Estúdio News analisa o crescimento do mercado de bioinsumos no Brasil
Programa vai ao ar neste sábado (27), às 22h15, na tela da RECORD NEWS
Estúdio News|Do R7

Considerado um dos mercados mais dinâmicos do mundo, o Brasil registrou nos últimos anos um crescimento médio anual de aproximadamente 22% no segmento de bioinsumos, taxa cerca de quatro vezes superior à média global. Em 2025, o mercado atingiu a marca histórica de R$ 6,2 bilhões, demonstrando a crescente adesão dos produtores rurais a essas tecnologias. Este tema ganha espaço no Estúdio News deste sábado (27), a partir das 22h15, na RECORD NEWS.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Soja e vencedora do World Food Prize 2025, prêmio conhecido como o “Nobel da Agricultura”, Mariangela Hungria, os números refletem décadas de pesquisa científica desenvolvida no país.
“Esses resultados vêm de sete décadas de pesquisa, desenvolvimento industrial e legislação. O Brasil já utilizava os biológicos há muito tempo, por meio de inoculantes, agentes de controle biológico e produtos da agricultura orgânica. O que aconteceu em 2020 foi a criação de um decreto e de uma política nacional que passaram a reunir todas essas tecnologias sob o termo bioinsumos”, explicou.
De acordo com a especialista, os bioinsumos englobam produtos e processos de origem vegetal, animal ou microbiana utilizados tanto na agricultura quanto na pecuária. Hoje, as culturas que mais empregam essas tecnologias de forma comercial são soja, milho e cana-de-açúcar.
Talita Priscila Pinto, pesquisadora da FGV Agro, destaca que os benefícios dos bioinsumos ultrapassam os ganhos produtivos. “A adoção dessas tecnologias permite reduzir a dependência de fertilizantes químicos, diminuir custos de produção, melhorar a saúde do solo e aumentar a qualidade dos alimentos”, diz.
Ela lembra que um dos principais custos da agricultura brasileira está relacionado aos insumos importados, especialmente fertilizantes. Nesse contexto, os bioinsumos surgem como uma alternativa estratégica para diversificar fontes de nutrientes e reduzir vulnerabilidades externas.
A guerra entre Rússia e Ucrânia evidenciou a fragilidade de diversos países dependentes da importação de fertilizantes. No Brasil, o cenário acelerou o interesse pelos bioinsumos.
Mariangela Hungria relata que o período foi decisivo para a expansão da tecnologia.
“Com a pandemia e a guerra, houve dificuldades no fornecimento de fertilizantes. Quando os produtores passaram a utilizar os biológicos, perceberam que os resultados apresentados pela pesquisa eram reais. Foi a partir daí que vimos essa grande expansão do setor”, afirmou.
Um dos exemplos mais emblemáticos do sucesso dos bioinsumos está na soja, principal produto do agronegócio nacional.
“Hoje a soja brasileira não utiliza fertilizante nitrogenado. Nós conseguimos suprir 100% da necessidade da cultura por meio da fixação biológica do nitrogênio. Sem esse bioinsumo, seria economicamente inviável o Brasil ocupar a posição de maior produtor e exportador mundial de soja”, pontua a pesquisadora da Embrapa.
Os números são expressivos. Apenas na última safra, o uso da tecnologia permitiu uma economia estimada em US$ 29 bilhões que deixaram de ser gastos com fertilizantes nitrogenados.
Talita Priscila Pinto acrescenta que o acesso ao crédito, à assistência técnica e à informação continua sendo um desafio para milhares de produtores rurais.
Segundo ela, programas como o Plano Safra e linhas de financiamento voltadas para biofábricas podem ajudar a democratizar o acesso às tecnologias, desde que acompanhados de menos burocracia e mais suporte técnico.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15. A RECORD NEWS é sintonizada pelos canais de TV por assinatura 586 (Vivo TV), 14 (Oi TV), 578 (Claro), 419 (Sky) e 2038 (Samsung TV Plus), além do canal 42.1 em São Paulo e de outros canais da TV aberta em todo o Brasil.













