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Desespero e ameaça de protestos. Qual o futuro dos pequenos comerciantes?

Aqueles que terão que fechar novamente suas portas criticam autoridades por medidas restritivas. Enquanto isso, Congresso aprova versão final de novo auxílio, que deverá ser de R$ 250

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury

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No bairro onde moro há muitas lojas e mercados pequenos. Um comércio local que o mundo globalizado ainda não destruiu. Mas, o que a globalização não conseguiu fazer parece que a pandemia o fará.

A tristeza aqui é geral. Pelas mortes. Pela propagação do vírus. Pela lentidão da vacinação. Pela politicagem. Pela insegurança. Pelo totalitarismo imposto, disfarçado de complacência.

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"Estava tomando todas as medidas de higiene. Mas, agora, sem poder abrir as portas novamente, não vou aguentar, vou ter que acabar fechando a loja de vez. Como pagarei meus funcionários? Como garantirei meus pagamentos do mês?"

Comerciantes cobram governador do Estado de São Paulo, João Doria, para que lojas possam reabrir durante a pandemia
Comerciantes cobram governador do Estado de São Paulo, João Doria, para que lojas possam reabrir durante a pandemia

Ouvi essa declaração de um comerciante que, com muito pesar, disse não saber o que será do futuro de seu negócio, que lutou tanto para abrir.

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Assim como ele, muitos outros pequenos empresários dependem das vendas do dia a dia para fechar as contas do mês. Agora que eles estavam começando a recuperar as vendas, foram obrigados a suspender de novo suas atividades.

Há quem esteja pensando em fechar as portas, outros devem contrair dívidas para não demitir funcionários e tentar arcar com as despesas.

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Em São Paulo, após o decreto do governador do Estado, João Doria (PSDB), anunciando que o estado entrará, a partir de segunda-feira, dia 15, na fase roxa, endurecendo ainda mais as restrições, obrigando o comércio e outras atividades a fecharem as portas por 15 dias e incluindo o toque de recolher, dezenas de associações de empresas de serviços, comércio e alimentação afirmaram que estão se mobilizando para cobrar dele a reabertura imediata.

Há ameaças, inclusive, de que se não forem atendidos em seus pedidos façam mobilizações pelas ruas.

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Choque entre presidente, governadores e prefeitos

A questão não é negar a existência e a gravidade do vírus. É saber que, infelizmente, enquanto o povo volta a ficar com medo, ansioso, sem emprego, muitos seguem tomando atitudes pensando apenas em política, em 2022.

Não acredito que a ditadura vai se instalar de um modo escancarado no Brasil, mas, de certa forma, ganhou novas facetas... Ninguém vai bater à sua porta, amarrá-lo, torturá-lo ou obrigá-lo ser cobaia de experimentos sociais, assim como aconteceu em regimes totalitários.

Mas, com certeza, já estamos sendo manipulados pelas beiradas. Porque um povo acuado se entrega às autoridades e acata tudo o que elas dizem e impõem.

O novo valor do auxílio emergencial deve ser de R$ 250. A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira o texto base da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que permite a retomada de quatro parcelas dessa ajuda.

Em desespero, comerciantes ameaçam fazer protesto para poderem trabalhar
Em desespero, comerciantes ameaçam fazer protesto para poderem trabalhar

Mas, a questão é: Com mais e mais medidas restritivas sendo impostas, como esse valor ajudará as famílias?

Você deve concordar comigo que com R$ 250 sequer é possível fazer uma compra de mercado decente.

Não dá para culpar apenas o Governo Federal, afinal, não está havendo união entre prefeitos, governadores e o presidente. Nos últimos dias, por exemplo, governadores de 21 estados e do Distrito Federal manifestaram posição favorável à criação de um "pacto nacional" com medidas restritivas e preventivas, sem anuência do Estado.

Em contrapartida, o presidente Jair Bolsonaro anunciou recentemente que havia pedido um projeto de lei para ampliar a lista de atividades essenciais que poderiam seguir abertas durante as restrições. "Atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para casa", destacou.

Preservando nossa sanidade mental

Não é possível acreditar que depois de um ano do início da pandemia estamos vivenciando tudo novamente, e pior. Volto a questionar: Onde estão os bilhões de reais que o Governo Federal enviou para os estados e municípios? Será que a crise se agravou por falta de dinheiro, de gestão, de logística ou incompetência?

Que o coronavírus continua se proliferando, infelizmente é verdade. Que precisamos ter bom senso para nos proteger dele, mais verdade ainda.

Mas, que a politicagem segue buscando palanque com toda essa pandemia, isso não se pode negar. 

Por isso, o conhecimento, a sabedoria e a educação são as coisas mais valiosas que temos, porque ninguém, nenhuma "caneta", pode roubar, mesmo que cerceiem nosso ir e vir.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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