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Mercado brasileiro de vinhos ganha valor e atrai produtores estrangeiros

Consumo mais frequente e busca por qualidade impulsionam o segmento

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O consumo de vinho no Brasil está crescendo em valor e volume, mesmo em uma economia desafiadora.
  • Os consumidores estão mais exigentes, buscando qualidade e diversidade, e o vinho se tornou parte do cotidiano.
  • O Brasil tem potencial para se tornar um exportador relevante, com uma diversidade única de terroirs e reconhecimento internacional crescente.
  • A Wine South America promove oportunidades de negócios, facilitando a internacionalização de pequenos e médios produtores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mercado de vinhos cresce e amplia valor no país Foto cedida: Wine South America

O consumo de vinho no Brasil continua avançando — e não apenas em volume, mas principalmente em valor. Mesmo em um cenário econômico pressionado, o setor mostra fôlego, puxado por um consumidor mais exigente e por uma oferta cada vez mais diversificada.

O Mundo Agro conversou com Marcos Milaneze, diretor da Wine South America, um dos principais hubs de negócios do setor vitivinícola na América Latina que começa na próxima semana, em Bento Gonçalves.


Marcos Milaneze, diretor da Wine South America Foto cedida: Wine South America

Mundo Agro: O que explica a resiliência e o avanço contínuo do mercado de vinhos no Brasil, mesmo diante de um cenário macroeconômico pressionado?


Marcos Milaneze: O que estamos observando no Brasil não é um movimento conjuntural, mas sim uma transformação estrutural do consumo. Nos últimos anos, especialmente a partir do período de isolamento social, o vinho deixou de ser uma bebida ocasional e passou a integrar o cotidiano do brasileiro. Houve uma ampliação clara de repertório, com o consumidor mais aberto à experimentação, mais informado e mais exigente.

Mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador, o vinho se sustenta como uma categoria aspiracional acessível — capaz de transitar por diferentes faixas de preço e ocasiões de consumo.


Além disso, o mercado vive um ciclo consistente de premiumização, impulsionado pela busca por qualidade, origem e experiência. Isso mantém o crescimento não apenas em volume, mas, principalmente, em valor — o que é um sinal muito positivo de maturidade do mercado.

Mundo Agro: Considerando a balança comercial, o Brasil tem fundamentos para se consolidar como um exportador de peso?


Marcos Milaneze: O Brasil ainda está em fase de construção da sua presença internacional como exportador de vinhos, mas os fundamentos são extremamente promissores. Poucos países no mundo têm a diversidade de terroirs que o Brasil vem consolidando — com produção em diferentes latitudes, altitudes e condições climáticas, o que permite uma oferta plural e com identidade própria.

Há também um avanço consistente em qualidade, com reconhecimento crescente em concursos e mercados internacionais. O vinho brasileiro hoje já entrega diferenciação — e isso é um ativo importante no cenário global.

Por outro lado, para ganhar escala e relevância como player exportador, ainda precisamos avançar em temas estruturais, como competitividade tributária, ganho de escala produtiva e construção de marca-país. O potencial existe — o desafio agora é transformar esse potencial em posicionamento global consistente.

Mundo Agro: O que torna o ambiente de negócios brasileiro tão atrativo para a ofensiva comercial de produtores da Itália, Portugal e Grécia?

Marcos Milaneze: O Brasil hoje é um dos mercados mais estratégicos do mundo para o vinho. Estamos falando do maior importador da América do Sul e de um dos mercados mais dinâmicos fora do eixo tradicional europeu.

Existe uma combinação muito relevante de fatores: um mercado grande, ainda em desenvolvimento, com baixa penetração per capita — o que significa alto potencial de crescimento — e um consumidor cada vez mais aberto à experimentação e à descoberta de novos rótulos.

Para países como Itália, Portugal e Grécia, que possuem tradição, diversidade e forte identidade, o Brasil representa uma oportunidade clara de expansão com construção de marca no médio e longo prazo. É um mercado em que ainda há espaço para posicionamento — e isso é extremamente valioso.

Mundo Agro: De que forma a Wine South America atua para reduzir os custos de transação e facilitar a internacionalização de pequenos e médios produtores?

Marcos Milaneze: A Wine South America cumpre um papel muito estratégico ao funcionar como uma plataforma de negócios altamente qualificada. Ao concentrar, em um único ambiente, produtores, importadores, distribuidores e grandes compradores, conseguimos reduzir significativamente os custos de acesso ao mercado e aumentar a eficiência das conexões.

Mais do que gerar encontros, estruturamos oportunidades. As rodadas de negócios, os pavilhões internacionais e as agendas dirigidas permitem que pequenos e médios produtores acessem decisores-chave de forma organizada e produtiva — algo que, individualmente, demandaria tempo e investimentos muito mais elevados.

Além disso, a localização da feira, no principal polo enoturístico do Brasil, agrega uma camada de experiência única. O comprador não apenas negocia — ele vivencia o território, conhece as vinícolas e se conecta de forma mais profunda com o produto. Isso acelera decisões e fortalece relações comerciais.

Mundo Agro: No atual estágio de maturidade do mercado, participar de grandes hubs de negócios é uma estratégia de fortalecimento de branding ou um motor de geração direta de caixa?

Marcos Milaneze: Hoje, é uma combinação clara dos dois — e isso reflete a evolução do próprio mercado.

A participação em hubs como a Wine South America é fundamental para posicionamento de marca, construção de relacionamento e consolidação de presença no mercado. Mas, ao mesmo tempo, temos observado um avanço muito significativo na capacidade de geração direta de negócios durante o evento.

O comprador está mais preparado, mais objetivo e com maior poder de decisão. Isso faz com que muitas negociações avancem de forma concreta já durante a feira. E, tão importante quanto isso, o evento funciona como ponto de partida para relações comerciais que se desenvolvem ao longo do ano.

Ou seja, além de branding, há um retorno comercial cada vez mais tangível e mensurável.

Mundo Agro: Estamos a poucos dias da feira, que marcará a estreia do Mundo Agro no evento. Diante desse cenário, o que podemos esperar desta edição em termos de tendências e volume de negócios?

Marcos Milaneze: A expectativa é de uma edição ainda mais robusta, com forte presença internacional e ampliação significativa da diversidade de origens — tanto de vinhos brasileiros quanto de rótulos importados.

Do ponto de vista de tendências, vemos a consolidação da premiumização, o crescimento da busca por vinhos mais leves, frescos e versáteis, além do avanço de categorias como low e no alcohol. Também há um interesse cada vez mais evidente por autenticidade, origem e propósito — elementos que vêm orientando as decisões de compra.

Em termos de negócios, a expectativa é de manter um volume expressivo de geração de oportunidades. Em 2025, atingimos a marca de R$ 100 milhões em negócios gerados. Para esta edição, trabalhamos para repetir — e potencialmente superar — esse patamar, consolidando a Wine South America como um dos principais hubs de negócios do vinho na América Latina.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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