Análise: TSE de Nunes Marques aposta em linguagem simples para aproximar eleitor
Campanha busca humanizar o voto e reforçar a ideia de que a democracia se concretiza pela participação popular
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A gestão do ministro Kassio Nunes Marques à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começa a imprimir uma característica clara na comunicação para as eleições de 2026: a tentativa de colocar o eleitor, e não a própria Justiça Eleitoral, no centro da narrativa democrática.
A escolha de “Coisa de Pele”, clássico de Jorge Aragão, como trilha da campanha institucional do TSE foi reveladora.
O verso “é o povo quem produz o show e assina a direção” resume a mensagem que a Corte pretende transmitir: a eleição pertence à população. O próprio TSE afirma que a campanha busca valorizar o protagonismo do eleitor, humanizar o voto e reforçar a ideia de que a democracia se concretiza pela participação popular.
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O TSE deixa um pouco de lado, ao menos na publicidade, uma linguagem excessivamente técnica e burocrática, e aposta em elementos da cultura popular brasileira.
Trabalhadores, estudantes, idosos e moradores de periferias aparecem como personagens da narrativa. A mensagem é direta: política não é um espetáculo protagonizado exclusivamente por candidatos, partidos ou autoridades. O eleitor é quem define o resultado.
O poder é do povo
O raciocínio é simples: se todo poder emana do povo, como estabelece a Constituição, a Justiça Eleitoral deve apresentar a eleição como um exercício concreto desse poder. A música de Jorge Aragão oferece ao TSE uma maneira emocional de transmitir essa ideia.
É uma mudança relevante de tom. Em vez de começar pela instituição — “o TSE garante”, “a urna é segura”, “as regras são estas” —, a campanha foca no cidadão: “você participa, você escolhe, você conduz”.
O TSE também aproveita a música para defender a urna eletrônica como uma tecnologia nacional da qual o país deve se orgulhar.
Isso revela uma segunda camada da estratégia de Nunes Marques: humanizar o pleito sem abrir mão da defesa institucional do sistema eleitoral.
A Justiça Eleitoral não quer ser percebida apenas como o órgão que fiscaliza partidos, julga processos e administra urnas. Quer ser reconhecida como uma instituição que participa da construção de uma cultura democrática.
Mas existe um desafio. O verdadeiro teste da gestão não será apenas fazer o eleitor se identificar com “Coisa de Pele”. Será manter a mesma mensagem de protagonismo, equilíbrio e transparência quando surgirem as crises, as contestações e as decisões eleitorais mais controversas.
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