Garibaldi reforça tradição centenária do espumante e acompanha expansão do mercado brasileiro
Cidade que produziu o primeiro espumante do país fortalece sua identidade com a criação da APEG e mantém viva uma cultura que atravessa gerações

Reconhecida como a Capital Brasileira do Espumante, Garibaldi, no Rio Grande do Sul, carrega uma relação histórica com a bebida que vai além da produção vitivinícola e se tornou parte da identidade cultural da cidade.
“As pessoas têm isso muito enraizado. No interior, muitas famílias elaboram seu próprio espumante para consumo. Isso faz parte da cultura da região”, disse Daniel Dalla Valle, enólogo do Grupo Famiglia Valduga e responsável pela Ponto Nero.
A Associação dos Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG), busca fortalecer o setor, preservar seu legado e ampliar o reconhecimento da região no mercado nacional e internacional.
“A APEG nasce em Garibaldi porque a cidade tem uma ligação muito forte com o espumante. Poucos lugares no mundo têm uma relação tão estreita com um produto como Garibaldi tem com essa bebida”, disse Ricardo Morari, presidente da entidade.
A história dessa tradição começou há mais de um século. Em 1913, a Vinícola Peterlongo elaborou o primeiro espumante brasileiro pelo método tradicional, marcando o início de uma trajetória que transformaria o município em referência nacional no setor.

Nas décadas seguintes, novos investimentos ajudaram a consolidar a cidade como polo produtor. No final dos anos 1940, a francesa Georges Aubert passou a produzir espumantes pelo método Charmat no município, trazendo tecnologia e equipamentos ainda inexistentes no país. Entre as décadas de 1960 e 1970, multinacionais ampliaram essa presença. A italiana Martini & Rossi, posteriormente Bacardi-Martini, e a francesa Maison Chandon, instalada em Garibaldi em 1973, contribuíram para o fortalecimento da produção e da identidade do espumante brasileiro.
Em 1979 foi realizado o primeiro Festival Colonial Italiano, que dois anos depois deu origem à Fenachamp, a Festa Nacional do Espumante Brasileiro, evento que permanece até hoje como uma das principais vitrines do setor. Em 2003, a realização do primeiro Concurso Brasileiro de Espumantes consolidou ainda mais a importância da cidade no cenário nacional.
Segundo Daniel Dalla Valle, enólogo do Grupo Famiglia Valduga e responsável pela Ponto Nero, o mercado brasileiro vive um momento de expansão.

“O espumante agora está alcançando praticamente 50 milhões de garrafas por ano, superando até as expectativas que o próprio setor tinha”, afirmou Valle.
Para o enólogo, a bebida possui uma relação que vai além das características técnicas ligadas ao solo, clima e terroir.
“O vinho sempre está muito ligado ao solo, ao clima, ao terroir e também às pessoas. Eu posso dizer que em Garibaldi o espumante faz parte da cidade”, destacou Valle.
Durante a degustação promovida na vinícola Peterlongo, Dalla Valle destacou as características do espumante Prosecco da Ponto Nero, elaborado com uva 100% Prosecco. A proposta da marca é desenvolver espumantes com perfil jovem, fresco e aromático, buscando ampliar a aproximação com novos consumidores.
Entre as variedades trabalhadas pela vinícola estão Chardonnay, Pinot, Riesling, Prosecco e Trebbiano. O rótulo apresentado possui notas florais, aromas de frutas brancas, acidez marcante e teor alcoólico próximo de 10%.
Classificado na categoria Secco, equivalente ao Extra Dry italiano, o produto possui entre 16 e 18 gramas de açúcar, característica que ajuda a equilibrar a acidez e reforça a proposta de um espumante leve, alegre e de fácil consumo.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Wine South America*
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