Pacote do Pezão: Alerj aprova 6 projetos e rejeita fim de programas sociais na 1ª semana de votação
Confronto entre PMs e servidores transformou centro do Rio em praça de guerra na terça-feira
Rio de Janeiro|Do R7

Na primeira semana de votações dos projetos de lei referentes ao pacote de ajuste fiscal do governo estadual, os deputados aprovaram seis medidas e rejeitaram a proposta de extinguir os programas Renda Melhor e Renda Melhor Jovem.
Na terça-feira (6), os deputados aceitaram a proposta de redução do salário do governador, vice, secretários e subsecretários. Também aprovaram a criação de um modelo de intimação eletrônica para cobranças da Fazenda Estadual.
Os dois primeiros projetos foram aprovados durante uma manifestação ao lado de fora da Alerj que acabou transformando o centro da cidade em uma praça de guerra. Servidores começaram a atacar os policias militares que faziam a guarda no entorno da Casa com fogos de artifícios. Eles revidaram com bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta.
Os PMs chegaram a usar uma janela da Igreja São José para atirar balas de borracha contra os manifestantes, que fizeram barricadas e atearam fogo em entulhos e pedaços de madeira no meio da rua. A Arquidiocese do Rio disse por meio de nota que vai apurar a invasão do templo no centro da cidade. Segundo a Alerj, cerca de 30 pessoas precisaram ser atendidas no ambulatório da Casa Legislativa, entre eles, os deputados Tia Ju (PRB) e Pedro Fernandes (PMDB).
Na quarta-feira (7), os parlamentares aprovaram a proposta que proíbe anistia aos devedores de impostos estaduais pelos próximos dez anos e outra que promove mudanças nas regras de pagamentos com precatórios.
Também aprovaram o projeto que acaba com a isenção da tarifa da barca aos moradores de Ilha Grande e de Paquetá. Pessoas que moram nessas regiões e têm a renda isenta de declaração no imposto de renda, atualmente em cerca R$ 1.900 mensais segundo informou a Alerj, terão isenção na tarifa das barcas de Cocotá e Ilha Grande.
Os demais pagarão metade da tarifa normal, chama de tarifa de equilíbrio. No caso dos passageiros que utilizam as barcas das linhas da Ilha do Governador e de Paquetá passarão a pagar a tarifa do Bilhete Único, independente de integração intermunicipal. O texto teve nove das 27 emendas aprovadas.
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Ainda na quarta, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), e outros deputados assinaram uma moção de agradecimento à ação da PM, Corpo de Bombeiros e Segurança Nacional durante a manifestação de terça. Segundo o texto, a ação foi da “forma que a lei determina, com materiais não letais, em conformidade com o princípio do uso proporcional da força”. No entanto, manifestantes relatam uso excessivo de força e truculência da polícia que usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha.
Na quinta-feira (8), a Alerj decidiu aumentar o valor do Bilhete Único Intermunicipal para R$ 8, cima do valor proposto pelo governo de Pezão. O benefício também ficará restrito para quem ganha até R$ 3.000. Usuários que têm salário acima de valor serão obrigados a pagar a tarifa integral dos transportes a partir de 1º de janeiro.
O projeto, que originalmente aumentava a tarifa de R$ 6,50 para R$ 7,50, havia sido tirado da pauta na quarta porque não houve consenso entre os líderes partidários. O novo valor passará a ser aplicado a partir de 1º de janeiro.
Os deputados fizeram um acordo que aumentou a tarifa para R$ 8 em troca da extinção da proposta de subsídio limitado a R$ 150 por usuário ao mês e da rejeição do fim dos programas sociais Renda Melhor e Renda Melhor Jovem.
Dos 22 projetos originais propostos pelo governo, nove foram devolvidos ou retirados de pauta inicialmente. Os parlamentares analisaram 13 propostas que receberam 722 emendas. Nesta semana, a Alerj retirou de pauta mais um projeto a pedido do governo fluminense. A proposta de utilizar parte das receitas de fundos estaduais para pagamento de pessoal foi considerada inconstitucional pelo próprio Executivo.
Na próxima terça-feira (13), a Alerj retoma a votação dos projetos e decide se aprova o texto que propõe o aumento de alíquota de ICMS na conta de luz e outros serviços.
O encerramento das votações está previsto para quarta-feira (14), quando os parlamentares decidem o destino dos últimos quatro projetos. Entre eles, a medida que regulamenta o limite no orçamento e repasse de duodécimos e outra que aumenta o percentual de contribuições previdenciária e patronal para o Rio Previdência. Também votam o projeto que limita a despesa pessoal dos Poderes e o adiamento de aumentos salariais para 2020.















