Pesca esportiva reposiciona a Ilha do Marajó no turismo de experiência
Destino amazônico transforma potencial natural em produto turístico de valor

Na Ilha do Marajó (PA), natureza, cultura e experiências de maior valor agregado impulsionam um novo momento do turismo.
No município de Soure, gastronomia, vivências locais e pesca esportiva reforçam esse cenário.
José Victor e Delano Souza, sócios do Hotel Ilha do Marajó, falaram ao Mundo Agro sobre investimentos, desafios e o papel do setor no desenvolvimento econômico da região.

Mundo Agro: O que torna a Ilha do Marajó um destino único para a pesca esportiva?
José Victor: A Ilha do Marajó reúne condições naturais raras mesmo dentro do contexto amazônico. A combinação entre águas doces e salobras, a diversidade de rios, furos e igarapés e a preservação ambiental cria um ecossistema extremamente rico em espécies, como tucunaré, pescada e robalo. Além disso, trata-se de um território ainda pouco explorado sob a ótica da pesca esportiva estruturada, o que garante uma experiência mais autêntica, com baixa pressão de pesca e maior previsibilidade de boas capturas. Essa sensação de exclusividade, aliada à imensidão da paisagem, posiciona o destino como um dos mais promissores do Brasil.
Mundo Agro: Como a cultura marajoara agrega valor à experiência turística?
José Victor: A cultura marajoara amplia a experiência para além da atividade principal. A gastronomia local, os saberes tradicionais, o contato com comunidades ribeirinhas e manifestações como o carimbó criam uma vivência mais profunda e significativa. Para o turista de alto padrão, isso representa autenticidade, um dos principais vetores de valor no turismo contemporâneo. O destino deixa de ser apenas um lugar de passagem e passa a ser uma experiência cultural completa.
Mundo Agro: Qual o impacto da reestruturação do Hotel Ilha do Marajó para o turismo de alto padrão na região?
José Victor: A reestruturação do Hotel Ilha do Marajó representa um avanço relevante no posicionamento do destino. Ao incorporar um padrão mais elevado de hospitalidade, com curadoria gastronômica, arquitetura autoral e integração com o território, o hotel contribui para reposicionar o Marajó como uma opção viável para o turismo de alto padrão. Entre os diferenciais desse novo momento está o píer exclusivo do hotel, que permite o desembarque direto da navegação para dentro da propriedade, reforçando atributos como segurança, praticidade, exclusividade e uma experiência de chegada muito mais qualificada. Esse movimento tende a atrair um público mais qualificado, aumentar o tempo de permanência e estimular o desenvolvimento de serviços mais estruturados na região.
Mundo Agro: O que um destino precisa oferecer para ser considerado estruturado para o turismo de pesca?
Delano Souza: Um destino estruturado precisa garantir mais do que abundância de peixes. É necessário oferecer logística eficiente de acesso, guias experientes, embarcações adequadas, equipamentos disponíveis, segurança e práticas sustentáveis, como o pesque e solte. A previsibilidade da experiência também é fundamental, com organização, suporte técnico e padrão de atendimento consistente ao longo de toda a jornada do visitante. Quando há infraestrutura qualificada, o destino consegue transformar potencial natural em produto turístico de valor.
Mundo Agro: Qual o papel da hotelaria especializada no sucesso do segmento?
Delano Souza: A hotelaria especializada atua como eixo central da experiência. Ela organiza a operação de pesca, garante conforto, alimentação adequada e suporte ao visitante, além de integrar os diferentes momentos da jornada. Quando bem estruturada, eleva o padrão da experiência, aumenta a satisfação do turista e contribui diretamente para a consolidação do destino no segmento. No caso do Hotel Ilha do Marajó, esse diferencial ganha ainda mais força com a presença do Chef Delano Sousa, que além de comandar a curadoria gastronômica do hotel, também é um pescador amador apaixonado pela prática e conhecedor das espécies da região. Isso fortalece a autenticidade da experiência e cria uma conexão ainda mais genuína entre pesca, gastronomia e território.
Mundo Agro: Como comunidades locais se beneficiam da atividade?
Delano Souza: A pesca esportiva gera impacto direto na economia local ao criar oportunidades de trabalho como guias, piloteiros e prestadores de serviço, além de estimular o consumo de produtos regionais. Ao mesmo tempo, fortalece a valorização cultural e incentiva a preservação ambiental, criando um ciclo sustentável de desenvolvimento que beneficia tanto a comunidade quanto o destino.
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