Gabriel Souza encerra sabatina ao governo do Rio Grande do Sul
Candidato defende renegociação da dívida estadual e aposta em educação e segurança
Balanço Geral RS|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Candidato ao Governo do RS, Gabriel Souza fala sobre dívida do estado, educação, segurança e enchentes, na Record Guaíba
O candidato ao Governo do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador, participou da sabatina do Balanço Geral, com o apresentador Samuel Vettori. A entrevista encerrou o ciclo de sabatinas do programa, que já havia recebido Luciano Zucco (PL), Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB).
Gabriel Souza, de 42 anos, é natural de Tramandaí, no Litoral Norte do RS. Antes da vida pública, trabalhou com a família, como auxiliar de escritório e contabilidade. Sem histórico familiar na política, começou pelo movimento estudantil e seguiu para o MDB, partido de um tio, passando por deputado estadual, líder do governo e presidente da Assembleia Legislativa, até chegar à vice-governador, ao lado de Eduardo Leite.
Racha no MDB
Questionado sobre divergências internas no partido, em torno de sua candidatura, Gabriel Souza afirmou que o MDB está unido, citando o apoio de lideranças como Pedro Simon, José Ivo Sartori e José Fogaça, além de prefeitos e deputados. Disse que a convenção homologou seu nome praticamente por unanimidade e que divergências pontuais são normais, comparando-as a desentendimentos de família. Sobre partidos que hoje estão na oposição, mas já integraram o governo, comparou a situação a um engenheiro que projeta um prédio e depois o critica, reafirmando confiança em seu projeto de gestão.
Dívida do estado
Sobre a dívida do RS com a União, de R$ 100 bilhões, o candidato disse pretender prorrogar a suspensão do pagamento (hoje válida até maio do ano que vem) e defende uma nova renegociação da dívida, a partir de junho. Segundo ele, “com as contas organizadas, os recursos não pagos serão direcionados a investimentos em rodovias, pontes, casas populares e políticas públicas”. Gabriel prometeu, ainda, destinar 1% do valor que iria para juros ao programa de ensino técnico "Profissão na Mão", com a criação de mais de 80 mil vagas no Estado, além de investimentos em irrigação e manejo do solo para reduzir os prejuízos causados pelas secas recorrentes no agro gaúcho, nos próximos 20 a 30 anos. Ao ser questionado sobre o pagamento da dívida, se pretende deixar para o próximo governador – se eleito -, o candidato classificou a cobrança atual como abusiva, por ter juros sobre juros, e afirmou que o valor já foi pago no passado. Defendeu a assinatura do Propague para eliminar os juros, mantendo apenas a correção monetária, e ponderou que não haverá perdão total da dívida por parte de nenhum presidente, sendo necessário buscar uma negociação justa.
Educação
Sobre infraestrutura escolar e modelo pedagógico, diante de críticas à progressão parcial (modelo em que o aluno reprovado em algumas matérias avança de ano), Gabriel explicou que o sistema funciona como a "dependência" das escolas particulares e informou que apenas 1% dos mais de 700 mil alunos da rede estadual está nessa modalidade, com metade já tendo recuperado a nota até agosto. Defendeu a manutenção do modelo como forma de combater a evasão escolar e confirmou a parceria com a iniciativa privada para manutenção e obras nas escolas. Sobre salários dos professores, relembrou que o governo anterior parcelou salários por causa do déficit fiscal e destacou a retomada dos pagamentos em dia na atual gestão.
Segurança pública e feminicídios
Sobre a insatisfação salarial de policiais civis, militares, bombeiros e servidores do IGP, destacou o aumento do efetivo das forças de segurança, de 30 mil para 35 mil servidores, além de melhorias em equipamentos, coletes, munições e um reajuste salarial recente. Comprometeu-se a conceder novos reajustes conforme o equilíbrio financeiro do estado permitir. Questionado sobre o que falta para reduzir os índices de feminicídio no RS, prometeu ampliar o programa já existente, com a compra de mais de 3 mil novas tornozeleiras e propôs integrar dados da segurança pública com postos de saúde, escolas e CRAS, para identificar, precocemente, sinais de violência doméstica, além de fortalecer redes municipais de proteção com foco em emancipação econômica das mulheres.
Privatizações e mudanças climáticas
Sobre as privatizações da CORSAN e da CEEE, diante do volume de reclamações da população, defendeu que o foco deve estar na regulação e fiscalização rígida dos contratos e admitiu a necessidade de fortalecer a AGERGS (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul), com novos concursos e estrutura para fiscalizar e multar concessionárias.
Sobre o tema enchentes e mudança climática, ele respondeu sobre a demora nas obras definitivas de proteção contra cheias na Região Metropolitana e no interior, relembrando sua atuação nas enchentes de 2023, em Muçum e Encantado, e de 2024, em Santa Cruz do Sul e Porto Alegre. Destacou o Plano Rio Grande, com mais de 240 ações entre obras concluídas e em andamento, e citou a construção de 150 km de novos diques, com mais de 7,5 metros de altura, na Grande Porto Alegre e no Vale do Taquari. Questionado sobre o fato de o MDB já ter governado o estado quatro vezes, sem prevenir a tragédia de 2024, respondeu que os projetos antigos eram baseados na enchente histórica de 1941 e foram superados por um evento climático sem precedentes. Diante de pesquisa recente registrada, que aponta 3% de intenção de voto espontânea, Gabriel Souza reconheceu que ainda não é amplamente conhecido do grande público e disse ver isso como uma oportunidade na campanha, fazendo um resumo de sua gestão como vice-governador - e pediu o voto para dar continuidade ao projeto de gestão do RS.















