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Polícia Federal combate venda de diplomas falsos de medicina

Operação investiga esquema que envolveu pelo menos 45 falsos médicos no Brasil

Guaíba no Ar|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal lançou a 'Operação Canudo' para desarticular um esquema de venda de diplomas falsos de medicina.

  • A operação foi motivada por uma denúncia do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, que alertou sobre médicos com diplomas fraudulentos.

  • Investigação revelou a participação de pelo menos 45 pessoas registradas em conselhos de medicina, que adquiriram documentos falsificados.

  • A continuidade da operação busca desmantelar a rede de falsificadores e garantir a segurança da população em relação a atendimentos médicos.

 

Caso de Cacique Doble foi ponto de partida para operação da PF contra esquema de diplomas falsos de Medicina

A fraude identificada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) deu origem à operação deflagrada pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (12), contra um esquema de venda de diplomas falsificados para ingresso em cursos de Medicina e obtenção de registro profissional.


O esquema, que tinha ramificações em outros estados, teria vendido documentos falsos a pelo menos 45 pessoas já registradas em Conselhos Regionais de Medicina pelo país.

O caso gaúcho que iniciou as investigações


Em 15 de setembro de 2023, uma mulher de 33 anos, natural do Acre, apresentou à Secretaria Operacional do Cremers um diploma falsificado de Medicina do Centro Universitário Funorte, de Montes Claros (MG), para tentar obter registro profissional no Rio Grande do Sul.

Ela atuava havia anos como médica em Cacique Doble, no Nordeste do Estado.


A fraude foi identificada durante a conferência da documentação, etapa em que o Cremers verifica a autenticidade do diploma junto à instituição de ensino.

Constatada a irregularidade, a mulher foi presa em flagrante em ação conjunta com a Polícia Federal.


O diploma falso indicava que ela havia se formado em 1º de fevereiro de 2023.

No entanto, ela já atuava desde 2017 em comunidades indígenas de Cacique Doble, por meio do Programa Mais Médicos, e se apresentava na internet como especialista em Saúde da Família e Comunidade.

Após o caso, o Cremers entrou em contato com outros Conselhos Regionais de Medicina e identificou mais nove diplomas falsos emitidos em nome da mesma instituição, usados em tentativas de registro na Bahia, no Maranhão, em São Paulo e no Tocantins.

Segundo o Conselho, o grupo chegou a criar um e-mail falso em nome da universidade para enviar documentos aos CRMs.


A operação da Polícia Federal

A partir da denúncia gaúcha, a Polícia Federal identificou indícios de que o esquema tinha ramificações em outros estados.

Nesta quarta-feira, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária em cidades de Minas Gerais (Montes Claros e Bocaiuva) e da Bahia (Barreiras e Luís Eduardo Magalhães).

Três pessoas foram presas.

As investigações identificaram movimentações financeiras entre os investigados e pessoas que teriam adquirido documentos falsificados.

Segundo a PF, pelo menos 45 pessoas já registradas em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para obter documentos falsos usados na obtenção ou regularização do registro profissional.

Até o momento, não há confirmação de que algum desses registros tenha sido feito no Rio Grande do Sul.

O Cremers vai solicitar à Polícia Federal acesso às informações dos investigados para verificar a existência de outros casos no Estado.

Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Federal, o grupo falsificava diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos para viabilizar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina.

Os documentos também eram usados para obtenção de registro profissional nos CRMs.

As fraudes ocorriam de duas formas.

Em uma delas, os diplomas apresentados aos Conselhos para obtenção do registro eram falsificados.

Na outra, documentos de ensino superior eram adulterados para simular transferências entre instituições, permitindo que estudantes ingressassem diretamente em cursos já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação.

A PF informou que vai dar continuidade às diligências para identificar quem contratou ou utilizou os serviços do grupo.

O principal investigado já havia sido alvo de outra investigação da corporação, em 2016, por fraude ao Enem, quando um esquema recrutava professores e estudantes para transmitir gabaritos a candidatos que pagavam para obter vantagem no exame.

Posicionamento do Cremers

O Cremers reforçou que não admite fraudes para obtenção de registro profissional e que seguirá atuando de forma rigorosa na identificação de irregularidades.

Segundo o Conselho, os casos continuarão sendo encaminhados às autoridades competentes para impedir o exercício ilegal da Medicina e proteger a segurança dos pacientes.

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