Quando a astrofísica chega ao SUS: pesquisadores desenvolvem tecnologia para evitar infecções
Projeto é conduzido pelo Laboratório Nacional de Astrofísica e usa conhecimento usado na construção de telescópios
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Ao pensar em astrofísica, a imagem comumente criada é de exoplanetas, galáxias e estrelas. Poucos imaginam que um conhecimento desenvolvido no LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica) pode fazer diferença no cotidiano da população.
Mas é isso que os pesquisadores do laboratório estão dispostos a provar. Uma pesquisa chamada “Do Céu ao SUS”, conduzida pelos especialistas do LNA, produz um protótipo que vai ser usado para evitar infecções e pode ser incorporado ao Sistema Único de Saúde brasileiro.
“Estamos usando o nosso conhecimento de ótica com o Hospital das Clínicas de Itajubá (MG) para criar um dispositivo que consegue identificar quais bactérias estão presentes em uma ferida”, explicou o diretor do LNA, Wagner Corradi, em entrevista exclusiva ao R7 Planalto.
Corradi detalhou que o dispositivo vai funcionar emitindo um feixe de luz que deve ser retransmitido, em cores diferentes, por meio da fluorescência de acordo com o tipo de bactéria. “Isso vai ajudar a melhorar a higienização das feridas. Esse é um protótipo brasileiro, produzido aqui, que pode melhorar a saúde”, explicou.
O projeto é construído em parceria com profissionais de biologia e da área da saúde, com expectativa de ter um protótipo finalizado para testes e implementação daqui a dois anos.
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Outros projetos
Esse, contudo, não é o único projeto em andamento no laboratório que, além de olhar para as galáxias, quer contribuir com a realidade brasileira.
Um deles é o aprimoramento de sensores que monitoram barragens para identificar riscos de fissuras muito antes de danos estruturais severos, para impedir casos como o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), que matou 19 pessoas.
Uma terceira iniciativa desenvolve um teste para identificar contaminação no leite ainda nas fazendas, antes de chegar à indústria.
Importância do investimento
Hoje, o LNA espera a construção de uma nova sede. A expectativa é que o prédio principal fique pronto até o fim do ano e, no ano que vem, uma estrutura adjacente que vai servir de visitação e de divulgação científica do que é feito no laboratório.
“Financiamento para infraestrutura e bolsas [de pesquisas] é fundamental para que possamos continuar essas ações. Se você retira orçamento, você sacrifica a ciência e perde conhecimento que pode ser útil no futuro. Isso tem consequências graves a longo prazo”, explica Corradi.
O conhecimento usado hoje pelos pesquisadores na construção dos três projetos citados, por exemplo, foi construído nos últimos 25 anos. “Quando começamos, a nossa ciência era refém dos instrumentos que a gente conseguia adquirir ou comprar no exterior. Era limitada. Então tomamos a decisão, mais ou menos 25 anos atrás, de aprender a fazer nossos instrumentos de análise. Gastamos um longo tempo aprendendo a fazer isso”, conta o diretor da LNA.
Foi essa dedicação extra que permitiu aos profissionais uma expertise em fibra óptica que resultou em um reconhecimento internacional. Hoje, o LNA desenvolve um espectrógrafo multi-objetos que fará parte do Extremely Large Telescope, maior projeto da astronomia mundial na atualidade, em construção no deserto do Atacama, no Chile.
A tecnologia foi a base para o protótipo que está sendo construído para incorporação no SUS. Os espectrógrafos são, basicamente, equipamentos que decompõem a luz em diferentes comprimentos de onda. Na astronomia, isso permite identificar elementos químicos, medir movimentos e entender a formação de estruturas cósmicas.
Corradi explica a tecnologia: “Desenvolvemos um método que nos permite pegar a fibra óptica e fazer um polimento na ponta dela. É como se fosse um fio de cabelo, e conseguimos fazer esse polimento na pontinha do fio, para levar a luz a distâncias muito grandes. Hoje, a tecnologia no exterior perde cerca de 40% da luz no processo. A nossa consegue ter uma perda de no máximo 20%”, explica.
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