Em vídeo ao lado de Paes, ministro das Relações Exteriores confirma reunião do Brics no RJ
Encontro acontece entre 6 e 7 julho, em meio a pressões externas, como o ‘tarifaço’ de Donald Trump e guerras
Rio de Janeiro|Do R7, em Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que a próxima reunião da cúpula dos Brics deve acontecer nos dias 6 e 7 julho no Rio de Janeiro (RJ). Em um vídeo ao lado do prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD-RJ). Atualmente, o bloco econômico conta com 20 países, como Brasil, China e Rússia. O encontro acontece em meio um cenário externo pressionado, principalmente com o ‘tarifaço’ de Donald Trump e guerras.
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“O presidente me autorizou a anunciar que a reunião dos chefes de Estado do Brics será no Rio de Janeiro, no mês de julho deste ano, nos dias 6 e 7, quando receberemos na cidade os chefes de estado dos 20 países que integram o Brics, como membros plenos e parceiros”, afirmou Mauro Vieira.
O Brasil assumiu no início do ano a presidência rotativa do grupo de cooperação internacional. Atualmente, o bloco é formado por:
- Brasil
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
- Arábia Saudita
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Etiópia
- Irã
Paes destacou que a importância da cidade para o país, e relembrou a reunião do G20 no ano passado. “Rio, mais uma vez, é capital do mundo. Foi o G20 ano passado, agora Brics e, quem sabe, eu ainda não consigo a assinatura do decreto presidencial dizendo ‘Rio capital honorária do Brasil”, ressaltou Paes.
Cenário externo
O encontro acontece em meio a um cenário externo pressionado, principalmente pelas medidas protetivas anunciadas por Donald Trump e os conflitos no Oriente Médio.
‘Tarifaço’ de Trump
Recentemente, Trump anunciou aumento de 25% na tarifa de importação de aço e alumínio. Durante conversa com jornalistas no avião, o presidente americano explicou que os Estados Unidos vão cobrar o mesmo nível de taxas impostas pelos parceiros comerciais. A medida afeta o Brasil, uma vez que é exportador do produto.
A ameaça de Trump não é novidade para a comunidade internacional. No primeiro mandato, ele aplicou tarifa de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio. Depois, concedeu isenções tarifárias para diversos países, incluindo Brasil e Canadá. Diante da queda da capacidade das indústrias siderúrgicas dos EUA, Joe Biden estendeu o benefício para outros continentes.
Professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense, Viterio Brustolin afirma que a taxação pode gerar dificuldades para o setor siderúrgico brasileiro, já que o Brasil “não tem outro parceiro para vender” os metais – países da Europa enfrentam recessão, e a China, que tem uma grande produção de aço, exporta apenas minério de ferro do país.
Atualmente, os EUA produzem cerca de 90 milhões de toneladas de aço por ano, e o consumo interno varia entre 90 a 200 milhões de toneladas. Já no setor de alumínio, a produção é de 3,5 milhões de toneladas anuais, o que torna o país dependente da importação. “A expectativa é de que os Estados Unidos precisarão importar alguma quantidade ainda de aço e de alumínio porque, para a indústria siderúrgica fornecer o que eles precisam, seria necessário de três a sete anos”, pontuou Brustolin.
Guerra no Oriente Médio
Os Estados Unidos, a Rússia e a China são “peças fundamentais para a efetividade e durabilidade dos acordos de paz nas guerras por todo mundo”, de acordo com Lier Ferreira, pesquisador da Universidade Federal Fluminense. No Oriente Médio, por exemplo, o grupo terrorista Hamas estaria em busca da ajuda da Rússia para pressionar a autoridade palestina a estabelecer um governo no pós-guerra. Ferreira avalia que, historicamente, “os americanos são mais alinhados a Israel, enquanto os russos tem influência no Irã”.















