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Decisão de anular processos não inocenta Lula. Entenda

Uma forte sensação de impunidade volta a assombrar os brasileiros

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury

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As pessoas foram pegas de surpresa com a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anulou as condenações do ex-presidente Lula impostas pela Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava Jato. O habeas corpus considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar processos que envolvem o ex-presidente.

Até a tarde de segunda-feira, Lula não poderia concorrer a qualquer cargo público por ter sido condenado nos casos do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá. Mas, com a decisão de Fachin, o petista se tornou elegível novamente. Isso porque, após terem sido anulados, os processos voltaram à estaca zero e ele deixou de ser enquadrado pela Lei da Ficha Limpa podendo, assim, concorrer a qualquer cargo público.

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"A decisão individual do ministro Fachin foi tomada com base na ação apresentada pela defesa do ex-presidente Lula em novembro do ano passado que questionou a competência da 13ª Vara Federal de Curitiba para processar e julgar a ação do triplex do Guarujá e pediu a anulação das decisões tomadas no âmbito desse processo. Por esta razão, as condenações e as penas impostas pelo juiz Sérgio Moro, como a inelegibilidade, não existem mais para Lula", detalha ao blog o jurista especialista em direito penal e constitucional, Dr. Leandro Souza.

Apesar da decisão, especialistas explicam que Lula ainda não pode ser considerado inocente
Apesar da decisão, especialistas explicam que Lula ainda não pode ser considerado inocente

É claro que os apoiadores vibraram com a possibilidade de Lula se candidatar à presidência em 2022. Já a resposta do mercado foi a pior possível, a bolsa despencou e o dólar fechou no maior valor desde maio de 2020 (R$ 5,7770).

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Decisão não o inocenta

O que muitos não entenderam diante deste novo cenário é que, ao contrário da imagem que os petistas estão querendo vender, Lula não foi declarado inocente. 

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"A questão da anulação das condenações se deu por uma questão de reconhecimento de incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba. Porque, por ter estatais e empresas públicas envolvidas na investigação a atribuição, ou seja, a competência para o julgamento não é da Vara de Curitiba, mas sim da Justiça Federal de Brasília. Por isso aconteceu anulação da instrução processual, das decisões que o condenaram", acrescenta ao blog o advogado especialista em direito público, Dr. Amilton Augusto,.

Então, Lula não foi absolvido, muito menos os processos encerrados. Eles voltarão à primeira instância, caso a Justiça decida aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) mais uma vez. Dessa forma, Lula continuará respondendo as acusações que constam nas denúncias. "As condenações foram retiradas, o processo retornou ao início e deve ser remitido ao juízo competente, que no caso é Brasília, que reiniciará o processo, ouvirá testemunhas novamente, fará audiências e vai proferir uma nova sentença, absolvendo ou condenando", esclarece o Dr. Amilton Augusto.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato

As ações penais nas quais Lula tinha sido condenado envolviam corrupção e lavagem de dinheiro. Só para refrescar a memória, a primeira condenação se deu porque ele teria recebido, como parte de pagamento de propina por ter favorecido a OAS em contratos com a Petrobras, reformas em um tríplex no Guarujá (SP) e também em um sítio de Atibaia, localizado no interior paulista. As penas somavam 26 anos. 

Há também a acusação de que a Odebrecht teria doado, em 2013 e 2014, dinheiro de propina ao Instituto Lula, totalizando R$ 4 milhões, e também comprado um terreno para instituição. 

Agora, na prática, se o plenário da corte não reverter a decisão, ele poderá se candidatar à presidência novamente em 2022.

Para o Dr. Leandro Souza, essa decisão deve acentuar ainda mais o cenário de polarização política. "Apesar desta ação não inocentar Lula, uma vez que o ministro Fachin não analisou o mérito das condenações, somente entendeu que o juízo competente para julgar o ex-presidente não era a 13ª Vara Federal de Curitiba, ela aumenta a polarização entre esquerda e direita, entre Lula e Bolsonaro".

Cultura da corrupção

Já não bastasse as consequências da pandemia, a reação negativa imediata do mercado diante dessa decisão deu indícios de que teremos mais instabilidades econômicas, pelo menos neste ano e em 2022. Por isso, os meses que virão serão uma ótima vitrine para mostrar quem são os bons líderes e quem são os oportunistas.

Não adianta valorizar um político só porque ele fala "bonito" o que a maioria quer ouvir. A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que cerca de R$ 200 bilhões são desviados, por ano, no Brasil.

Então, enquanto não se valorizar a ética e o compromisso com a verdade, a corrupção, as trocas de favores, o "jeitinho", os desvios de dinheiro público e outros problemas continuarão acontecendo.

O processo eleitoral é historicamente marcado por grandes tensões políticas e pela expectativa de dias melhores para todos. Mas, para que esses dias melhores cheguem, é preciso refletir se queremos perpetuar a política do pão e circo ou dar uma nova chance ao país.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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