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Pelo menos 50 links vendem materiais médicos piratas na internet, diz associação

Vendas ocorrem em plataformas online; Anvisa fez 62 operações para combater prática desde 2020

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Abimo identificou 50 links de vendas de dispositivos odontológicos piratas em plataformas online desde 2024.
  • A Anvisa realizou 62 operações para combater a venda de dispositivos médicos piratas desde 2020, com oito operações já realizadas em 2026.
  • Produtos médicos piratas podem não atender aos padrões de qualidade e segurança, colocando em risco a saúde dos pacientes.
  • O Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou operações em 2025 e 2026 para apreender e retirar dispositivos médicos irregulares do mercado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Anvisa realizou este ano oito operações contra o crime, mesma quantidade que todo o ano passado Reprodução/Anvisa - arquivo

A Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos) identificou, desde 2024, cerca de 50 links de vendas em plataformas online de dispositivos odontológicos piratas. As vendas ocorrem livremente em plataformas digitais. Segundo a associação, todos os registros são encaminhados para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e para o Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

Sobre o avanço do comércio ilegal no ambiente digital, estudo da Offertech de 2025 aponta que 31,2% das vendas online na América Latina são de produtos ilegais, com impacto potencial estimado em até US$ 61,2 bilhões por ano no caso de produtos ilegais em geral. No caso de dispositivos médicos, contudo, a preocupação é maior devido aos riscos à saúde do paciente.

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Luiz Eduardo Costa, gerente de Inteligência Regulatória da Abimo, explicou que “um produto pirateado ou comercializado irregularmente pode não ter registro na Anvisa, não passar pelos controles obrigatórios de qualidade e segurança e nem contar com assistência técnica adequada”.

“Isso é ainda mais preocupante quando falamos de dispositivos usados diretamente pela população, como aparelhos de pressão, inaladores, oxímetros, etc. Se um equipamento desses apresenta uma medição incorreta, a pessoa pode tomar uma decisão equivocada sobre a própria saúde ou demorar a procurar atendimento. Dependendo da situação, uma falha pode colocar a vida do usuário em risco”, alertou.

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O impacto também afeta o próprio setor. “A indústria regular precisa cumprir uma série de exigências sanitárias, garantir controle de qualidade, rastreabilidade e segurança dos produtos que coloca no mercado. O produto irregular entra nessa cadeia sem necessariamente oferecer essas garantias e ainda concorre de forma desleal com as empresas que investem para cumprir todas as regras”, salientou.

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400 kg de dispositivos piratas

Em uma megaoperação em 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública apreendeu 400 kg de produtos irregulares, incluindo instrumentais cirúrgicos, produtos estéreis e equipamentos médicos. Apenas a Anvisa participou de 62 operações desde 2020 mirando esses equipamentos pirateados.

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Este ano, oito operações já foram conduzidas pela Agência, o mesmo número de todo o ano passado.

Confira raio-x:

Operações feitas pela Anvisa:

  • 2026 - 8
  • 2025 - 8
  • 2024 - 13
  • 2023 - 7
  • 2022 - 11
  • 2021 - 4
  • 2020 - 11

Em nota, a Anvisa reforçou a preocupação de que “dispositivos médicos pirateados ou falsificados podem não atender aos padrões de qualidade, segurança e desempenho exigidos, comprometendo o diagnóstico e o tratamento”. “Isso pode levar consequentemente a resultados incorretos, atrasos na assistência e complicações clínicas”, explicou.

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A Anvisa ressaltou, contudo, que, no caso de clínicas, hospitais e estabelecimentos de saúde similares, a fiscalização ocorre pelas vigilâncias sanitárias municipais.

Fiscalização federal

O Ministério da Justiça e Segurança Pública detalhou que, entre 2025 e 2026, foram feitas pela pasta ações voltadas à apreensão, fiscalização e retirada de dispositivos médicos irregulares, falsificados ou introduzidos no país sem a devida regularização sanitária.

“Um dos casos mais recentes ocorreu em maio de 2025, quando equipes da Anvisa realizaram operação especial de fiscalização nos aeroportos internacionais de Guarulhos, Viracopos e Galeão para combater a entrada irregular de dispositivos médicos no Brasil. A ação, realizada em conjunto com a Receita Federal, resultou na apreensão de aproximadamente 400 quilos de produtos irregulares, incluindo instrumentais cirúrgicos, produtos estéreis e equipamentos médicos”, contou.

“Além das operações de fiscalização em fronteiras e aeroportos, a Anvisa divulga regularmente medidas de suspensão, apreensão e recolhimento de dispositivos médicos falsificados ou sem registro sanitário, voltadas à proteção da saúde pública. Em 2026, por exemplo, a agência determinou a proibição da comercialização e o recolhimento de diversos dispositivos médicos importados irregularmente e de equipamentos falsificados comercializados no país”, acrescentou.

A pasta reforçou o alerta da Anvisa e da Abimo: “a comercialização ilegal de dispositivos médicos representa um risco particularmente grave porque envolve produtos utilizados diretamente em diagnósticos, tratamentos e procedimentos de saúde. Equipamentos, instrumentais cirúrgicos, implantes e produtos estéreis falsificados, adulterados ou sem regularização podem apresentar falhas de funcionamento, ausência de controle de qualidade e problemas de esterilidade, colocando em risco a segurança dos pacientes e comprometendo a eficácia dos tratamentos”.

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