Entre vinhedos e memórias
A experiência na Wine South America revela como o vinho brasileiro amadureceu — técnica, terroir e emoção agora dividem a mesma taça

Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat, Marselan, Ancellotta, Chardonnay, Moscato, corte, vertical, fermentação, poda, solo, geada… Um brinde.
Durante três dias de Wine South America, vivi uma verdadeira imersão no universo dos vinhos e espumantes. Estive ao lado de especialistas, estrategistas do setor, sommeliers, produtores e empresários que ajudam a movimentar uma das cadeias mais sofisticadas do agronegócio brasileiro.
A expedição “Do Campo à Taça” ainda não terminou. Mas ter sido escolhida pela equipe da WSA para acompanhar de perto esse movimento reforça a percepção de que o vinho brasileiro atravessa um novo momento — mais maduro, mais técnico e cada vez mais conectado à origem, à identidade e à experiência.

O mercado brasileiro de vinhos encerrou 2025 com faturamento estimado em R$ 21,1 bilhões, crescimento de aproximadamente 10% em relação ao ano anterior, segundo dados da Ideal BI Consulting. E talvez o dado mais relevante não esteja apenas no volume, mas na mudança de comportamento do consumidor.
O brasileiro passou a buscar mais qualidade, rastreabilidade, terroir, experiências e rótulos de maior valor agregado. Os espumantes seguem entre os segmentos de maior crescimento, consolidando uma tendência que já ultrapassa as datas comemorativas.
Na terra que acolheu milhares de imigrantes italianos, encontrei personagens que ajudaram a construir a história do vinho brasileiro. Gente que atravessou crises climáticas, econômicas e geracionais sem abandonar os vinhedos. Pelo contrário: investiu, inovou e elevou o padrão da vitivinicultura nacional.
Entre Bento Gonçalves e Garibaldi, entendi que vinho também é memória. E talvez seja impossível passar por tudo isso sem revisitar lembranças pessoais.

No quintal da casa da minha avó paterna, em São Paulo, havia um pequeno parreiral de Niágara Rosada. Filha de portugueses, Vó Iza cuidava das videiras com um zelo quase silencioso. Os passarinhos adoravam chegar antes da colheita. E ela, mesmo reclamando, parecia gostar de dividir as uvas com eles.
No fim, talvez seja isso que o vinho faça com as pessoas: conecta tempo, origem, afeto e história — tudo na mesma taça.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou à convite da Wine South America*
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