Logo R7.com
RecordPlus

Quem ganha e quem perde com o preço da carne mais caro

Alta de custos no campo não chega na mesma proporção ao produtor, diz pecuarista

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A pecuária enfrenta aumento considerável nos custos de produção, afetando a lucratividade dos produtores.
  • Apesar do aumento no preço da carne, os frigorifícios e o varejo são os que mais lucram com essa alta, enquanto os produtores têm margens de lucro baixas.
  • O aumento dos insumos, como ração e combustíveis, e eventos climáticos também impactam negativamente a produção de gado.
  • Sem políticas comerciais eficazes, a expectativa é de que os preços da carne continuem subindo devido à alta nos custos e à falta de animais para abate.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O pecuarista está lucrando mais ou só cobrindo custos? Reprodução/Record News

Os custos de produção seguem em alta na pecuária e já impactam o dia a dia no campo. Para muitos produtores, a conta não fecha.

Em entrevista ao Mundo Agro, a pecuarista Adelaide Britto, da Pecuária Campo Novo, detalha os desafios.


Mundo Agro: O custo de produção aumentou em 2026? O que mais pesou: ração, combustível ou mão de obra?

Adelaide Britto: Sim, aumentou consideravelmente. Os maiores gastos foram a ração para os animais e o combustível. Além disso, o aumento do valor dos insumos exigiu um direcionamento de recurso bem superior ao planejado para o período. Com isso, o produto enviado ao consumidor final fica bem mais caro.


Mundo Agro: É possível estimar o percentual desse aumento?

Adelaide Britto: Somente nestes dois primeiros bimestres do ano, já tivemos um aumento para manter as operações da propriedade entre 25% e 30%.


Mundo Agro: Além dos insumos, o clima também prejudicou e influencia no preço?

Adelaide Britto: Felizmente, neste primeiro semestre do ano, não tivemos surpresas em relação à temperatura local. Contudo, a expectativa é que, no segundo, os efeitos do El Niño gerem uma seca com um potencial 65% maior do que no ano passado. Isso deve gerar grandes efeitos na produção do gado.


Mundo Agro: O preço que você recebe pelo boi subiu na mesma proporção que o preço no mercado?

Adelaide Britto: Na verdade, não. Geralmente, o preço final do produto corresponde a toda uma cadeia. Mas, ainda assim, o produtor conseguiu ter um aumento mínimo no valor do animal. Um dos fatores que contribuiu para esse melhor valor do boi foi a falta de produto para atender à demanda, principalmente em regiões que são abastecidas por fazendas de regiões que sofreram com eventos climáticos.

Mundo Agro: O pecuarista está lucrando mais ou só cobrindo custos?

Adelaide Britto: A margem de lucro do pecuarista sempre é baixa. Para garantir um maior ganho, é fundamental que se tenha na propriedade uma boa gestão para potencializar esses ganhos e mitigar as despesas operacionais.

Adelaide Britto, pecuarista Foto cedida: Tony Mendes

Mundo Agro: Quem está ganhando mais com esse aumento: produtor, frigorífico ou varejo?

Adelaide Britto: Os que mais ganham com essa alta da carne bovina são os frigoríficos e o varejo. Eles conseguem ter um controle muito maior do preço do produto, pois administram fatores que oferecem uma maior previsibilidade, muito diferente de quem é do campo.

Mundo Agro: Por que o preço sobe tanto no açougue comparado ao preço do boi?

Adelaide Britto: A busca direta do consumidor pelo produto no varejo dá aos empresários um maior poder de negociação para o produto por conta do formato da distribuição. Muito diferente de quem faz o manejo do gado, que, se fizer algum ajuste no preço para os frigoríficos, perde oportunidades de negócio mais facilmente.

Mundo Agro: Existe alguma forma de reduzir o impacto para o consumidor?

Adelaide Britto: Infelizmente, não. Isso por conta de todos os fatores que estão agregados à carne, como a economia internacional, encarecimento da mão de obra, repasse do frete, eventos naturais. Todo valor desses serviços é repassado para o consumidor na hora da compra. Isso mostra que existe uma necessidade enorme de ter sinergia entre as áreas para sempre ter um preço competitivo.

Mundo Agro: A tendência é o preço continuar subindo ou estabilizar?

Adelaide Britto: Não tendo políticas comerciais, o preço vai continuar subindo. Outro fator que pode manter essa alta é a ausência de animais para o abate. O processo para a reprodução está muito caro. Mesmo que algumas propriedades disponham de tecnologias, como a IATF, o valor para manter esses processos está inviabilizando a reposição do rebanho.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.