Em regiões mais vulneráveis, deslocamento para ter acesso a médicos especialistas chega a 3 h
Ministério da Saúde decidiu prorrogar permanência desses profissionais nos locais de atuação, até fevereiro de 2027
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Nas regiões mais vulneráveis do país, a população precisa se deslocar por até três horas — e cerca de 300 quilômetros — para ter acesso a atendimento com médicos especialistas. O dado foi apresentado pelo Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (26), e é um dos motivos para a pasta ter prorrogado a permanência desses profissionais nos respectivos locais de atuação, até fevereiro.
Anunciada nesta manhã, a ação faz parte do programa Mais Médicos Especialistas, que atualmente conta com 2.000 profissionais de saúde — 451 dos quais chegarão às regiões mais remotas do país até o fim de agosto.
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Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço apresentou um raio-x da situação brasileira nesse campo. Hoje, por exemplo, o Mais Médicos Especialistas oferece 24 cursos de aprimoramento, com participação de 55 instituições mentoras.
Na avaliação do secretário, residências são fundamentais para o país, pois os dados mostram que a região Sudeste concentra 55,45% dos especialistas brasileiros, enquanto a Norte tem 5,9% deles. Além disso, 4.895 municípios — onde habita 31% da população — contam com apenas 8% dos médicos do Brasil.
Vazio assistencial
Duas em cada 10 das regiões mais vulneráveis do país exigem o deslocamento de 56 km a 316 km para se ter acesso a atendimento com especialista pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
No caso de videolaringoscopia e endoscopia nasofaríngea, a média é de 316 km de deslocamento; para radioterapia, 264 km; e, para cirurgia no aparelho digestivo, a média é de 242 km.
Com o Mais Médicos Especialistas, atendimentos e procedimentos chegaram a regiões que não contavam com suporte, segundo o Ministério da Saúde. Agora, a maior aposta do programa é em anestesiologia, com edital previsto para contratação de 490 profissionais.
Confira o aumento dos atendimentos nos estados, de acordo com a especialidade:
Acre:
- Cirurgia oncológica - crescimento de 75% dos atendimentos
- Mastologia - aumento de 25% dos atendimentos
Roraima:
- Ecocardiografia — aumento de 50% nos atendimentos
- Patologia — aumento de 50% nos atendimentos
- Endoscopia digestiva — aumento de 33% nos atendimentos
Alagoas
- Cirurgia oncológica — aumento de 25% nos atendimentos
Amapá:
- Coloproctologia — crescimento de 25% nos atendimentos
Em alguns municípios, segundo dados do Ministério da Saúde, o impacto foi ainda maior: em Patos de Minas (MG), a cidade deixou de efetuar 52 ultrassonografias mamárias e passou a fazer 344 por mês; em Bocaiúva (MG), a endoscopia digestiva alta aumentou de 17 para 104 mensais; em São José de Mipibu (RN), o salto de colonoscopia foi de quatro para 23.
A pasta menciona, ainda, outros municípios, como Campo Maior (PI), em que o salto foi de três procedimentos de anestesiologia para 23; já em Vilhena (RR), as cirurgias gerais aumentaram de 350 por mês para 1.004.
O recorte leva em conta dados do ano passado comparados aos dos primeiros meses deste ano, quando os médicos do programa já estavam em atuação.
Procedimentos onde eles não ocorriam
Em outros municípios, alguns procedimentos começaram a ser oferecidos. É o caso de Lagarto (SE), que não tinha ecocardiograma e agora efetua 84 por mês; ou Caicó (RN), que não contava com ultrassonografia mamária e, atualmente, faz 72 exames mensais, segundo a pasta.
O mesmo ocorre com a especialidade de anestesiologia em Caxias (MA): antes, esses atendimentos estavam zerados no município; hoje, chegam a 66 procedimentos por mensais. Esse também era o caso das colposcopias em Barbalha (CE), que não as oferecia antes e, agora, efetua 54 por mês.
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