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O laboratório a céu aberto da vitivinicultura brasileira

Pesquisa e enoturismo ajudam a ampliar o potencial da vitivinicultura

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul Foto: Arquivo pessoal

A vitivinicultura brasileira atravessa uma fase de expansão que vai além dos vinhedos. Entre novas variedades, pesquisas de adaptação e investimentos em experiências, o setor parece responder a uma demanda cada vez mais clara do consumidor: a busca pelo novo.

Essa necessidade de renovação acompanha também o trabalho realizado dentro das propriedades.


O Mundo Agro visitou a vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS). Atualmente, mais de 40 variedades de uvas estão plantadas nas diferentes regiões produtoras, ocupando uma área superior a mil hectares distribuídos entre quatro terroirs distintos.

“Sempre estamos em busca de variedades novas, tanto do ponto de vista qualitativo quanto da adaptação ao terroir”, explicou Adriano Miolo, enólogo e diretor-superintendente da Miolo Wine Group.


Adriano Miolo, enólogo e Diretor Superintendente da Miolo Wine Group Foto: Arquivo pessoal

Nos últimos anos, o trabalho de pesquisa trouxe de volta variedades que estavam praticamente esquecidas. Algumas castas portuguesas apresentaram boa adaptação, enquanto outras variedades passaram a ser avaliadas em diferentes regiões produtoras.


“É uma variedade que está dando bom resultado. Ainda não temos vinho dela no mercado comercial, mas estamos plantando agora no Vale do São Francisco e os resultados têm sido bem interessantes”, afirmou.

Outro movimento que começa a ganhar força é o retorno das variedades italianas. Depois de perderem espaço com a expansão das castas francesas e internacionais, elas voltam a despertar interesse entre produtores brasileiros.


“Está começando uma nova fase para as variedades italianas. Elas tiveram seu momento aqui na Serra e praticamente foram substituídas com a introdução das variedades francesas, como Cabernet, Merlot, Chardonnay e Pinot Noir. Agora parece existir uma retomada dessa atenção”, ponderou.

Na Miolo, algumas experiências já estão em andamento. Sangiovese, Nebbiolo, Barbera e diferentes tipos de moscatos fazem parte dos testes conduzidos atualmente.

“Sangiovese e Nebbiolo estão indo muito bem agronomicamente, mas ainda estamos na fase da planta”, explicou.

Mapa dos vinhedos da Miolo pelo Brasil Foto: Arquivo pessoal

O turismo do vinho também passa por uma nova etapa. Depois dos impactos provocados pela pandemia e, posteriormente, pelas enchentes que afetaram a região e a logística aérea, o setor volta a ganhar ritmo.

“A gente fez a Cave Giuseppe, criou um novo tour e realizou a reforma do enoturismo. Ficamos mais de um ano em obras para revitalizar a experiência”, contou.

Há vinte anos, quando a estrutura turística local começou a se consolidar, existiam apenas dois roteiros principais. Hoje, já são cinco experiências disponíveis.

“A ideia é trazer mais experiências para cá, porque o enoturismo cresceu muito nos últimos anos”, concluiu.

O vinho continua sendo protagonista, mas a experiência passou a ter um papel decisivo. Para um setor que trabalha essencialmente com história, origem e identidade, a capacidade de criar novidades pode se tornar tão importante quanto a qualidade da safra.

Quer saber mais sobre a visita do Mundo Agro à vinícola, que terminou com um churrasco no Wine Garden?

*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Wine South America*

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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