Crea-RJ alerta para riscos de construção de bairro popular em terreno irregular em Guaratiba
Indícios indicam que Campo da Fé, onde prefeitura quer erguer casas, é uma área de mangue
Rio de Janeiro|Do R7

A Prefeitura do Rio de Janeiro já desapropriou o terreno do “Campo da Fé”, em Guaratiba, na zona oeste da cidade, a fim de criar um bairro popular. No entanto, representantes do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro) consideram arriscada a construção de edificações naquele local.
De acordo com o conselho, indícios apontam que o terreno é localizado sobre uma área de mangue, sujeito a alagamentos. Por isso, nenhuma casa pode ser erguida ali sem que haja uma ampla estruturação da terra.
O Campo da Fé foi planejado para abrigar a vigília e a última missa do papa Francisco no Rio de Janeiro durante a JMJ (Jornada Mundial da Juventude). Os eventos, que a princípio reuniriam 2 milhões de pessoas em Guaratiba, foram transferidos de última hora para a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, já que as chuvas transformaram o Campo da Fé em um mar de lama.
A prefeitura havia investido R$ 6 milhões com obras no entorno do campo para facilitar a peregrinação dos participantes da JMJ. A Igreja Católica e patrocinadores ficaram responsáveis por terraplanar a área onde aconteceria a missa. Para não desperdiçar os investimentos, o prefeito Eduardo Paes anunciou a construção do bairro popular, com a construção de casas destinadas, prioritariamente, a moradores carentes que já habitam a região.
De acordo com nota divulgada pelo Crea-RJ, “o que aconteceu com o terreno devido às chuvas, obrigando que os eventos para ali programados fossem transferidos para Copacabana, foi apenas uma amostra do que poderá acontecer no futuro, caso não haja planejamento adequado e a criação de uma infraestrutura de engenharia capaz de suportar redes de drenagem, de água, de esgoto, ruas, construção de casas”.
O conselho reforça ainda que “há que se ter um projeto estrutural, um projeto executivo e avaliar bem os custos, para ver se o investimento compensa os riscos futuros. (...) construir em áreas de mangue e terrenos argilosos exige altos custos e investimentos”.
O R7 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Habitação, que afirmou que, até esta quarta-feira (31), não recebeu orientação da prefeitura para iniciar o desenvolvimento do projeto habitacional.















