mais localizadas e eficientes, reduzindo a exposição de organismos não alvo sem comprometer o desempenho agronômico. A tecnologia também auxilia na identificação e mitigação de possíveis impactos sobre os polinizadores, permitindo ajustes mais seguros no manejo agrícola com base em dados e monitoramento contínuo. Além disso, plataformas digitais e sistemas integrados de monitoramento fortalecem a gestão da biodiversidade ao consolidar informações sobre a saúde das colmeias e fatores de risco no campo. Nesse contexto, a inovação deixa de atuar apenas como ferramenta de produtividade e passa a desempenhar um papel estratégico na integração entre produção agrícola, conservação ambiental e adaptação climática, contribuindo para um agro mais sustentável e resiliente.

Mundo Agro: O consumidor está cada vez mais atento à origem sustentável dos alimentos. Projetos ligados à preservação de abelhas podem se tornar diferencial competitivo para o agro brasileiro no mercado internacional?

Mauricio do Carmo Fernandes: Sim, especialmente diante de um consumidor cada vez mais atento à sustentabilidade, à origem dos alimentos e à transparência das cadeias produtivas. Hoje, cresce globalmente a demanda por produtos com rastreabilidade e produzidos a partir de práticas responsáveis, o que amplia a pressão sobre toda a cadeia agroalimentar para demonstrar compromisso ambiental. Esse movimento também é impulsionado por exigências regulatórias mais rígidas, principalmente em mercados como o europeu, onde sustentabilidade e origem já são fatores decisivos para acesso comercial. Iniciativas voltadas à proteção de polinizadores, por exemplo, agregam valor à produção agrícola por estarem diretamente relacionadas à conservação da biodiversidade e à sustentabilidade no campo. Além disso, grandes redes varejistas internacionais já começam a exigir e incentivar práticas agrícolas que contribuam para a preservação dos polinizadores, reforçando essa agenda como uma tendência relevante de mercado. No Brasil, iniciativas dessa natureza também ajudam a fortalecer a reputação do agro brasileiro perante mercados globais, ao demonstrar compromisso com inovação, sustentabilidade e produção responsável. E projetos conduzidos pela BASF deixam de ser apenas iniciativas ambientais e passam a atuar como ativos estratégicos para geração de valor, diferenciação competitiva e ampliação do acesso a mercados internacionais.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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