Câncer de língua: importância do diagnóstico precoce
Tumor raro entre os cânceres de cabeça e pescoço desafia diagnósticos médicos
Rio Grande Record|Do R7
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Em 2022, o gaúcho Thiago Reis notou uma pequena ferida na língua, parecida com uma afta. O que parecia um incômodo passageiro começou a crescer e a sangrar com frequência.
Depois de passar por quatro cirurgias, ele finalmente conseguiu fazer a biópsia que revelou o diagnóstico: câncer de língua.
O tumor já havia tomado conta de 90% do órgão, que precisou ser completamente removido e, na mesma cirurgia, um músculo da coxa de Thiago foi utilizado para reconstruir a língua.
"Foi muito impactante saber que se tratava de um câncer raro", conta Thiago, que hoje é palestrante e autor do livro A Voz da Superação, escrito depois de enfrentar um período em que chegou a perder completamente a fala.
O câncer de língua faz parte de um grupo de tumores chamado câncer de cabeça e pescoço, menos conhecido do público se comparado a outros tipos da doença, mas que reúne alguns dos diagnósticos mais frequentes entre os homens no Brasil.
egundo o médico oncologista Ricardo Kroef, essa categoria engloba os tumores da chamada via aerodigestiva (boca, laringe e faringe), os tumores glandulares (parótida, submandibular e tireoide) e também os tumores de pele da região, comuns por se tratar de uma área muito exposta ao sol.
As principais causas por trás desses tumores são bem conhecidas há décadas: tabagismo e alcoolismo, especialmente o consumo de bebidas destiladas.
Mais recentemente, a infecção pelo HPV (papilomavírus humano) também passou a ser associada com frequência a tumores de garganta, um dos motivos pelos quais a vacinação contra o vírus passou a ser recomendada tanto para meninos quanto para meninas, também como estratégia de prevenção ao câncer de cabeça e pescoço
Os sinais de alerta
Reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para buscar atendimento médico a tempo.
Segundo o oncologista, alguns sinais merecem atenção redobrada:alguns sinais merecem atenção redobrada: feridas na boca que não cicatrizam, mudança de voz que persiste por mais de 15 dias (o que pode indicar um tumor nas cordas vocais ou na laringe) e dificuldade ou dor para engolir, sintoma que pode apontar para um tumor na faringe. Especialistas costumam recomendar que, quando esses sinais ultrapassam 60 dias, é hora de procurar avaliação médica.
Os números no Rio Grande do Sul
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Rio Grande do Sul deve registrar 4.440 novos casos de câncer de cabeça e pescoço entre 2026 e 2028, uma média de mais de 1.400 diagnósticos por ano, aqui no Estado.
O cenário gaúcho acompanha uma tendência nacional preocupante: as projeções do INCA apontam mais de 126 mil novos casos de câncer de cavidade oral, laringe e tireoide no Brasil no mesmo período, uma média de 42.150 diagnósticos por ano, com a doença concentrada principalmente entre os homens.
Um dado chama atenção: estima-se que oito em cada dez pacientes só recebam o diagnóstico em estágio avançado, quando o tratamento se torna mais complexo, aumenta o risco de sequelas e diminuindo as chances de cura.
Como na maioria das doenças, o diagnóstico precoce é o fator que mais pesa a favor do paciente: quanto mais cedo a descoberta, maiores as chances de um tratamento eficaz e de manutenção da qualidade de vida.
Como é o tratamento
Atualmente existem quatro linhas de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço.
A cirurgia é a mais clássica e está presente em cerca de 70% dos casos, entrando em algum momento do tratamento. Também são utilizadas a radioterapia (tratamento por radiação) e a quimioterapia (por meio de drogas específicas). Mais recentemente, a imunoterapia passou a integrar o arsenal terapêutico (uso de anticorpos desenvolvidos para tentar destruir os tumores).
Hoje, mesmo seguindo em tratamento, Thiago transformou a própria experiência em ferramenta para ajudar outras pessoas.
"Eu falei para minha esposa que nós seríamos a voz da superação para muita gente, daí veio a ideia do livro. Hoje ajudo pessoas com todo tipo de câncer, não só de cabeça, pescoço e língua. O diagnóstico não pode definir quem nós somos, somos muito mais que o diagnóstico", diz.














