Família presta homenagem a "Gordinho da Borracharia", morto a tiros em Alvorada, e cobra justiça em meio a onda de homicídios
Segundo os familiares, João fazia a troca de um pneu quando dois homens, que estariam em uma motocicleta, passaram pela via atirando.
Balanço Geral RS|Do R7
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João Batista da Silva Teixeira, de 44 anos, foi morto a tiros enquanto trabalhava em uma borracharia, no bairro Nova Americana, em Alvorada, na tarde de sábado (5). Os disparos teriam começado cerca de 50 metros antes da borracharia e fizeram as pessoas, que estavam nas proximidades, correrem para se proteger.
João foi atingido na região próxima à costela e à axila, chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Durante o ataque, uma mulher teria sido ferida de raspão e um amigo, de longa data de João, foi baleado no pé e, segundo as informações recebidas, passou por cirurgia.
"Trabalhador, batalhador, honesto"
Conhecido como "Gordinho da Borracharia", João era bastante conhecido na região e é descrito por familiares e amigos como trabalhador, batalhador, honesto, gentil e sempre disposto a ajudar. Ele deixa esposa, filhos e netos. Nas redes sociais, pessoas próximas também lamentaram a morte. A filha, Larissa Fernandes, fez uma homenagem ao pai e pediu justiça, dizendo que ele morreu trabalhando e que foi mais uma vítima da violência.
Operação reforça segurança
Em paralelo à repercussão do caso, a Brigada Militar e a Polícia Civil deram início à Operação Convergência-Impacto, com reforço das ações de segurança, diante dos recentes fatos registrados em Porto Alegre e Alvorada. Na tarde de terça-feira, na zona norte da capital e em Alvorada foram realizadas ações de saturação, principalmente em áreas relacionadas às ocorrências e em locais considerados de interesse para as forças de segurança.
Além do policiamento ostensivo, as forças de segurança intensificaram o trabalho de inteligência para identificar e localizar envolvidos nos fatos, incluindo possíveis autores e mandantes. Na zona sul de Porto Alegre, também foram desenvolvidas ações específicas.
Onze mortes em nove dias na Região Metropolitana
A operação ocorre em um cenário de sequência de homicídios registrados entre 30 de agosto e 7 de setembro em Canoas, Porto Alegre, Alvorada e Gravataí. São onze mortes registradas, no período, a maioria envolvendo disparos de arma de fogo. Não há confirmação de que todos os crimes estejam ligados, mas a repetição dos ataques em um curto espaço de tempo chama a atenção e aumenta a preocupação de moradores e familiares por mais segurança.
A sequência começou em 30 de agosto, em Canoas, com três homicídios registrados em aproximadamente 24 horas. O primeiro foi no bairro Niterói, onde um homem em uma motocicleta teria sido surpreendido por criminosos em um carro. Na mesma noite, outro homem foi morto a tiros, no bairro Mato Grande, enquanto estava em um carro preto em frente ao Stok Center. Na manhã de 31 de agosto, um terceiro homem foi morto, no bairro Rio Branco, atingido por disparos de arma de grosso calibre, aparentemente de fuzil. Após os casos, a Brigada Militar reforçou o policiamento em bairros de Canoas. Os três crimes são investigados pela Polícia Civil.
Na terça-feira, 2 de setembro, um homem foi morto a tiros no bairro Santa Rosa de Lima, na zona norte de Porto Alegre, próximo à Praça da Vila CCD. Moradores ouviram os disparos e a Brigada Militar encontrou a vítima próxima à quadra esportiva, com diversas perfurações. Uma segunda pessoa ficou ferida e precisou de atendimento médico.
Dois dias depois, em 4 de setembro, outro homem foi morto a tiros no mesmo bairro. Era um idoso sem antecedentes criminais, atingido em frente a um minimercado, na esquina das ruas Capadócia e do Campo. Ele era morador das proximidades e amigo do proprietário do estabelecimento, onde costumava estacionar o carro. Os disparos teriam sido feitos por ocupantes de um veículo. A polícia investiga se há relação entre os dois casos do bairro.
No sábado, 5 de setembro, além do ataque que matou João, um homem foi encontrado morto na RS-030, em Gravataí, na manhã de domingo (6). O corpo estava deitado na via, em frente a uma serralheria. A Guarda Municipal encontrou a vítima durante uma ronda preventiva, após ser informada sobre um indivíduo deitado em via pública em circunstâncias estranhas. O Samu confirmou a morte e a vítima apresentava pelo menos oito marcas de disparos.
Ainda no domingo, outro homem foi morto a tiros, no bairro Santa Rosa de Lima. O nome não foi divulgado. O caso aconteceu no mesmo bairro dos dois homicídios anteriores, mas não há confirmação de que os crimes estejam ligados.
Na tarde de segunda-feira (7), um homem de 27 anos foi encontrado morto no bairro Guarujá, na zona sul de Porto Alegre, após moradores relatarem cerca de seis disparos. A Brigada Militar atendeu a ocorrência e o caso está sendo apurado. Também na segunda-feira, um corpo foi encontrado no Arroio Feijó, entre Porto Alegre e Alvorada. A vítima ainda não foi identificada e, conforme a Polícia Civil, o corpo apresentava sinais de disparos de arma de fogo.
Diante desse cenário e da morte de um trabalhador, durante o expediente, a família de João pede justiça e mais segurança na região.















