Logo R7.com
RecordPlus
R7 Planalto

Quando a astrofísica chega ao SUS: pesquisadores desenvolvem tecnologia para evitar infecções

Projeto é conduzido pelo Laboratório Nacional de Astrofísica e usa conhecimento usado na construção de telescópios

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisadores do Laboratório Nacional de Astrofísica desenvolvem tecnologia para evitar infecções no SUS.
  • O protótipo identifica bactérias em feridas emitindo luz em diferentes cores através da fluorescência.
  • Além disso, o LNA trabalha em projetos para monitorar barragens e testar a contaminação do leite.
  • A nova sede do laboratório deve ser concluída até o fim do ano, proporcionando mais infraestrutura para pesquisa.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tecnologia de observação cósmica desenvolvida por brasileiros pode ser aproveitada na saúde Marcello Casal Jr./Agência Brasil - arquivo

Ao pensar em astrofísica, a imagem comumente criada é de exoplanetas, galáxias e estrelas. Poucos imaginam que um conhecimento desenvolvido no LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica) pode fazer diferença no cotidiano da população.

Mas é isso que os pesquisadores do laboratório estão dispostos a provar. Uma pesquisa chamada “Do Céu ao SUS”, conduzida pelos especialistas do LNA, produz um protótipo que vai ser usado para evitar infecções e pode ser incorporado ao Sistema Único de Saúde brasileiro.


“Estamos usando o nosso conhecimento de ótica com o Hospital das Clínicas de Itajubá (MG) para criar um dispositivo que consegue identificar quais bactérias estão presentes em uma ferida”, explicou o diretor do LNA, Wagner Corradi, em entrevista exclusiva ao R7 Planalto.

Corradi detalhou que o dispositivo vai funcionar emitindo um feixe de luz que deve ser retransmitido, em cores diferentes, por meio da fluorescência de acordo com o tipo de bactéria. “Isso vai ajudar a melhorar a higienização das feridas. Esse é um protótipo brasileiro, produzido aqui, que pode melhorar a saúde”, explicou.


O projeto é construído em parceria com profissionais de biologia e da área da saúde, com expectativa de ter um protótipo finalizado para testes e implementação daqui a dois anos.

Veja Também

Outros projetos

Esse, contudo, não é o único projeto em andamento no laboratório que, além de olhar para as galáxias, quer contribuir com a realidade brasileira.


Um deles é o aprimoramento de sensores que monitoram barragens para identificar riscos de fissuras muito antes de danos estruturais severos, para impedir casos como o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), que matou 19 pessoas.

Uma terceira iniciativa desenvolve um teste para identificar contaminação no leite ainda nas fazendas, antes de chegar à indústria.


Importância do investimento

Hoje, o LNA espera a construção de uma nova sede. A expectativa é que o prédio principal fique pronto até o fim do ano e, no ano que vem, uma estrutura adjacente que vai servir de visitação e de divulgação científica do que é feito no laboratório.

“Financiamento para infraestrutura e bolsas [de pesquisas] é fundamental para que possamos continuar essas ações. Se você retira orçamento, você sacrifica a ciência e perde conhecimento que pode ser útil no futuro. Isso tem consequências graves a longo prazo”, explica Corradi.

O conhecimento usado hoje pelos pesquisadores na construção dos três projetos citados, por exemplo, foi construído nos últimos 25 anos. “Quando começamos, a nossa ciência era refém dos instrumentos que a gente conseguia adquirir ou comprar no exterior. Era limitada. Então tomamos a decisão, mais ou menos 25 anos atrás, de aprender a fazer nossos instrumentos de análise. Gastamos um longo tempo aprendendo a fazer isso”, conta o diretor da LNA.

Foi essa dedicação extra que permitiu aos profissionais uma expertise em fibra óptica que resultou em um reconhecimento internacional. Hoje, o LNA desenvolve um espectrógrafo multi-objetos que fará parte do Extremely Large Telescope, maior projeto da astronomia mundial na atualidade, em construção no deserto do Atacama, no Chile.

A tecnologia foi a base para o protótipo que está sendo construído para incorporação no SUS. Os espectrógrafos são, basicamente, equipamentos que decompõem a luz em diferentes comprimentos de onda. Na astronomia, isso permite identificar elementos químicos, medir movimentos e entender a formação de estruturas cósmicas.

Corradi explica a tecnologia: “Desenvolvemos um método que nos permite pegar a fibra óptica e fazer um polimento na ponta dela. É como se fosse um fio de cabelo, e conseguimos fazer esse polimento na pontinha do fio, para levar a luz a distâncias muito grandes. Hoje, a tecnologia no exterior perde cerca de 40% da luz no processo. A nossa consegue ter uma perda de no máximo 20%”, explica.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.