Caminhoneiros gaúchos retornam após nevasca nos Andes
Após semanas parados, motoristas brasileiros enfrentam novos alertas de neve entre Argentina e Chile
Rio Grande Record|Do R7
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Caminhoneiros gaúchos contam como foi ficarem parados, por causa de fortes nevascas, na Cordilheira dos Andes
A previsão de mais neve para o final de semana preocupa os caminhoneiros gaúchos, que ficaram dias parados na Cordilheira dos Andes por causa de uma forte nevasca. Depois de semanas de bloqueio, as autoridades argentinas e chilenas autorizaram a retomada gradual do tráfego de veículos pela região, mas o temor de um novo temporal de neve, nos próximos dias, mantém os motoristas em alerta.
A nevasca cobriu por completo a região andina, cercada por montanhas, entre Argentina e Chile, obrigando milhares de caminhoneiros - que fazem o transporte de cargas pelo trajeto - a interromper a viagem. A travessia está fechada desde o início de julho.
Um dos motoristas afetados é o caminhoneiro Eduardo Ferlin, que saiu de Lajeado, no Vale do Taquari, com destino a Santiago do Chile. A previsão inicial era percorrer o trecho em quatro dias, mas o caminhão, carregado com carne suína, ficou parado por 32 dias em meio à Cordilheira. Segundo Eduardo, a carga não correu risco porque a câmara é refrigerada e possui motor próprio para isso.
A liberação gradual da passagem começou nesta semana. Com a melhora do tempo, nos últimos dias, as autoridades argentinas e chilenas resolveram autorizar a travessia. Para garantir um fluxo seguro, a quantidade de veículos que partem para a estrada está sendo controlada: nos próximos cinco dias, a prioridade é para os caminhões de carga, com liberação gradual também para carros. Eduardo relata que centenas de brasileiros, uruguaios e chilenos estão na mesma situação, aguardando a vez de seguir viagem.
Já o caminhoneiro Diogo Budke está pronto para retomar o trajeto e voltar ao Brasil. Ele conta que a distância de casa pesa e que sente saudade da família, mas que a rotina também gera amizades na estrada.
Enquanto aguardam a liberação da estrada, os motoristas recebem apoio do Exército argentino e de entidades locais, com distribuição de água potável e uma refeição por dia. O serviço de meteorologia da Argentina prevê uma nova nevasca, que deve atingir a região neste final de semana — a principal preocupação de quem ainda precisa cruzar a Cordilheira nos próximos dias. Eduardo diz que a expectativa agora é conseguir escapar da nova nevasca antes que ela chegue, enquanto Diogo espera voltar o quanto antes para matar a saudade de todo mundo.















