Sistema de crédito rural enfrenta pressão com aumento da inadimplência
Programa de renegociação pode aliviar produtores, mas exige cautela para não perder benefícios do crédito rural

A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu 8,3% da população rural no terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. O resultado representa alta em relação ao mesmo período do ano anterior, ainda que indique desaceleração frente ao trimestre anterior, sinalizando um processo de estabilização em patamar elevado.
“A inadimplência no agro não é pontual, ela é estrutural e tende a crescer se não houver ajustes no modelo de crédito”, afirmou o advogado Filipe Denki.
O dado chama atenção pela estrutura do endividamento. A maior parte das dívidas está concentrada no sistema financeiro: 7,3% dos produtores inadimplentes têm débitos com instituições bancárias, enquanto apenas 0,3% estão ligados a credores do próprio setor agro. As dívidas médias chegam a R$ 100,5 mil no sistema financeiro e R$ 130,3 mil com credores do agro.
“O Desenrola Brasil traz alívio com descontos e prazos mais longos, mas não representa perdão de dívida. Em alguns casos, pode haver mudança de condições do crédito rural, com impacto nos juros e no custo final da operação”, afirmou Leandro Marmo, advogado do escritório João Domingos Advogados.
O levantamento mostra ainda uma diferença geracional no comportamento financeiro: produtores entre 30 e 39 anos concentram a maior taxa de inadimplência (12,7%), enquanto a faixa acima de 80 anos apresenta os menores índices.
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